“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”
Peter Drucker
Antes, câmeras gravavam, alarmes disparavam, o crachá abria a porta e os cadeados apenas trancavam. Veremos aqui que tudo isto evoluiu, e muito!
Agora, sistemas começam a identificar padrões, cruzar eventos e apoiar decisões. O diferencial deixa de ser quantidade de equipamento e passa a ser inteligência aplicada. Isso já aparece em setores como varejo e mineração. Sensores, IA e softwares corporativos trabalhando juntos. Quanto mais conectamos, maior a superfície de ataque.
E aí vamos além da Internet das Coisas!
A transformação digital não chegou apenas aos escritórios, processos administrativos ou linhas de produção. Ela também mudou profundamente a Segurança Patrimonial e Empresarial.
Cadeados Bluetooth determinam quem pode abrir, quando e por quanto tempo. Câmeras analisam imagens. Sensores identificam alterações no ambiente e acionam câmeras automaticamente. Credenciais no celular. Drones fazem rondas e podem verificar uma ocorrência a quilômetros do Centro de Controle. E todas essas informações podem chegar praticamente em tempo real a um mesmo lugar, automaticamente. E tudo se conversando!
A câmera deixa de ser apenas da Segurança, o crachá deixa de ser apenas do Controle de Acesso e o sensor deixa de pertencer apenas à Operação. A informação passa a servir ao negócio.
Talvez uma das mudanças mais visíveis esteja no CFTV. Durante décadas acumulamos câmeras e mais câmeras. O resultado? Salas de controle com operadores diante de dezenas de telas tentando identificar, entre milhares de imagens, aquilo que realmente importa. Mas as Análises de Vídeo e a Inteligência Artificial inverteram essa lógica.
Talvez a maneira mais simples de entender a hiperconectividade seja acompanhar um empregado durante um dia normal de trabalho.
Já na entrada do estacionamento, a placa do veículo do empregado é identificada. Seu crachá ou credencial móvel libera o acesso, já que ele está ativo no sistema de RH e autorizado para aquela unidade, naquela escala e naquele horário. Ao descer do veículo, sistemas de reconhecimento facial podem confirmar sua identidade e cruzá-la com outras informações corporativas. Um ASO ou treinamento vencido, uma restrição de acesso ou outra pendência previamente cadastrada pode gerar um alerta. O Centro de Controle é informado e passa a monitorar a situação.
O empregado embarca no ônibus da empresa, que também teve sua placa e acesso validados, assim como suas licenças e validações da área de Safety. A documentação do motorista também foi verificada automaticamente. Neste momento, o sistema de câmeras verifica se o empregado tem acesso permitido à empresa; caso contrário, nem mesmo o embarque será autorizado. Em um visor no painel, o motorista é informado se está tudo ok. O sistema de câmeras internas poderia até identificar a poltrona que o empregado ocupa e, integrado ao histórico de treinamento, direcionar procedimentos ou orientações específicas de segurança da Empresa, na tela à frente do assento. Ah, seu ponto foi registrado e sua jornada de trabalho se inicia formalmente.
O Sistema de Telemetria instalado no ônibus acompanha velocidade, localização, frenagens e condução, e as câmeras detectam sinais de distração ou fadiga do motorista, assim como determinadas anomalias ou ocorrências durante o deslocamento. Saída, chegada e percursos são monitorados e acompanhados de perto pelo Centro de Controle.
No restaurante, seu acesso ao café da manhã e às demais refeições é registrado no sistema, tudo por reconhecimento facial. Os dados são enviados à Infraestrutura, para controle de quantidades e programação mais detalhada das refeições.
O empregado, antes de iniciar sua escala, participa do Treinamento mais direcionado, em uma Sala com os demais. Seu acesso e tempo de participação são registrados e os dados enviados ao RH, apoiando o controle e a evidência de participação no treinamento.
Chegando na área operacional, uma câmera identifica se ele possui autorização de acesso àquela área e se está utilizando EPI. E mais, se até mesmo ele não deve usar determinado EPI! Sim, porque em determinados locais, não se pode utilizar capacete, sob o risco de queda do equipamento dentro da linha de produção.
A câmera monitora a movimentação e desvios laterais milimétricos da esteira, acúmulo de material ou até objetos estranhos à produção. Desta forma, o empregado passa a direcionar seus esforços para as demais atividades de interesse do negócio.
Um caminhão chega para acessar a área. A placa é registrada, o acesso autorizado, o veículo passa pela balança e segue para carregamento. Horários, peso, imagens e movimentação são registrados e enviados às áreas de controle de produção. Aqui surgem também o apoio aos pontos de auditoria e apurações de fraude.
Em outro local, simultaneamente, uma câmera identifica fumaça ou elevação da temperatura em uma área onde normalmente ela não deveria existir. No Data Center, por exemplo. O Centro de Controle, TI e áreas de apoio são acionadas.
A Equipe de resposta, tanto de Vigilância, Emergência ou até da Operação, equipadas com câmeras corporais, deslocam-se até o local. Dependendo da tecnologia, o Centro de Controle pode acompanhar as imagens ao vivo. O equipamento possui botão de pânico e determina a geolocalização da equipe em tempo real.
No final do dia, o empregado segue para seu alojamento. O sistema identifica se ele possui acesso àquele bloco e a outras áreas de convivência. Uma tentativa de acesso incompatível com seu perfil pode gerar uma exceção para verificação. E você pode tratar isto imediatamente (Acionando a Ronda) ou de maneira administrativa (Posteriormente com os Gestores), através do relatório detalhado gerado pelo sistema.
Este foi um exemplo simples de rotina. Imaginem estas ferramentas à disposição da sua Equipe ou da Operação? E ainda, como a criatividade da sua Equipe, dos demais empregados, poderá potencializar estas oportunidades e encontrar novas aplicações (PDCA)?
E talvez o mais interessante seja que boa parte dessa infraestrutura já existia. A câmera já estava instalada. O empregado já utilizava um crachá. O RH já possuía sua informação funcional. A empresa já tinha sensores, alarmes e sistemas operacionais. O salto não aconteceu necessariamente porque compramos mais equipamentos. Aconteceu quando começamos a conectar informações que antes trabalhavam isoladamente.
E isso não significa necessariamente construir imediatamente um gigantesco Centro de Operações cheio de Inteligência Artificial. Pode começar de maneira muito mais simples. Interações podem ser feitas já nos níveis mais básicos, como, por exemplo, desativar automaticamente as credenciais (crachá, sistemas, e-mail, etc.) por conta do desligamento do empregado.
De acordo com o risco e a necessidade operacional, sistemas também podem permitir o acompanhamento da localização de empregados em determinadas atividades ou de executivos durante deslocamentos e viagens.
Hiperconectividade não significa necessariamente ter mais tecnologia, mas talvez fazer a tecnologia que já temos trabalhar em conjunto.
E não se intimide pelo desafio ou limitações de budget. É bem mais em conta do que você imagina. Ano passado visitei a ISC/2025 e surpreendeu tanto as tecnologias simples e inovadoras quanto os investimentos e retornos relacionados.
E a Gestão de Crise?
Em uma emergência, você sabe quantas pessoas ainda estão dentro da Empresa e onde elas foram vistas pela última vez? Consegue determinar quantas centenas de pessoas estão em uma Indústria ou Mina, ou em uma área específica, para serem evacuadas? Em apenas alguns segundos?
Pois é, um controle de acesso hiperconectado pode fornecer, em poucos segundos, uma estimativa muito mais precisa de quem está na Empresa e, quando existem controles por zonas, em quais áreas essas pessoas foram registradas. Sensores e sistemas de ocupação ajudam a indicar quais áreas estavam sendo utilizadas. Câmeras permitem verificar determinadas rotas e identificar possíveis bloqueios. Drones podem fornecer visão aérea da ocorrência e ajudar a avaliar acessos ou regiões onde o envio imediato de pessoas não seja recomendável. O Centro de Controle passa a reunir essas informações para apoiar quem está coordenando a resposta. E mais, otimizar esforços!
E os drones?
Deixaram de ser simplesmente uma câmera pilotada remotamente. Em determinadas aplicações, pode cumprir missões programadas ou acionadas automaticamente, sair de sua estação, executar uma rota, coletar imagens e dados e retornar à base.
- Pode fazer uma ronda de perímetro e verificar um alarme antes de enviarmos um Vigilante;- Usar câmeras convencionais e térmicas para procurar pessoas, animais, fumaça ou anomalias de temperatura;
- Chegar primeiro onde talvez ainda não seja seguro enviar alguém, como áreas alagadas, taludes, estruturas danificadas e locais com possíveis vazamentos;
- Na operação, pode percorrer longas distâncias e verificar a situação de correias transportadoras, ferrovias, pipelines e linhas de transmissão;
- Apoiar inspeções em altura, na verificação das condições de segurança e utilização dos EPIs;
- Calcular volumes de estoques;
- Acompanhar a evolução de obras e CAPEX;
- Em emergências, verificar estradas e pontes, identificar acessos bloqueados e oferecer ao Centro de Controle uma visão aérea da evacuação.
O drone deixa de ser apenas os olhos do piloto e passa a ser um sensor móvel conectado ao negócio. Naturalmente, cada aplicação deve observar os requisitos operacionais e regulatórios aplicáveis ao uso de drones.
E vale lembrar que Biometria, reconhecimento facial, rastreamento e cruzamento de informações exigem forte governança, finalidade, proporcionalidade, segurança da informação e atenção à privacidade/LGPD.
Tecnologias não eliminam pessoas. Elas mudam o que esperamos delas. Menos observação passiva, mais análise, decisão e resposta. Não é trabalhar mais; é trabalhar melhor!
Em resumo, a hiperconectividade foi só o primeiro passo. O verdadeiro diferencial está em transformar dados em decisões que realmente reduzam riscos e apoiem a Alta Direção e alavanquem o negócio.
Referências:
Checklist - Protection of Assets / POA
Abraço
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