Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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Viagem a trabalho: Seu empregado está seguro?

 

O acaso favorece a mente preparada

Louis Pasteur

Passagem emitida, hotel reservado, transporte definido e agenda confirmada.

Tudo pronto?

Para a Segurança, e para a sua segurança, talvez não.

Mas calma aí... antes de falar sobre isto, precisamos definir quem a Segurança apoiará nessas viagens. Quais empregados? Níveis hierárquicos ou de Risco? Visitantes serão monitorados?

E não é inventar a roda. Só que o básico tem que ser alinhado, caso contrário todos ficam perdidos. O importante é que responsabilidades, informações e critérios de escalonamento estejam definidos antes que alguma coisa aconteça. E isto é galho fraco para a Segurança, já que a relação com RH, Viagens, TI, Jurídico ou outras áreas está naturalmente mais que consolidada, certo? 🙏 

Atenção: A área responsável pode iniciar o fluxo, mas cabe à Segurança estabelecer os critérios que determinarão quando uma viagem precisa de maior atenção. A boa noícia é que a Segurança não faz isso sozinha. Então, nada de transferir a responsabilidade 😉

Destino, nível de risco, função do viajante, atividade que será realizada, horário dos deslocamentos, viagem individual, histórico de incidentes e perfil VIP, por exemplo, podem funcionar como gatilhos de escalonamento.

Assim, principalmente em empresas com milhares de empregados, a Segurança não precisa analisar manualmente todas as viagens. O processo identifica quais delas precisam chegar até a Segurança.

Pronto, agora vamos lá!

Monitorar viagens não é apenas saber onde o empregado está. É entender o que está acontecendo ao redor dele, responder quando necessário e usar aquilo que aprendemos para reduzir a exposição da próxima viagem. O profissional de Segurança não pode transformar toda viagem em uma operação de proteção executiva. Os controles precisam ser proporcionais ao risco. E focar em Governança.

Antes do embarque

O trabalho começa antes da viagem. Uma viagem para uma cidade de baixo risco pode exigir apenas orientações básicas e contatos de emergência. Outro destino pode exigir avaliação de risco, orientação de segurança, avaliações de hotel e transporte, gerenciamento da viagem e acompanhamento mais próximo. Para um VIP ou uma região de maior risco, outros controles podem ser necessários.

Um empregado que conhece o país e realiza aquela rota frequentemente pode demandar controles diferentes de alguém que viaja sozinho pela primeira vez. Um executivo exposto publicamente, um empregado transportando informação sensível ou uma pessoa participando de uma atividade em local de maior risco também podem alterar a avaliação. O risco não está apenas no lugar. Está na combinação entre pessoa, atividade, local e momento.

Além do destino, também precisamos avaliar o que estará ao redor do empregado: aeroporto, hotel, residência temporária, transporte, rotas, local de trabalho ou reunião e capacidade de resposta em uma emergência.

E há um detalhe importante: a Avaliação de Risco não tem validade eterna. Um hotel homologado há seis meses pode não apresentar hoje as mesmas condições. Uma rota considerada adequada pode ser afetada por manifestações, criminalidade, obras ou outros eventos. Um fornecedor pode mudar.

Briefing de Segurança

Uma boa orientação de segurança precisa ser objetiva e responder ao que realmente importa para aquela viagem:

Quais são os principais riscos?

O que evitar?

Como se deslocar?

Quem contatar?

O que fazer se algo der errado?

Monitorar não é vigiar

Não vamos acompanhar cada movimento do empregado, salvo exceções. Mas temos que ter capacidade de identificar mudanças que possam afetá-lo. Uma manifestação próxima ao hotel. O voo foi cancelado e o empregado chegará de madrugada. Houve um incidente grave próximo ao local da reunião. O motorista não apareceu. Uma tempestade fechou o aeroporto. Seus documentos foram extraviados. O celular foi perdido ou furtado...

É quando o plano muda

O empregado resolveu estender a viagem, visitar outra cidade, trocar de hotel ou aproveitar algumas horas livres para conhecer um ponto turístico. Talvez tenha programado um happy hour, decidido conhecer uma casa noturna ou até contratado serviços de acompanhantes

Sim, e este tipo de situação pode complicar bastante. Dependendo do destino, uma decisão aparentemente pessoal pode alterar significativamente sua exposição a roubos, golpes, extorsão, violência, drogas, problemas com autoridades ou outras situações de risco. Não se trata de a Segurança controlar a vida privada do viajante. Mas ele precisa conhecer os riscos locais, os limites da assistência oferecida pela empresa e quando uma alteração de itinerário ou uma situação de risco deve ser comunicada. O dia de trabalho pode ter terminado pra ele, mas a exposição ao risco, não.

E se o celular desaparecer?

Seu celular virou mapa, passagem, carteira, contato com a empresa, aplicativo de transporte e, muitas vezes, meio de autenticação. Ah, pode realizar chamadas também. 😁 Conheço pessoas que nem utilizam mais seus documentos físicos. Mas cuidado, aluguel de veículos, por exemplo, ainda exige o cartão de crédito físico. 

Mas antes de falarmos do extravio do celular, novamente, precisamos alinhar alguns pontos. Existe outro meio de contato com o empregado? Ele possui os números de emergência fora do próprio celular? É possível restaurar um backup rapidamente em outro aparelho? Ele sabe bloquear ou rastrear o aparelho extraviado? Essas funções estão habilitadas?  TI e Segurança da Informação sabem quando precisam ser acionadas e o que fazer? 

E ainda, a Segurança deve apurar o incidente para entender o que aconteceu e como evitar que se repita, assim como apoiar as áreas para que seja tomada a melhor decisão, com base na apuração, sobre atitudes e posturas de empregados durante a viagem.

Percebam como temos que nos preparar para o maior número de situações possíveis, e como as Lições Aprendidas são tão necessárias neste processo.

Nem toda emergência de viagem é de Segurança

Uma intoxicação alimentar, acidente ou problema médico pode rapidamente se transformar em uma crise. Em determinados destinos, não basta saber onde existe um hospital: é preciso saber se ele possui capacidade adequada de atendimento e quais alternativas existem caso seja necessária uma remoção médica.

Em geral, a pergunta deixa de ser apenas “Onde está o empregado?” e passa a ser: Ele está vulnerável?

Se o Plano muda, a Segurança se aproxima ainda mais do viajante. Por isso, alguns gatilhos de escalonamento precisam estar definidos antecipadamente: Avaliar, comunicar, coordenar e responder.

Quem decide o quê?

Quem aciona a liderança? Quem fala com a família? Quem contata a assistência médica? Quem aciona autoridades ou representação consular? Quem decide interromper a viagem ou retirar o empregado do país?

Durante uma crise não deveria ser o momento para descobrir essas respostas.

Temos Equipe no país destino?

Nem sempre haverá alguém da Segurança no país ou na cidade visitada. Em muitas organizações, o viajante estará sozinho. Por isso, o cuidado não significa necessariamente colocar um profissional de Segurança para ciceronear cada empregado. Significa costurar uma estrutura que permita antecipar riscos, orientar o viajante e apoiá-lo quando necessário.

Contato de emergência, fornecedores confiáveis, protocolos de comunicação, escalonamento, assistência médica, apoio consular, e uma rede local podem fazer enorme diferença. É aí que entra a lição de casa: tudo isso não pode ser providenciado no momento da crise.

Delegacias, hospitais e clínicas de referência, hotéis, aeroportos, locadoras, empresas de transporte e outros recursos locais precisam ser conhecidos antecipadamente. Dependendo da região e do nível de risco, vale também conhecer contatos de autoridades, representação consular, serviços de emergência e fornecedores capazes de apoiar a empresa. Até locais de entretenimento frequentados por empregados e expatriados podem fazer parte dessa compreensão do ambiente. Uma rede de apoio construída durante a normalidade vale muito mais do que uma lista de telefones pesquisada durante a crise.

E não tem jeito. Tem que pagar com sangue: ir a campo! Negligenciar esta parte da avaliação vai custar caro lá na frente. Tanto em tempo de resposta e resultado no apoio ao empregado vulnerável quanto na confiança da alta Gestão. Não se engane, algumas perguntas simples, mostrarão que você não está preparado; e esta quebra de confiança não pode acontecer na área de Segurança. 

E se acontecer algo realmente grave?

Sequestro, desastre natural, detenção, desaparecimento, acidente grave, distúrbio civil... exigem protocolos previamente estabelecidos? Em situações críticas, governança, comunicação e clareza de responsabilidades são tão importantes quanto os recursos disponíveis

Quem recebe a primeira informação? Como ela será confirmada? Quem liderará a resposta? Quais especialistas externos podem ser acionados? Como as informações serão protegidas?

Planos precisam existir, mas também precisam ser testados. Exercícios de mesa, simulações e revisão periódica ajudam a descobrir falhas quando ainda existe tempo para corrigi-las.

E quais são os principais incidentes em viagens?

As ocorrências podem variar muito, e conforme o destino, mas algumas aparecem com frequência em viagens corporativas: 

- Furtos e roubos;

- Perda de celular, passaporte ou documentos;

- Problemas de transporte; 

- Acidentes de trânsito; 

- Emergências médicas; 

- Outras: Cancelamentos de voos; manifestações e distúrbios civis; golpes e fraudes; assédio; problemas com autoridades; eventos climáticos; falhas de comunicação e, em ambientes de maior risco, sequestro ou detenção.

O empregado retornou em segurança. E agora?

Imagine 1.000 viagens realizadas e nenhum incidente. Excelente resultado, certo? Será mesmo? Quantas foram efetivamente avaliadas? Quantos viajantes receberam as orientações previstas? Quantas viagens que atingiram os critérios de escalonamento receberam o tratamento correspondente?

Lembre-se: o fato de não ter acontecido nenhum incidente não prova que o processo funcionou. O empregado pode ter viajado, voltado perfeitamente e a empresa não ter feito absolutamente nada.

É aí que entram os KPIs. E mesmo que a viagem tenha ocorrido normalmente, podemos construir bons indicadores, e em quatro dimensões:

1. Preparação: Viagens, hotéis e transportes avaliados, briefings realizados, , controles implementados.

2. Exposição e incidentes: Quantidade, tipo, severidade, destino, horário, recorrência e tendências.

3. Capacidade de resposta: Tempo de resposta, capacidade de contato com o viajante, escalonamento e recursos acionados.

4. Aprendizado: Feedback pós-viagem, avaliações atualizadas e acompanhamento das recomendações (Abertas × implementadas × vencidas).

E mais: identificar uma vulnerabilidade não significa que ela foi tratada. Se uma avaliação de hotel, transporte ou destino gerou uma recomendação, alguém precisa acompanhar sua implementação. Avaliar o risco e não acompanhar a recomendação pode criar apenas uma falsa sensação de controle. E não me venha com "eu avisei"! 😶

Indicadores conectados viram informação

Os KPIs vão muito além de serem apenas apresentações para a Liderança ou dizer quantas viagens foram realizadas e quantos incidentes aconteceram. KPI que só conta o que aconteceu está olhando para o passado. Um bom KPI também ajuda a decidir o que fazer na próxima viagem. Eles chegam para apoiar a resposta, a prevenção e a antecipação. E, dependendo da maturidade, da qualidade dos dados e das ferramentas disponíveis, quem sabe até apoiar modelos preditivos.

É onde algumas perguntas começam a ficar mais interessantes:

Onde estamos tendo problemas? Por quê?

Existe recorrência? A exposição está aumentando?

O que podemos mudar antes da próxima viagem?

O que não estou enxergando?

Se três empregados tiveram problemas semelhantes, isso não deveria servir apenas para alimentar o gráfico mensal. Talvez seja hora de rever o fornecedor. Se empregados continuam perdendo celulares, talvez a resposta não esteja apenas na Segurança: TI, Segurança da Informação e outras áreas também podem precisar entrar na discussão. Em outra, atrasos de voos estão fazendo empregados chegarem de madrugada e aumentando a exposição nos deslocamentos. É assim que o monitoramento deixa de ser apenas reativo e começa a antecipar problemas.

A viagem termina. A informação fica. É assim começa a preparação da próxima viagem. Seu empregado voltou em segurança. Ótimo. Mas sua equipe aprendeu alguma coisa com aquela viagem? E como esse conhecimento será replicado para as demais áreas envolvidas, ou para os próximos viajantes? (Retrabalho: Como Integrar informações e evidências)

O empregado precisa fazer a sua parte

O viajante deve seguir as orientações recebidas, comunicar mudanças relevantes, preservar documentos e equipamentos, utilizar fornecedores aprovados e informar rapidamente uma ocorrência. 

"Cuidar não significa que tudo seja responsabilidade da empresa"

Referências:

ASIS International — Travel Risk Management / ISO 31030

ISO 31000:2018 — Risk management — Guidelines


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Cuidado com o que você fala, para quem e onde!

 
Três pessoas podem guardar um segredo, se duas delas estiverem mortas
Benjamin Franklin

Você entra no elevador e duas pessoas estão conversando sobre um problema da empresa. Não dizem muita coisa. Um nome, um fornecedor, uma apuração em andamento, e em seguida a frase: “A diretoria ainda não sabe”. 

Talvez você nem trabalhe naquela empresa. Talvez não conheça aquelas pessoas. Mas, em menos de um minuto, recebeu informações que provavelmente não deveria ter recebido, e...

Não houve invasão de sistema.
Nenhuma senha foi descoberta.
Nenhum e-mail foi interceptado.
Nenhum hacker foi necessário.

Até o volume da conversa importa. Às vezes nos empolgamos, o tom de voz aumenta e aquilo que deveria ficar entre duas pessoas acaba chegando à mesa ao lado, ao corredor inteiro ou até mesmo para quem está esperando aquele elevador. 

O vazamento nem sempre acontece pela internet 💪😶

No happy hour
A reunião em um restaurante
Um relatório esquecido sobre a mesa
O nome mencionado onde não deveria
Uma apuração compartilhada com quem “é de confiança”
Aquela fotografia do escritório publicada nas redes sociais
A pergunta aparentemente inocente feita pela pessoa certa, no momento certo

Às vezes, a informação simplesmente é exposta. Em outras, alguém procura por ela, observando, perguntando, criando confiança ou induzindo uma pessoa a revelar algo que normalmente não revelaria. É aí que entra a...

Engenharia Social

Quando pensamos nesse termo, é comum associá-lo imediatamente a phishing, e-mails falsos ou golpes pela internet. Mas a Engenharia Social é muito mais antiga que o mundo digital. Ela explora principalmente pessoas, comportamentos, relações de confiança e pequenas informações que, isoladamente, parecem sem importância. 

Um nome. Um cargo. Uma rotina. Um fornecedor. Uma viagem. Uma reunião. Um problema interno. Para quem sabe conectar os pontos, um pequeno fragmento de informação pode ser o início de algo muito maior. Por isso, Segurança da Informação não começa apenas no computador.  

E vale lembrar que nem toda exposição de informação é Engenharia Social. Mas toda informação exposta pode se tornar matéria-prima para ela. 

Começa no comportamento e sim, o ambiente importa

Não é apenas a informação confidencial que merece cuidado. Uma conversa aparentemente banal pode revelar ou confirmar algo que alguém já sabia. Assim, antes de falar sobre assuntos da empresa em ambientes públicos, se pergunte: 

“O que alguém poderia fazer com essa informação?”

Quem está ao seu lado não precisa entender toda a conversa. Às vezes, uma única informação é o que faltava para completar o quadro.

Informação corporativa nas redes sociais

Uma fotografia aparentemente inocente pode revelar o crachá, tela do laptop, quadro de reuniões, planta, localização, fornecedor, rotina do executivo, sistema utilizado ou detalhes de uma instalação. Quantas vezes percebemos, em fotos utilizadas nas próprias apresentações da empresa, que um empregado está sem o EPI necessário para aquele local ou situação? A fotografia foi feita para mostrar uma coisa e acabou revelando outra.

E mais... com o aumento da qualidade das imagens, até detalhes que normalmente passariam despercebidos podem se tornar informação: reflexos em superfícies, documentos ao fundo, códigos, identificações e, em determinadas condições, detalhes biométricos e outras características que, dependendo da resolução, distância e condições da imagem, podem comprometer a sua segurança e da Empresa.

Na Segurança, existe um princípio simples, mas fundamental para a proteção da informação:

Need-to-know (Necessidade de conhecer)

E não tem a ver com “a pessoa ser confiável ou não”, mas com uma pergunta muito mais simples: 

Essa pessoa precisa dessa informação?

Apuradores praticam isto o tempo todo, ou deveriam. Dentro da própria equipe de Segurança, nem todos possuem as informações de uma apuração. E esta compartimentação é necessária.

Apurações exigem compartimentação

Em uma apuração, compartilhar informação indiscriminadamente pode alertar o investigado, contaminar depoimentos, influenciar testemunhas, permitir destruição de evidências e prejudicar a reputação de pessoas que talvez nem tenham cometido irregularidade (Leia mais no post Retrabalho: Como Integrar informações e evidências).

Não precisamos estar diante de um grande caso, de informações estratégicas ou de documentos classificados para aplicar o need-to-know. Ele aparece em situações muito mais simples: no lugar onde conversamos, naquilo que deixamos visível, no que publicamos, no que compartilhamos e até na quantidade de informação que decidimos revelar. Pequenos cuidados podem impedir que informações aparentemente desconectadas sejam reunidas e transformadas em algo muito mais valioso.

Confidencial não significa secreto

Nem toda informação precisa ser secreta. O comportamento muda conforme a classificação. Um modelo seria:

Pública: Site, vagas, comunicados e relatórios públicos.

Interna: Procedimentos, comunicados internos, agendas e ramais.

Confidencial: Contratos, dados de empregados, relatórios de apuração e informações financeiras.

Restrita: Informações críticas de apurações, credenciais de acesso, planos de proteção e vulnerabilidades de Segurança.

Lembre-se: Mesmo uma informação pública ou aparentemente inocente pode ganhar valor quando combinada com outras.

Segurança da informação também é postura

Antes de falar, enviar ou mostrar uma informação, pense:

Essa pessoa precisa saber? 
Por que precisa saber?
Este é o lugar apropriado para esta conversa?
Este é o canal adequado?
Preciso dizer tudo?
O que aconteceria se essa informação chegasse à pessoa errada?

Por exemplo, um gerente pode ter posição hierárquica elevada e ser absolutamente confiável. Isso não significa que precise conhecer quem está sendo investigado, quais evidências já foram encontradas ou quem será entrevistado amanhã

Hierarquia não substitui necessidade de conhecer

No final, proteger informação não depende apenas de tecnologia, classificação ou sistemas de acesso. Depende também de comportamento. Antes de falar, compartilhar, publicar ou mostrar alguma coisa, talvez baste lembrar de três perguntas:

O quê? Para quem? Onde?

Como naquela conversa no elevador, onde nós mesmos acabamos entregando a informação de mão beijada. A informação simplesmente chegou a quem não precisava conhecê-la. 

Proteger informação não é apenas impedir que alguém a roube. É saber quando, onde, como e com quem ela pode ser compartilhada

Fontes:



Abraço


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Hiperconectividade: Segurança Conectada ao Negócio

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”

Peter Drucker

Antes, câmeras gravavam, alarmes disparavam, o crachá abria a porta e os cadeados apenas trancavam. Veremos aqui que tudo isto evoluiu, e muito!

Agora, sistemas começam a identificar padrões, cruzar eventos e apoiar decisões. O diferencial deixa de ser quantidade de equipamento e passa a ser inteligência aplicada. Isso já aparece em setores como varejo e mineração. Sensores, IA e softwares corporativos trabalhando juntos. Quanto mais conectamos, maior a superfície de ataque.

Proteger patrimônio, controlar acessos, prevenir perdas e garantir a segurança das instalações continuam sendo funções fundamentais. O que mudou foi o ambiente ao redor delas. É aí que entramos na Segurança Empresarial. Até agora, cada recurso cumpria sua função, muitas vezes de forma isolada. Até começarem a conversar entre si. 

E aí vamos além da Internet das Coisas!

A transformação digital não chegou apenas aos escritórios, processos administrativos ou linhas de produção. Ela também mudou profundamente a Segurança Patrimonial e Empresarial.

Cadeados Bluetooth determinam quem pode abrir, quando e por quanto tempo. Câmeras analisam imagens. Sensores identificam alterações no ambiente e acionam câmeras automaticamente. Credenciais no celular. Drones fazem rondas e podem verificar uma ocorrência a quilômetros do Centro de Controle. E todas essas informações podem chegar praticamente em tempo real a um mesmo lugar, automaticamente. E tudo se conversando!

A câmera deixa de ser apenas da Segurança, o crachá deixa de ser apenas do Controle de Acesso e o sensor deixa de pertencer apenas à Operação. A informação passa a servir ao negócio.

Talvez uma das mudanças mais visíveis esteja no CFTV. Durante décadas acumulamos câmeras e mais câmeras. O resultado? Salas de controle com operadores diante de dezenas de telas tentando identificar, entre milhares de imagens, aquilo que realmente importa. Mas as Análises de Vídeo e a Inteligência Artificial inverteram essa lógica.

Talvez a maneira mais simples de entender a hiperconectividade seja acompanhar um empregado durante um dia normal de trabalho.

Já na entrada do estacionamento, a placa do veículo do empregado é identificada. Seu crachá ou credencial móvel libera o acesso, já que ele está ativo no sistema de RH e autorizado para aquela unidade, naquela escala e naquele horário. Ao descer do veículo, sistemas de reconhecimento facial podem confirmar sua identidade e cruzá-la com outras informações corporativas. Um ASO ou treinamento vencido, uma restrição de acesso ou outra pendência previamente cadastrada pode gerar um alerta. O Centro de Controle é informado e passa a monitorar a situação.

O empregado embarca no ônibus da empresa, que também teve sua placa e acesso validados, assim como suas licenças e validações da área de Safety. A documentação do motorista também foi verificada automaticamente. Neste momento, o sistema de câmeras verifica se o empregado tem acesso permitido à empresa; caso contrário, nem mesmo o embarque será autorizado. Em um visor no painel, o motorista é informado se está tudo ok. O sistema de câmeras internas poderia até identificar a poltrona que o empregado ocupa e, integrado ao histórico de treinamento, direcionar procedimentos ou orientações específicas de segurança da Empresa, na tela à frente do assento. Ah, seu ponto foi registrado e sua jornada de trabalho se inicia formalmente.

O Sistema de Telemetria instalado no ônibus acompanha velocidade, localização, frenagens e condução, e as câmeras detectam sinais de distração ou fadiga do motorista, assim como determinadas anomalias ou ocorrências durante o deslocamento. Saída, chegada e percursos são monitorados e acompanhados de perto pelo Centro de Controle.

No restaurante, seu acesso ao café da manhã e às demais refeições é registrado no sistema, tudo por reconhecimento facial. Os dados são enviados à Infraestrutura, para controle de quantidades e programação mais detalhada das refeições.

O empregado, antes de iniciar sua escala, participa do Treinamento mais direcionado, em uma Sala com os demais. Seu acesso e tempo de participação são registrados e os dados enviados ao RH, apoiando o controle e a evidência de participação no treinamento.

Chegando na área operacional, uma câmera identifica se ele possui autorização de acesso àquela área e se está utilizando EPI. E mais, se até mesmo ele não deve usar determinado EPI! Sim, porque em determinados locais, não se pode utilizar capacete, sob o risco de queda do equipamento dentro da linha de produção.

A câmera monitora a movimentação e desvios laterais milimétricos da esteira, acúmulo de material ou até objetos estranhos à produção. Desta forma, o empregado passa a direcionar seus esforços para as demais atividades de interesse do negócio.

Um caminhão chega para acessar a área. A placa é registrada, o acesso autorizado, o veículo passa pela balança e segue para carregamento. Horários, peso, imagens e movimentação são registrados e enviados às áreas de controle de produção. Aqui surgem também o apoio aos pontos de auditoria e apurações de fraude.

Em outro local, simultaneamente, uma câmera identifica fumaça ou elevação da temperatura em uma área onde normalmente ela não deveria existir. No Data Center, por exemplo. O Centro de Controle, TI e áreas de apoio são acionadas.

A Equipe de resposta, tanto de Vigilância, Emergência ou até da Operação, equipadas com câmeras corporais, deslocam-se até o local. Dependendo da tecnologia, o Centro de Controle pode acompanhar as imagens ao vivo. O equipamento possui botão de pânico e determina a geolocalização da equipe em tempo real.

No final do dia, o empregado segue para seu alojamento. O sistema identifica se ele possui acesso àquele bloco e a outras áreas de convivência. Uma tentativa de acesso incompatível com seu perfil pode gerar uma exceção para verificação. E você pode tratar isto imediatamente (Acionando a Ronda) ou de maneira administrativa (Posteriormente com os Gestores), através do relatório detalhado gerado pelo sistema.

Este foi um exemplo simples de rotina. Imaginem estas ferramentas à disposição da sua Equipe ou da Operação? E ainda, como a criatividade da sua Equipe, dos demais empregados, poderá potencializar estas oportunidades e encontrar novas aplicações (PDCA)?

E talvez o mais interessante seja que boa parte dessa infraestrutura já existia. A câmera já estava instalada. O empregado já utilizava um crachá. O RH já possuía sua informação funcional. A empresa já tinha sensores, alarmes e sistemas operacionais. O salto não aconteceu necessariamente porque compramos mais equipamentos. Aconteceu quando começamos a conectar informações que antes trabalhavam isoladamente.

E isso não significa necessariamente construir imediatamente um gigantesco Centro de Operações cheio de Inteligência Artificial. Pode começar de maneira muito mais simples. Interações podem ser feitas já nos níveis mais básicos, como, por exemplo, desativar automaticamente as credenciais (crachá, sistemas, e-mail, etc.) por conta do desligamento do empregado.

De acordo com o risco e a necessidade operacional, sistemas também podem permitir o acompanhamento da localização de empregados em determinadas atividades ou de executivos durante deslocamentos e viagens.

Hiperconectividade não significa necessariamente ter mais tecnologia, mas talvez fazer a tecnologia que já temos trabalhar em conjunto.

E não se intimide pelo desafio ou limitações de budget. É bem mais em conta do que você imagina. Ano passado visitei a ISC/2025 e surpreendeu tanto as tecnologias simples e inovadoras quanto os investimentos e retornos relacionados.

E a Gestão de Crise?

Em uma emergência, você sabe quantas pessoas ainda estão dentro da Empresa e onde elas foram vistas pela última vez? Consegue determinar quantas centenas de pessoas estão em uma Indústria ou Mina, ou em uma área específica, para serem evacuadas? Em apenas alguns segundos? 

Pois é, um controle de acesso hiperconectado pode fornecer, em poucos segundos, uma estimativa muito mais precisa de quem está na Empresa e, quando existem controles por zonas, em quais áreas essas pessoas foram registradas. Sensores e sistemas de ocupação ajudam a indicar quais áreas estavam sendo utilizadas. Câmeras permitem verificar determinadas rotas e identificar possíveis bloqueios. Drones podem fornecer visão aérea da ocorrência e ajudar a avaliar acessos ou regiões onde o envio imediato de pessoas não seja recomendável. O Centro de Controle passa a reunir essas informações para apoiar quem está coordenando a resposta. E mais, otimizar esforços!

E os drones?

Deixaram de ser simplesmente uma câmera pilotada remotamente. Em determinadas aplicações, pode cumprir missões programadas ou acionadas automaticamente, sair de sua estação, executar uma rota, coletar imagens e dados e retornar à base.

- Pode fazer uma ronda de perímetro e verificar um alarme antes de enviarmos um Vigilante;
- Usar câmeras convencionais e térmicas para procurar pessoas, animais, fumaça ou anomalias de temperatura;
- Chegar primeiro onde talvez ainda não seja seguro enviar alguém, como áreas alagadas, taludes, estruturas danificadas e locais com possíveis vazamentos;
- Na operação, pode percorrer longas distâncias e verificar a situação de correias transportadoras, ferrovias, pipelines e linhas de transmissão;
- Apoiar inspeções em altura, na verificação das condições de segurança e utilização dos EPIs;
- Calcular volumes de estoques;
- Acompanhar a evolução de obras e CAPEX;
- Em emergências, verificar estradas e pontes, identificar acessos bloqueados e oferecer ao Centro de Controle uma visão aérea da evacuação.

O drone deixa de ser apenas os olhos do piloto e passa a ser um sensor móvel conectado ao negócio. Naturalmente, cada aplicação deve observar os requisitos operacionais e regulatórios aplicáveis ao uso de drones.

E vale lembrar que Biometria, reconhecimento facial, rastreamento e cruzamento de informações exigem forte governança, finalidade, proporcionalidade, segurança da informação e atenção à privacidade/LGPD.

Tecnologias não eliminam pessoas. Elas mudam o que esperamos delas. Menos observação passiva, mais análise, decisão e resposta. Não é trabalhar mais; é trabalhar melhor!

Em resumo, a hiperconectividade foi só o primeiro passo. O verdadeiro diferencial está em transformar dados em decisões que realmente reduzam riscos e apoiem a Alta Direção e alavanquem o negócio.

Referências:

Checklist - Protection of Assets / POA

NIST

ANPD/LGPD

ANAC (RBAC-E 94)

Abraço


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