Atiradores Ativos: Os Sinais Antes do Ataque

“Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem nada façam.”
Edmund Burke

O Serviço Secreto dos EUA lançou um Guia Operacional para Prevenir a Violência Escolar, onde oferece informações básicas para o desenvolvimento de uma Equipe de Avaliação de Ameaças. O objetivo é mitigar eventos potencialmente violentos ou devastadores em escolas.

O processo tem 05 etapas:

1.   Estabeleça uma equipe multidisciplinar:

a. Pode ser constituída de várias disciplinas, como professores, psicólogos, orientadores e administradores escolares;

b. Este Comitê deverá direcionar, gerenciar e documentar processos de avaliação de ameaças;

c.  Designar um Líder com autoridade para agir imediatamente nos casos em que o tempo é crucial;

d.  O Time deve se reunir regularmente e quando necessário, se houver uma ameaça ou crise;

e. Essas reuniões devem lidar com indicadores potenciais de ameaças, treinamentos e simulados;

f.  Manter o foco na criação e construção de relacionamento e confiança entre os membros da equipe;

g.  Adicional: A avaliação de ameaças é guiada por inteligência e requer um certo conjunto de habilidades para sintetizar informações. As escolas podem fazer parceria com o Governo ou considerar empregar um funcionário com experiência na área.

2.   Defina os comportamentos proibidos e relativos. As políticas devem considerar os seguintes sinais de alerta:

a.  Declínio acentuado no desempenho do aluno;

b.  Aumento do absenteísmo (Faltas);

c.  Desistência ou isolamento;

d.  Mudanças repentinas ou dramáticas no comportamento ou aparência;

e.  Uso de drogas ou álcool;

f.   Sintomas depressivos e outros de saúde mental ou emocional.

3.  Políticas e procedimentos devem ser estabelecidos para monitorar e direcionar ações para coletar informações adicionais a serem consideradas, se estas forem realmente uma preocupação.

4. Crie um sistema central de relatórios para todas as outras atividades de avaliação de ameaças¹:

a.  Estabeleça várias formas de receber as informações (on-line, e-mail, telefone e frente a frente);

b.  A denúncia anônima deve ser uma opção para aqueles que se sentem desconfortáveis ​​ (Canal Oficial Escola Segura); 

c.  Documente cada relatório, categorizando ameaças e determinando se deve ou não agir;

d.  Nenhum relatório deve ser ignorado, e orientar a comunidade escolar sobre o que reportar aumentará a qualidade da informação;

e.  É importante lidar com profissionalismo, considerando a privacidade e confidencialidade de cada caso.

5.   Determinar quando deve ocorrer a intervenção da lei:

a.  A lei pode ser necessária em alguns casos, embora possa não estar envolvida em todos os esforços de avaliação de ameaças;

b.  Crie políticas e procedimentos para indicar quando envolver a lei;

c.  Envolva as Autoridades sempre que elementos de um crime estiverem presentes (casos que envolvam armas, ameaças e violência física);

d.  O ECA e o Programa Escola que Protege estabelecem limitações quando se trata de menores de idade. A Equipe deve entendê-las antes de desenvolver Políticas e Procedimentos em torno da resposta da Força Pública.

6.   Estabeleça procedimentos de avaliação:

a. Auxiliará a traçar um quadro preciso do pensamento e comportamento do aluno, formalizar uma estrutura de relatórios e identificar intervenções apropriadas;

b.  Crie formulários e modelos para captar as informações necessárias;

c. Envolva a comunidade e incentive um exercício de brainstorming sobre fontes de informações potencialmente e úteis;

d. Repita o exercício assim que identificar interesse sobre informações mais específicas de um indivíduo em específico;

e.  Examine as Mídias Sociais para obter informações e realize entrevistas²;

f.  Considere a inspeção de armários dos alunos³;

g. Adicional: Não reduza o foco. Qualquer um pode ser uma ameaça: um professor, contratado, administrador ou alguém que não esteja associado à escola.
  
 

No Brasil, a avaliação de ameaças no ambiente escolar deve conciliar segurança e proteção integral. O objetivo não é criminalizar ou rotular precocemente o aluno, mas identificar comportamentos preocupantes, avaliar o risco, proteger possíveis vítimas e encaminhar intervenções adequadas por meio de uma equipe multidisciplinar e, quando necessário, da rede de proteção e das autoridades competentes.

¹ Além dos canais internos da instituição, ameaças e informações relacionadas a possíveis ataques contra escolas podem ser encaminhadas ao Canal de Denúncias Escola Segura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O canal permite denúncias anônimas e mantém as informações sob sigilo. Em situações de emergência, deve-se acionar o 190 ou procurar a delegacia mais próxima.

² Examine as Mídias Sociais para obter informações e realize entrevistas:

Coleta e tratamento de informações devem respeitar privacidade, finalidade, proporcionalidade e os direitos da criança/adolescente;

³ Inspecione os armários dos alunos:

A inspeção precisa estar inserida em política institucional juridicamente adequada, com critérios objetivos, proporcionalidade e respeito à dignidade e aos direitos do aluno. Não deve ser poder irrestrito da escola.

Fontes: 

Abraço

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