Você já teve a sensação de que sua equipe apurou um caso e, no fim, descobriu que outras áreas já possuíam parte das mesmas informações? E que, se essas informações estivessem disponíveis desde o início, poderiam ter agilizado o processo, economizado tempo precioso ou até contribuído para a qualidade do resultado?
E aí vem a pergunta matadora:
como integrar informações entre as áreas sem comprometer a independência das
funções, a qualidade ou a estratégia das apurações? Onde sua área ou a Segurança Empresarial se encaixa em tudo isto?
Parece uma questão operacional,
mas não é. E você, como Gestor, pode ser o catalisador dessa
integração. Quando falamos sobre quem obtém a informação, quem pode utilizá-la,
como as áreas se relacionam e até onde vai a responsabilidade de cada uma
delas, entramos no campo da Governança.
Ah, a Governança! Para os
níveis gerenciais e a alta liderança, essa palavra não é
novidade. Mas, para posições intermediárias, staff ou bases operacionais, não
se engane: ainda é um bicho de sete cabeças.
E veja que interessante: as áreas da Empresa utilizam, cada uma em sua esfera, parte dos riscos identificados pela organização e os transforma em ações concretas, como proteção de pessoas e ativos, controle de acesso, prevenção de perdas, inteligência, apurações, proteção de instalações, segurança das operações, resposta a incidentes, entre outras. Então, basicamente, a Segurança Empresarial deve estar estruturada sob os princípios da Governança e alinhada aos objetivos do negócio. O desafio é fazer essa conexão chegar à equipe, para que as pessoas entendam não apenas o que estão protegendo, mas, o mais importante, o porquê daquilo para o negócio. Estabeleça essa conexão com sua equipe e... voilà!
O problema talvez não seja
falta de controle
Na Segurança Empresarial, costumamos ver que a equipe apurou e depois, RH, Jurídico, TI, Compliance, Auditoria ou outra
área solicitaram novamente as informações. Ou o contrário: a equipe realizou
o levantamento para, então, descobrir que boa parte das evidências já estava
disponível em outra área. E mais, a dor de cabeça com a duplicidade de informação gerada. O
problema, muitas vezes, não é falta de controle. É falta de integração entre as áreas.
Será que TI não tem aquele log que precisamos? Antes de iniciar determinado levantamento, verificamos o CFTV,
os registros de acesso, as informações do RH ou os documentos do Compliance?
Não é trabalhar mais, é trabalhar melhor e integrar com qualidade.
Perguntas simples podem
reduzir o retrabalho e integrar o processo:
“Quem já verificou isso?”
“Essa evidência existe em
outra área?”
“Posso utilizar essa informação
com segurança e confiabilidade?”
“Compartilhar essa informação
compromete alguma apuração em andamento?”
E, novamente, vale ressaltar: o
Gestor de Segurança deve sempre avaliar se até mesmo a solicitação de
documentos, evidências ou simples perguntas podem afetar a apuração ou criar
viés nas demais áreas.
No Checklist POA, por
exemplo, diferentes áreas podem contribuir com informações, mas cada uma
continua decidindo aquilo que pertence à sua alçada. Penso que este artigo,
ironicamente, integra a gestão estratégica proposta no POA.
Tudo isso parece óbvio
Aproveitar avaliações e
evidências confiáveis que já existem. Pois é. Mas alguém precisa provocar essa
integração, ou pelo menos começar. É aí que o Gestor de Segurança pode ampliar
sua contribuição. Ele deixa de ser apenas um gerador de relatórios ou executor
de controles e passa também a atuar como integrador de informações
confiáveis para o negócio.
E o que isso significa para o
comando da empresa?
Decisões mais rápidas, menos
retrabalho, melhor utilização dos recursos e uma visão mais consistente dos
riscos. Em outras palavras, melhor Governança.
Segurança estratégica não é
aquela que simplesmente cria mais controles. É aquela que também consegue
conectar, de maneira inteligente, as informações que já existem.
Por isso, defendo que o Gestor de Segurança, além do conhecimento técnico
profissional, deve se valer de cultura geral ampla e irrestrita. E saber
conectar tudo isso à Segurança, às demais áreas, alta Gestão e aos objetivos do negócio.
E talvez seja justamente aí que a
Segurança Empresarial dê um dos passos mais importantes em direção a uma
atuação verdadeiramente estratégica: deixar de enxergar apenas seus próprios
controles e começar a compreender como suas informações, seus riscos e suas
decisões se conectam com o restante da organização.
Ter independência não significa
isolamento. Integrar evidências não significa integrar investigações. Uma
Segurança Empresarial madura não precisa escolher entre integração e
independência. Precisa aprender a administrar as duas.
Integração sem critério pode
gerar risco. Integração com responsabilidade gera valor.
Porque proteger o patrimônio
continua sendo fundamental, mas entender como essa proteção contribui para o
negócio é o que transforma Segurança Patrimonial em Segurança Empresarial.
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acesse 5 minutos de Segurança 😉
Fonte: Checklist de Gestão de Segurança – Proteção de Ativos (POA)
Fonte e licença: Este artigo utiliza como referência a publicação...
O Novo Modelo das Três Linhas (IIA 2026): o que mudou, como aplicar e sua integração com a ISO 31000
... da t-Risk – Plataforma de Gestão de Riscos, disponibilizada sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0). Os conceitos utilizados foram interpretados e contextualizados pelo autor para aplicação à Segurança Empresarial. O conteúdo deste artigo não representa reprodução integral da obra original.
Abraço


