Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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Filmes e Séries sobre Liderança!

“Um líder é aquele que conhece o caminho, percorre o caminho e mostra o caminho”

John C. Maxwell

A palavra conduz, o exemplo arrasta. O Líder é o último a avançar na linha de servir (No rancho). Super CoCo (Supervisiona, Coordena e Comanda)... e assim são as Frases de quartel. 😂

E o LinkedIn também entra na esteira, mas olha, eu tinha minhas ressalvas sobre estes conteúdos, até prestar mais atenção nos cortes do Alexandre Cury. Aí comecei a utilizar a IA como mentora, e com as perguntas certas realmente consegui melhorar um pouco.

Aprender sobre Liderança não significa necessariamente sentar numa sala de aula. Temos diversas ferramentas, e combinadas, potencializam a assimilação, porque na minha visão, Liderança tem mais a ver com integridade, atitude, fazer o que fala, praticar o que aprende e, quando ninguém está olhando, fazer o que é correto.

Algo que sempre curto nestas tramas é quando o bicho pega e precisam se aliar aos inimigos, ou nas situações de extrema inteligência emocional, tipo Game of Thrones. É aí que realmente o calo aperta. Ted Lasso talvez seja o exemplo mais óbvio desta lista, porém Liderança também aparece em Band of Brothers, quando alguém precisa tomar decisões sob pressão; em Chernobyl, quando assumir responsabilidade tem consequências enormes; em Succession, mostrando praticamente tudo aquilo que você não gostaria de encontrar numa organização; e até em The Office, onde o "Chefe" consegue ser, ao mesmo tempo, um desastre e uma aula ambulante sobre pessoas. 😂

E como sempre faço por aqui, não vou bancar o crítico de cinema. Minha avaliação é simples: gostei, não gostei, valeu a pena ou perdi algumas horas da minha vida.

Então, vamos à lista...

Ted Lasso (2020–?): Excelente! Esta série, que mais parece uma novela caricata, vai te fazer rir e chorar. Cheia de conflitos emocionais, é um prato cheio pra quem quer ser um Líder ou uma pessoa melhor. E esta temporada sobre futebol feminino, não se engane, esá excelente! Conseguiram, até agora, abordar ângulos de uma maneira bem interessante.

Suits (2011–2019): Excelente! Liderança vai ao extremo.

Wall Street (1987): Bom! E como a década de 80 foi boa.

Invictus (2009): Excelente. E com o ingrediente que visitei Pretória e onde rodaram as cenas na Presidência.

Band of Brothers (2001): Excepcional! Se você foi militar, não pode perder. 10 episódios + um bônus com depoimentos.

Chernobyl (2019): Excelente! São 05 episódios que você com certeza vai maratonar. Montagem perfeita entre ação, drama e conhecimento.

The Office (2005–2013): Excelente! Mas tem que entender o tipo de comédia e cada personagem. Entendo que são necessários uns 5 ou 6 episódios para isto. É tipo Seinfeld (1989–1998), só que no Escritório.

Succession (2018–2023): Excelente! Só o poder importa. Complicada pra caramba. Mundo selvagem dos negócios e trairagem pra todo lado. Vale também para entender e perceber como uma rede de TV pode escolher o candidato ou ditar as regras do país.

Mad Men (2007–2015): Excelente! O clima dos anos 60 Americano, as roupas, mulheres e todo o ambiente político da época, retratados de maneira impecável. Saudosismo é pouco. O personagem principal incorpora uma espécie vintage sexual de Steve Jobs. Explosivo!

Game of Thrones (2011 - 2019): Excelente. O final decepciona na 1ª vez, mas quando assisti pela 2ª vez, entendi que era necessário.

Ozark (2017-2022): Excelente! Em geral a história é simples, mas mexe com sua cabeça e, por vezes, surpreende demais!

Dead Poets Society (1989): Muito bom! Drama meio paradão mas com o apelo muito forte sobre como devemos seguir nossas vocações.

Remember the Titans (2000): Bom! Motivação na veia! E como eu gosto de filme assim!

The Big Short (2015): Muito bom! Bem feito e complicado, mas vale a pena. É sobre a explosão da bolha imobiliária nos USA.

Apollo 13 (1995): Bom! Os caras reproduziram, na Terra, as condições da nave para entender como resolver o problema.

Moneyball (2011): Bom! Gosto de filmes de esportes, superações e sonhos incríveis realizados.

Coach Carter (2005): Bom! É tipo o Remember the Titans (2000) com o Denzel Washington, só que este é de Basquete, e com o Samuel L. Jackson.

Darkest Hour (2017): Muito bom! Se você assistiu Dunkirk (2017) vai entender melhor a dificuldade que foi aquela evacuação e sua importância na WWII. E se não assistiu... assista depois deste que será melhor. E o Gary Oldman... impecável.

Sully (2016): Bom! É sobre um acidente aéreo com final feliz. Emocionante, mas porque remete ao inverso que sofreram nossas vítimas da LaMia (Chapecoense).

House of Cards (2013–2018): Muito boa, mas ainda não terminei. E a saída do Kevin Spacey da série complicou a sequência.

Steve Jobs (2015): Legal. Basicamente as mesmas histórias do legalzinho Jobs (2013). Como conhecimento, prefiro o primeiro porque é mais profissional. Como filme, o segundo entretém mais. Ouvi o audiobook do livro que direcionou ambos, e posso garantir que vale a pena.

Margin Call (2011): Bom, mas muito técnico e voltado para o Mercado Financeiro. Elenco forte e com enredo ao gosto de Maquiavel, foi inspirado no ambiente da crise financeira de 2008, que teve no colapso do Lehman Brothers um de seus episódios mais emblemáticos.

The Bear (2022–?): Excelente! Os primeiros episódios são confusos, mas depois q vc entende os personagens fica viciante. História de um cotidiano simples, com atuações incríveis do elenco. E a trilha sonora...

Ford v Ferrari (2019): Mto bom! E vc percebe q sacanagens, como as que o Rubinho Barrichello foi envolvido, ocorrem há muito tempo nas corridas automobilísticas. 😡

Glory (1989): Mto bom! Elenco cheio de estrelas. O filme mostra a difícil e longa caminhada do povo negro americano rumo à Liberdade.

Glengarry Glen Ross (1992): Legalzinho. Muita conversa, mas se você gosta de vendas raiz ou negociação, vai curtir. Com atuações excelentes e um elenco de tirar o chapéu.

Air (2023): Bom! A história sobre como Michael Jordam revolucionou os negócios da Nike Basquete. Mas não pense que você já sabe como será o desenvolvimento do filme. Vai te surpreender. Disponível na Prime Video.

The Founder (2016): Bom filme, mas te leva do céu ao inferno... e não te resgata de lá. Conta como o Mc Donalds se tornou mundialmente famoso. Até hoje penso sobre isto.

The Last Castle (2001): Bom! Pra relembrar o excelente Robert Redford e James Gandolfini.

Any Given Sunday (1999): Bom! Filme de futebol Americano, liderança, trairagens, etc. 

Patton (1970): Chato. Nunca entendi porque é tão ovacionado.

The Wolf of Wall Street (2013): Bom! Entretenimento garantido.

The Devil Wears Prada (2006): Bom! Este é um passeio de liderança e entretenimento. Mas o 2º filme... horroroso.

Onde assistir:

Netflix

  • Suits (2011–2019)*
  • Invictus (2009)
  • Ozark (2017–2022)
  • Apollo 13 (1995)
  • House of Cards (2013–2018)

Amazon Prime Video

  • Suits (2011–2019)
  • The Office (2005–2013)
  • Mad Men (2007–2015)
  • Air (2023)
  • Margin Call (2011)

Apple TV

  • Ted Lasso (2020–?)

HBO Max

  • Invictus (2009)
  • Band of Brothers (2001)
  • Chernobyl (2019)
  • The Office (2005–2013)
  • Succession (2018–2023)
  • Game of Thrones (2011–2019)
  • Sully (2016)
  • Any Given Sunday (1999)

Disney+

  • Wall Street (1987)
  • Mad Men (2007–2015)
  • Dead Poets Society (1989)
  • Remember the Titans (2000)
  • The Bear (2022–?)
  • Ford v Ferrari (2019)
  • Patton (1970)
  • The Devil Wears Prada (2006)

Paramount+

  • The Big Short (2015)

Universal+

  • Suits (2011–2019)
  • The Office (2005–2013)

Lionsgate+

  • Mad Men (2007–2015)

Oldflix

  • Remember the Titans (2000)
  • Glengarry Glen Ross (1992)

Outras assinaturas / canais Amazon

  • Moneyball (2011) — Sony One
  • The Founder (2016) — Diamond Films
  • The Wolf of Wall Street (2013) — Diamond Films

Aluguel ou compra — Apple TV Store / Amazon Video

  • Invictus (2009)
  • Apollo 13 (1995)
  • Moneyball (2011)
  • Coach Carter (2005)
  • Darkest Hour (2017)
  • Sully (2016)
  • Steve Jobs (2015)
  • Glory (1989)
  • The Founder (2016)
  • The Last Castle (2001)
  • The Wolf of Wall Street (2013)

Abraço

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Os Primeiros 5 Dias de um Gestor de Segurança

 

"Não há nada tão inútil quanto fazer com eficiência aquilo que nem deveria ser feito"

Peter Drucker

Assumir uma nova posição em Segurança traz uma tentação: chegar identificando falhas, propondo mudanças e mostrando resultado rapidamente. Calma lá, Combatente. 😁

Antes de mudar, é preciso entender. Os primeiros dias devem servir para conhecer o negócio, ouvir as pessoas, percorrer a operação e entender onde realmente estão os ativos, riscos e processos críticos. E, quando seu chefe diz: "Calma, não esperamos que você resolva ou saiba tudo logo de cara"... aproveite e faça a lição de casa.

E o que um Gestor de Segurança deveria fazer nos seus primeiros cinco dias na Empresa? De novo... vai com calma!

Você já se perguntou qual é o SEU objetivo? Então...

"Ter uma visão preliminar clara dos principais riscos, ativos e processos críticos, além das ações imediatas e de 30 e 90 dias."

Olha aí... a partir disso, você está preparando o terreno pro seu desempenho durante o período de experiência. E, se a grama estiver alta, melhor ainda. Porém, não se engane: vale a pena "pagar com sangue" nos primeiros meses.

Grama alta, sangue... que doideira! Explico:

Se a Segurança não estiver bem, é seu momento de acertar a casa. É uma enorme oportunidade de mostrar resultado e Governança. E não precisa ser gênio. É apenas fazer o básico, sem reinventar a roda.

Só que, pra isso, terá que ralar. Visitar posto por posto, ler procedimento por procedimento, contratos, realizar ronda com a Equipe às 3h da manhã... e assim vai. Em pouco tempo, você começará a enxergar conexões entre processos que, muitas vezes, cada área vê apenas pela própria perspectiva. E nem vou falar do respeito que a Equipe ou os demais empregados da Empresa terão por você. Porque, é claro, ninguém fez essas coisas. Só você mesmo ou quem lê meus artigos e aplica minhas sugestões.

O resultado você perceberá rapidamente. Quando for questionado pela Diretoria ou por outros Gestores, a resposta sairá naturalmente, pois você viveu aquilo. É aí que acontece a mágica. E passei por isso várias vezes: em determinado momento da conversa, quem está questionando acaba escorregando e você, sem pretensão ou soberba, demonstra que domina o assunto. Mas cuidado. Lembre-se de que você é o novato e, em certas situações, terá que se fazer de desentendido.

Para a semana inicial, basicamente, faça perguntas de entendimento, não de fiscalização. Nada de discurso de mudança. 

Base: "Quero entender como vocês trabalham e conhecer a operação."

De qualquer forma, vamos lá pra nossa tão esperada sequência:

Dia 1: Sua missão é entender

- Entender o negócio. E isso não será fácil. Pelo menos nunca é para mim. Por isso, busco falar com as mais diversas fontes. O famoso dois ouvidos e uma boca. Não é o momento de você brilhar, falar de você ou da empresa anterior. Sei que é difícil. Evite. Controle-se. Absorva o máximo que puder e, se possível, tente fazer perguntas que realmente valham a pena. Construa confiança;

- Tenha uma conversa estruturada com seu chefe. Pergunte: por que ele te contratou? O que ele espera que você entregue? O que está complicando a vida dele? O que não deve ser feito sem alinhamento? Basicamente, coloque seus objetivos nos trilhos dele.

Dia 2: Buscar as áreas-chave

Aqui, seu objetivo é percorrer o processo de ponta a ponta. Seguir o fluxo de valor, com olhar de Segurança. Para isso, é claro que você tem que conversar com os Gerentes da Empresa. Nem sempre será possível seguir a sequência das reuniões que você desenhou na cabeça, porém tenha em mente algumas prioridades:

- Responsável pela Operação, Planta ou Processamento;
- Segurança do Trabalho;
- Logística e Suprimentos;
- RH;
- Administração/Infra.

Bônus: fale com os técnicos mais experientes de cada uma dessas áreas. Eles têm prazer em ajudar. Peça indicação a cada Gestor; eles adorarão se livrar de você. 😂

E não se esqueça de entender: o que entra? O que sai? Onde está o ativo de maior valor? Onde há mais exposição? E o que pode parar o negócio?

Só que veja bem... nada de questionário. Uma small talk no começo pra quebrar o gelo (5 min) e cada pergunta encaixada durante a conversa. Em todo caso, provavelmente tudo isso será fornecido espontaneamente pelo próprio Gestor.

No final do dia, você terá que responder à questão:

"Em que ponto o material passa a ter valor que justifica um nível de proteção maior?"

Dia 3: Perguntas-chave às Lideranças

Agora você já conhece um pouco o fluxo. É hora de entender como as Lideranças enxergam a Segurança. E aqui sugiro que você tenha algumas perguntas padrão, que deverão ser feitas aos Gestores.

Dica: trabalhe antes sua inteligência emocional, resiliência e poker face, porque pode vir pedrada:

- O que a Segurança faz bem hoje?
- Onde mais te atrapalha/preocupa?
- Quais são os três pontos mais críticos da operação hoje?
- Se eu pudesse resolver só uma coisa pra sua área nos próximos 90 dias, qual seria?

Interessante... você consegue responder às mesmas questões sobre a própria Segurança? Então... reflita antes de sair por aí atirando.

Tudo isso parece complicado, e é. Porque terá o RH atrás de você querendo documentação, TI para entregar equipamento, etc.

O que pode te ajudar, e muito, é fazer esse tour pela Empresa com alguém que conheça bem o processo. Aí você se dá bem. Mas isso é raro, já que esse tipo de profissional nem sempre tem tempo à sua disposição.

Dia 4: Sua Equipe

Só conhecer a Equipe no 4º dia???

Sim. A não ser que você seja pego no fogo cruzado e caia de boca na missão, o que geralmente acontece. Aí, você terá que encaixar tudo isso lá pra cima. Mas tenha ciência de que não terá o mesmo efeito. Quando você já chega conhecendo o processo, e tão rápido, o impacto é enorme.

Para o time, divida em 3 temas:

Pessoas: efetivo, escalas, contratos, qualificações. (Sim, CV de cada integrante. Sem preguiça);

- Procedimentos: quais existem, como funcionam, como estão escritos e o que realmente se aplica;

- Sistemas: tecnologias existentes, centro de controle, integrações, limitações etc.

Dia 5: Olhar pra fora

Comunidades, logística, rotas, capacidade de resposta. E aqui é onde você começa a preparar o médio/longo prazo, Gestão de Crises e afins:

- Autoridades e suporte disponível. Qual é o tempo real de resposta?
- Qual é a capacidade de apoio?
- Quais são as principais ameaças externas?
- Qual é o cenário externo que, se acontecer amanhã, pode parar a operação por 24, 48 ou 72 horas?
- Se algo acontecer nesse primeiro mês, quem responde? Em quanto tempo? Tem plano de contingência básico?

... e você achou que Relações Institucionais eram só pró-forma ou burocracia?! 😁

Ao final de cada dia: Consolidar

Anote. E muito.

E, se forem pontos demais, concentre-se no que saltar aos olhos ou for prioridade, principalmente para seu Gestor ou para a Alta Gestão:

- Faça um mapa preliminar de riscos. Priorize ações imediatas, de 30 dias e de 90 dias;
- Estabeleça dois ou três indicadores básicos, provisórios, para começar a medir.

No final dos cinco dias, você deverá ter uma primeira versão alinhada do plano 0–90 dias e uma mensagem clara à liderança:

"Entendi a operação, percorri o fluxo, avaliei controles de forma preliminar e identifiquei estes riscos prioritários. Aqui estão as ações imediatas e o plano de 30 e 90 dias."

Alerta! Alinhe tudo isso com seu Gestor antes de executar e apresente um plano mestre que atingirá os principais pontos levantados nesses cinco dias.

Próximos passos...

Em 3 meses você deve entregar:

- Diagnóstico consolidado;
- Vulnerabilidades críticas corrigidas;
- Procedimentos implementados;
- Equipe treinada;
- Indicadores estabelecidos.

E em 6 meses:

- Elevar a maturidade;
- Estabelecer uma governança clara;
- Integrar a Segurança com as demais áreas;
- Ter planos testados.

E não se esqueça: esses cinco dias serão incríveis, mas você terá que acertar o curso de várias coisas durante o desenvolvimento das ações. PDCA! 😉

Abraço

Referências:

ASIS – Enterprise Security Risk Management Guideline

ISO 31000:2018 – Risk Management

ASIS – Physical Asset Protection Standard


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Do Projeto à Operação: E a Segurança?

A única constante é a mudança

Heráclito

Projeto chegando ao fim e a Operação vai começar. A primeira reação da Segurança pode ser manter estruturas, controles, contratos e recursos que funcionaram até aqui. Mas será que a Segurança que protegeu o Projeto é a mesma que o negócio precisará amanhã? O Budget será o mesmo? O CAPEX? As condições para obtenção e aplicação dos recursos terão a mesma dinâmica? Perguntas complicadas, certo? E como adequar tudo isso à realidade de que baixo orçamento não significa baixa Segurança?

Projeto e Operação possuem riscos, ativos, pessoas e prioridades diferentes. A Segurança precisa proteger o presente sem construir uma estrutura que já nasça inadequada para o futuro. 

Dica: Para novas estruturas, processos ou equipamentos, pense no médio e longo prazo. Incrementar algo que não suporta o futuro é bem mais complicado. Imagine a Hiperconectividade, ou aquele Centro de Controle projetado para 100 câmeras, mas que, em dois anos, precisará suportar 500, ou até 1.000 em cinco anos. Ou aquele controle de acesso, etc. É nesse momento que uma pergunta se torna fundamental:

O que termina, o que muda e o que permanece?

Projeto acabando × Operação começando

Não se engane. São ambientes diferentes. Isto me lembra quando ocorreu a troca de comando no 2º BPE, lá em 93/94. Um dos Oficiais disse: "Moscone, vai mudar tudo!". Não acreditei. Como pode um Quartel, todo padronizado, sofrer mudanças significativas? Pois é, mudou. E muito. Horários, rotinas, metodologia, metas, postura, prioridades, etc. Em UMA SEMANA eu estava em outro Exército, e bem melhor 😁

No final do Projeto, você pode ter muitos terceiros, obras, materiais, equipamentos, acessos temporários, mudanças constantes e elevada movimentação. Furto, controle de acesso, conflitos e movimentação de materiais podem ocupar boa parte da atenção da Segurança.

Quando começa a Operação, parte desse volume diminui, mas outros riscos ganham importância: processo produtivo, ativos críticos permanentes, produto acabado, logística, continuidade, informação, fraude, ameaça interna, etc. Portanto, seria um erro simplesmente transformar toda a Segurança do Projeto em Segurança da Operação. Só que, antes de atravessar essa ponte, precisamos fazer algumas perguntas:

Qual é o risco desta transição e qual é a linha vermelha que não pode ser cruzada?

O que pode entrar em Operação mesmo sem estar 100% pronto e o que hoje é provisório, mas deverá ser definitivo?

Onde estão as passagens de responsabilidade entre Projeto e Operação?

Se eu pudesse resolver apenas uma coisa para cada área nos próximos 90 dias, qual seria?

Qual cenário externo poderia parar a Operação por 24, 48 ou 72 horas?

Se alguma coisa acontecer nesse primeiro mês, quem responde, em quanto tempo e existe ao menos um plano básico de contingência?

Essas respostas começam a mostrar qual Segurança precisa terminar junto com o Projeto e qual precisa nascer junto à Operação.

A ponte

De um lado está a Segurança que o Projeto precisa hoje. Do outro, a Segurança que a Operação precisará amanhã. E as duas não são necessariamente iguais.

Os ativos começam a ser comissionados, a população muda, alguns acessos desaparecem e determinadas estruturas temporárias deixam de fazer sentido. O próprio perfil de risco altera, e isso também afeta a maneira de pensar os investimentos.

Do outro lado da ponte está a Operação. Agora falamos de produção, ativos críticos permanentes, produto, processos essenciais e continuidade do negócio. O efetivo tende a ser mais estável, os procedimentos precisam refletir a nova realidade e a tecnologia começa a fazer parte de uma arquitetura de Segurança mais definitiva.

E olha, tem cada pergunta interessante. Por exemplo: “Isto continuará existindo?”

E serve para muita coisa: vias no site, procedimentos, equipamentos, etc. E, se for continuar, talvez seja melhor investir agora em algo que também possa ser aproveitado pela futura Operação.

Eu resumiria em três pontos:

No Projeto: O que preciso proteger agora?
Na transição: O que vai mudar e o que continuará existindo?
Na Operação: O que pode parar o negócio?

Poucos recursos: priorizar capacidade, não quantidade

Aqui entramos no orçamento. Quem já viveu o Projeto e a Operação entende as mudanças radicais nos investimentos e centro de custo. Para aqueles que não conhecem, antes de perguntar “quantos vigilantes?”, “quantas câmeras?” ou “quanto temos de orçamento?”, você presisará entender:

Quais são os cinco cenários capazes de causar maior impacto ao negócio agora?

Quais deles continuarão existindo na Operação?

A partir daí, separar:

Risco somente do Projeto: Controle temporário
Risco da transição: Controle flexível
Risco permanente da Operação: Investimento pensando no futuro

Imagine um acesso temporário de obra que desaparecerá daqui a seis meses. Talvez não faça sentido instalar ali um sistema sofisticado. Mas, se aquele mesmo ponto será o acesso logístico definitivo da planta pelos próximos 15 anos, muda tudo.

O CAPEX de hoje na arquitetura de Segurança de amanhã

Aqui é onde a Segurança gera valor. Sendo eficaz, eficiente e sustentável! Porém é sempre bom relembrar os conceitos:

Eficácia: O controle reduz o risco?

Eficiência: Consegue fazer isso utilizando adequadamente dinheiro, pessoas, tecnologia e tempo?

Por exemplo, um posto com quatro vigilantes pode ser eficaz, porém talvez não seja eficiente. Uma câmera sem capacidade de detecção e resposta pode ser barata, mas talvez não seja eficaz.

É sustentável? Olha aí outra questão da Segurança moderna. Em ambientes críticos, no meu entendimento, isso é fundamental. Não adianta implementar uma melhoria frágil, que a empresa não consiga manter, repor ou sustentar por um período razoável. Um excelente controle que deixa de funcionar por falta de manutenção pode rapidamente deixar de ser um controle e se tornar uma enorme vulnerabilidade. E convenhamos, quase nunca é possível manter tudo isto devido às necessidades de sobrevivência financeira do negócio.

Receita de bolo: O controle funciona hoje, cabe no orçamento e continuará fazendo sentido quando a Operação estiver estabilizada? Se responder a essas três perguntas-chave, tem futuro 😂

Nem todo risco precisa ser eliminado

A Segurança, culturalmente, tem a mania de tentar resolver tudo ou pensar que pode evitar todos os riscos. Com recursos limitados, a Segurança não consegue, e nem deveria tentar, eliminar todos eles. Uma boa prática é identificar 30 vulnerabilidades e categorizá-las:

05 são críticas: Tratar agora
10 são importantes: Plano de transição
10 podem ser monitoradas: Aceitar temporariamente
05 desaparecerão com o fim do Projeto: Talvez não faça sentido investir

Bem mais executivo, certo? Apesar de você achar que ter uma lista de 30 problemas e 30 pedidos de investimento é sinônimo de um Gestor que controla o processo, levar essa lista ao Diretor não é interessante. E pior, pode parecer que você não entende o negócio ou não sabe estabelecer prioridades. A conversa deve passar a ser: “Estes cinco precisam de recursos agora. Estes conseguimos controlar operacionalmente. Estes podemos aceitar temporariamente. E nestes não recomendo investir porque desaparecerão com o Projeto”. Isso é Gestão de Risco, e não apenas Segurança Patrimonial.

Segurança não pode ser adversária do negócio

Na transição, é um risco a Segurança ficar tão preocupada em controlar que começa a criar dificuldade para produzir. Fique atento. Fila de caminhões, demora no acesso, burocracia para prestadores, autorizações excessivas, inspeções duplicadas... Quanto risco estou reduzindo e quanto atrito estou criando ao negócio?

Se consigo reduzir o mesmo risco com menos atrito, encontrei valor. Isso pode significar integrar cadastros, antecipar autorização de fornecedores, automatizar acessos, definir por risco quem realmente precisa de inspeção adicional ou concentrar pessoas justamente onde julgamento e capacidade de resposta agregam mais valor.

Antes de investir, faça a lição de casa

Para aprovar pessoas, processos ou equipamentos, eu faria cinco perguntas:

1. Qual risco estou tratando?
2. Qual consequência estou evitando?
3. Preciso disso agora?
4. Isso continuará sendo necessário na Operação?
5. Existe uma solução que resolva o presente e possa ser aproveitada no futuro?

E vou mais longe, pense nisto quando for defender seu orçamento. Por exemplo: Transformar CAPEX de Segurança em investimento com ciclo de vida e finalidade, e não em um amontoado de equipamentos (Drone, câmera, cadeado eletrônico, etc.).

Um olho no peixe, outro no gato

É ter atenção ao risco de hoje e à Operação de amanhã. No fim do Projeto, talvez uma das piores decisões seja não investir porque “o Projeto está acabando”. Mas outra decisão igualmente perigosa pode ser continuar investindo como se o Projeto nunca fosse acabar. O trabalho da Segurança está justamente no meio.

Gerar valor com poucos recursos não é fazer Segurança barata. É colocar o recurso certo, no risco certo, no momento certo, sem perder de vista o negócio que existirá amanhã.

Abraço

Referências:

ISO 31000:2018 – Risk Management — Guidelines

ISO – Risk Management: The Basics

CISA – Physical Security Performance Goals

NIST SP 800-37 Rev. 2



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