"Os planos não valem nada, mas o planejamento é tudo!”
Dwight D. Eisenhower
Ação rápida, eficaz, direcionada e com valentes esforços de resgate!... porém uma Resposta eficaz de Emergência vai além disto. A eficácia depende do que ocorre antes do evento, ainda enquanto os responsáveis
estão apoiando e mantendo seus programas e recursos, e preparados para qualquer
desastre ou força da natureza.
A Agência Americana de Emergências (FEMA), constatou falhas comuns em planejamentos
nas maiores últimas catástrofes nos USA:
- Falta de avaliações adequadas de vulnerabilidade das infraestruturas;
- Falta de pessoal para atender a demanda de socorro, mesmo já sendo conhecido o número necessário de envolvidos;
- Times de Resposta e pessoas mal treinadas em determinadas áreas;
- Excesso de confiança nas Comunicações e Internet durante os
atendimentos de Resgate e Assistência;
- Possibilidade de danos a longo prazo... e aqui temos que detalhar um
pouco mais...
A FEMA admitiu que subestimou os danos a longo prazo em cada região. Mesmo com
avaliações de capacidade, relatórios de exercícios, estados das infraestruturas,
a agência não fez uso adequado dessas informações e não conseguiu prever os
danos:
“Os gerentes poderiam ter
aproveitado melhor as informações existentes para planejar e enfrentar esses
desafios, antes e imediatamente depois das catástrofes”
“O serviço celular
limitado impactou a capacidade dos sobreviventes de desastres à assistência"
“Telefones por satélite não
funcionaram como esperado ou funcionários não sabiam como usá-los corretamente”
Entender e alinhar o tipo de produto ou material que pode ser despejado
na Comunidade, riscos inerentes de contaminação, desafios de descontaminação, e
danos ambientais, por exemplo, poderiam priorizar adequadamente os esforços das
equipes de atendimento ou resiliência da população afetada. Atrasar neste
planejamento retarda a reação e prolonga a exposição da Comunidade aos efeitos
da catástrofe.
Outro ponto são os
sistemas móveis de rádio terrestre, e que operam em diferentes bandas de frequência.
Esse desafio é perigoso porque as equipes não conseguem compartilhar
informações durante os resgates.
Interessante alinhar com as Empresas de Comunicações a remoção dos limites de
dados e custos adicionais das contas de clientes de Segurança Pública.
O que se pode melhorar:
- Melhor coordenação entre os vários comitês de Segurança Pública e
Empresas;
- Estabelecer e realizar a manutenção do programa de supervisão;
- Incrementar as comunicações de dados e voz aos socorristas em campo;
- Disponibilizar serviços sem fio comerciais para transmissões de dados
mais avançados de informações de localização, imagens e vídeo.
O relatório Goldstein, estudou as capacidades regionais
de comunicação de emergência e descobriu que 07 entre 10 grupos regionais de
coordenação de comunicação de emergência disseram que os desafios de
interoperabilidade afetam as operações da missão e colocam os socorristas em
risco. Ele destacou problemas na adoção de rede privada; desafios com
treinamento e exercícios; incompatibilidade, subutilização e difícil acesso à
tecnologia.
O relatório ainda alerta que os socorristas podem ainda hesitar ou relutar em
usar os canais operacionais existentes devido à falta de treinamento ou
experiência. Diz que o treinamento contínuo, embora eficaz, é difícil de ser
conduzido adequadamente devido à rotatividade de pessoal e de tecnologia, o que
dificulta a resposta dos socorristas aos mais recentes métodos de comunicação.
Além disso, os principais exercícios de resposta à emergências geralmente não
incluem um grande componente de comunicação, limitando a preparação ou a
confiança dos profissionais de resposta a usar métodos especiais em emergências
de grande escala.
Vale ressaltar os desafios da capacidade técnica nas áreas rurais e em termos
de população de uso, ou seja, a abrangência de comunidades de primeiros
socorros.
Por fim, possuir equipamentos, tecnologia ou ter esses recursos disponíveis em horários comerciais, não significa que estarão funcionando, ou disponíveis, quando uma crise ocorrer. Testar cada recurso em horários aleatórios (às 3h da manhã, por exemplo) e estressar o sistema de maneira controlada, são práticas fundamentais. E mais: você se surpreenderá com os tipos de falhas, muitas vezes simples, mas capazes de colocar todo o processo em risco!
A redundância e criatividade, combinadas com tecnologia, especialmente em áreas remotas ou críticas, podem ser fundamentais para manter a capacidade de resposta. Um exemplo é o uso da Starlink móvel como alternativa de comunicação, principalmente quando a infraestrutura convencional não está disponível. Equipamento prático, portátil e simples de operar.
Mas atenção: a instalação em veículos precisa ser adequada e muito bem fixada. Vibrações e trepidações constantes por vezes fazem o equipamento se soltar. Para instalação externa, devem também ser considerados obstáculos como galhos, vegetação e outros elementos presentes nas áreas de operação.
O equipamento também precisa manter uma visão adequada do céu. Mas olha, nas tempestades da Amazônia, por exemplo, quando o tempo fecha, o sinal desta ferramenta também fica sensívelmente comprometido.
Mesmo contando com os recursos da Starlink, não dependa exclusivamente dela. Tenha chips de operadoras diferentes, rádio VHF/UHF, telefone satelital ou outros meios, e que formem camadas de comunicação conforme o risco.
Em fim, o plano pode não sobreviver ao primeiro contato com a realidade, mas o exercício de pensar, testar, questionar, discutir cenários, prepara melhor a organização.
Fontes & Matérias Completas:
Estado da Arte:
NIMS — National Incident Management System (FEMA)
É o sistema americano para fazer governo, setor privado e organizações não governamentais trabalharem dentro de uma estrutura comum durante incidentes. Inclui command and coordination, resource management e communications/information management.
National Response Framework (NRF, FEMA)
É a doutrina americana de como o país responde a incidentes de qualquer natureza, estabelecendo papéis e responsabilidades e utilizando os conceitos escaláveis e flexíveis do NIMS.
ISO 22361:2022 — Security and resilience — Crisis management — Guidelines
É a mais diretamente ligada à gestão estratégica de crises: liderança, decisão sob pressão, comunicação, treinamento e aprendizado pós-crise.
É a base geral de gestão de riscos: identificar, analisar, avaliar, tratar, monitorar e comunicar riscos.
ISO 22320:2018 — Security and resilience — Emergency management — Guidelines for incident management
Comando, papéis e responsabilidades, gestão de recursos e coordenação entre múltiplas organizações durante incidentes.
Abraço
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