Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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Filmes e séries: Linguagem corporal — você sabe interpretar os sinais?

"O que você vê é tudo o que há"

Daniel Kahneman

A frase de Kahneman é legal, mas não se engane: a vida real é bem mais complicada.

Quem nunca ouviu que uma pessoa de braços cruzados está “fechada” para a conversa? Ou que alguém que evita contato visual provavelmente está escondendo alguma coisa?

Durante uma conversa ou entrevista, percebeu que a pessoa começou a mexer as pernas, levou a mão ao rosto, mudou de posição na cadeira ou desviou o olhar, justamente quando você fez aquela pergunta mais complicada. "Viu? mentindo!"

Calma aí, Jack Bauer. Braços cruzados podem significar resistência, mas também significar frio. Tem apurador que deixa a sala gelada pra gerar desconforto, e aí não quer que o entrevistado cruze os braços?! 😂 Assistir filmes não siginifica que você vai colocar tudo aquilo em prática, tenha bom senso.

Desviar o olhar pode acontecer diante de uma mentira, mas também por vergonha, ansiedade, medo, respeito, esforço para lembrar de alguma coisa ou até por características culturais. O Malawiano, por exemplo, sorri em situações estressantes ou de conflitos. Eles entendem (E realmente funciona muito bem) que isto facilita a resolução do conflito. Por isto o Malawi é chamado o coração da África. O complicado é um Europeu ou um Latino ententender isto no momento do calor da apuração. Já o Moçambicano tem uma postura diferente sob pressão, e assim vai. Até a colonização dos países, localização e cultura devem ser levadas em conta.

Séries e filmes popularizaram a ideia de que podemos “ler” uma pessoa observando alguns sinais. Mais ou menso o que o cinema fez com os Americanos, onde todos parecem possuir as habilidades do Rambo, FBI, SEALs, etc. 😂 

Em Lie to Me, uma microexpressão parece suficiente para revelar aquilo que alguém tenta esconder. Em The Mentalist, os pequenos comportamentos ou informações do ambiente possibilitam que o carismático protagonista praticamente entre na cabeça das pessoas. E quem gosta de Mindhunter certamente já prestou atenção nos silêncios, nas mudanças de postura e na maneira como os entrevistadores constroem a conversa.

Na Segurança, principalmente para quem trabalha com apurações e entrevistas, observar o comportamento pode trazer informações importantes. O problema começa quando transformamos uma observação em diagnóstico. Não existe um gesto universal que, sozinho, prove uma mentira. O comportamento precisa de contexto, comparação e investigação. E talvez essa seja a parte mais perigosa: quando acreditamos demais na nossa capacidade, podemos começar a procurar no comportamento da pessoa apenas aquilo que confirma o que já decidimos acreditar.

Uso a Linguagem corporal como ferramenta, e das boas, mas não como um detector de mentiras. De fato, prefico perguntas mais inteligentes e estratégicas, conectar os pontos, desenvolver a conversa, e aplicar o tempo certo para tudo isto durante uma entrevista. Montar o quebra-cabeça. Afinal, como diz o Dr. House: "Todo mundo mente". A linguagem corporal entra para ajudar, mas não é a 1ª linha de ação.

Dica: Não se deixe envolver totalmente pela licença poética da película ou emoção do enredo. Aproveite, mas mantenha o foco naquilo que realmente pode funcionar na vida real e dentro das suas habilidades que poderão ser treinadas.

De qualquer forma, aprender se divertindo é sempre interessante. Então aqui vão algumas escolhas do cinema mundial:

Lie to Me (2009–2011): Legal. Comecei, mas não acabei. Tenho que retomar.

The Mentalist (2008–2015): Excelente! Tanto pelo entretenimento quanto pelos insights que podemos tirar dela. Passa dicas de observações realmente boas. Só que um poquinho em a cada episódio.

Mindhunter (2017–2019): Bom! Só não é excelente porque a 2ª temporada foi fraca. Real e impressionante. Época onde este ramo da ciência ainda engatinhava no FBI.

House M.D. (2004–2012): Excelente. Já vimos completa 2 vezes.

24h (2001-2010): Excelente. Já assisti três vezes (192 episódios, mais os puxadinhos que vieram depois)! E nela o Jack Bauer faz de tudo! 

The Silence of the Lambs (1991): Excelente! Se você não assistiu, é um dos poucos no mundo 😂

Basic Instinct (1992): Excelente. O interrogatório com a Sharon Stone... impossível você não ter visto ao menos a cena da cruzada de pernas! 😆

A Few Good Men (1992)Excelente! Mais conhecido como "Questão de Honra" no Brasil. E o elenco? Show! E aquele truque durante o julgamento, para conseguir a confissão, já fiz parecido em uma entrevista... e funcionou!

The Usual Suspects (1995): Excelente! E com final surpreendente.

Under Suspicion (2000)Excelente! O filme evolui de uma conversa, para entrevista... e por fim interrogatório. Pura aula!

12 Angry Men (1957): Bom! Para observar comportamento, persuasão, pressão do grupo, vieses e mudança de opinião.

Primal Fear (1996): Legal. Minha avaliação IMDb foi 7, mas confesso que não lembro da história.

Onde assistir:

Netflix

  • Mindhunter (2017–2019)
  • Basic Instinct (1992)

Amazon Prime Video

  • The Silence of the Lambs (1991)
  • House M.D. (2004–2012)

HBO Max

  • A Few Good Men (1992)
  • House M.D. (2004–2012)

MGM+

  • 12 Angry Men (1957)
Disney+
  • House M.D. (2004–2012)
  • 24 (2001–2010)
Universal
  • House M.D. (2004–2012)

Aluguel/compra digital

  • The Silence of the Lambs (1991) — Apple TV / Amazon
  • A Few Good Men (1992) — Apple TV / Amazon
  • 12 Angry Men (1957) — Apple TV / Amazon

Indisponíveis atualmente no Brasil

  • Under Suspicion (2000)

Disponibilidade a verificar

  • The Usual Suspects (1995): As fontes consultadas apresentam informações divergentes sobre a disponibilidade atual no Brasil.

Abraço



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Segurança: Centro de custo ou geradora de valor?

O risco vem de não saber o que você está fazendo
Warren Buffett

Fim de ano chegando, planejamento do orçamento batendo à porta... e então, numa conversa de corredor entre Gestores, surge a pergunta: Quanto sua Segurança custou no ano passado?

Antes de responder, sugiro que você se faça uma outra pergunta a si mesmo. Talvez sua resposta àquela pergunta do inadvertido Gestor, mesmo que informalmente, seja mais efetiva do que apenas tagarelar valores.

Então... Quanto valor sua Segurança protegeu no ano passado?

A resposta é bem mais complicada, não é? E sim, este valor deve ser mensurado, inclusive pensando nos intangíveis. 

Conviver com resultados financeiros é relativamente simples para outras áreas, mas para a Segurança Empresarial, a resposta não é tão fácil assim. Estabelecer KPIs estratégicos e que agreguem valor ao negócio, além de fundamental, é desafiador.

Na administração moderna, só achar que você sabe não atende à demanda, e ainda pode te queimar. Sabe aquela conversa de que "Não basta Maria parecer santa, tem que mostrar", então... É necessário entender o negócio e ligar os pontos onde a Segurança, seja ela Empresarial ou Patrimonial, pode realmente apresentar resultados que saltem aos olhos da Alta Gestão.

A Segurança vem passando por esta mudança de paradigma: sair do papel de executar controles ou do "porque a Segurança sempre foi assim", para atuar como parceiro do negócio, entendendo ativos críticos, consequências, riscos e decisões.

Em pesquisa da ASIS de 2025, 61% dos profissionais enxergam a Segurança principalmente como facilitadora do negócio, mas apenas 34% dos que mediam ROI utilizavam KPIs quantitativos.

Como resolver?

Provavelmente você está esperando aquela listinha dizendo onde geramos valor, não é? Calma lá, Combatente. Vamos começar de uma maneira diferente. 1º é fazer a lição de casa!

Onde a Segurança NÃO gera valor?

Segurança deixa de gerar valor quando o custo, esforço ou impacto de um controle não mantém relação razoável com o risco que ele reduz ou com o negócio que ele protege.

Bonito, né? Mas complicou. E não precisa voltar lá pra ler. Vamos simplificar. 😁

Imagine gastar R$ 300 mil para proteger um ativo de R$ 50 mil contra um risco de baixa probabilidade. O controle pode funcionar perfeitamente e, ainda assim, não fazer sentido para o negócio.

Agora imagine os mesmos R$ 300 mil protegendo uma operação que pode perder milhões de reais por dia se parar. O mesmo investimento passa a ter uma lógica completamente diferente.

E custo não é apenas dinheiro. Um controle pode aumentar filas, atrasar processos, exigir pessoas, reduzir produtividade ou dificultar uma operação. Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “este controle funciona?”, mas também “Quanto risco estou reduzindo e quanto atrito ou gargalo estou criando?”.

Sei que você entendeu, mas, para o meu nível de intelecto, não ficou claro. Então aqui vai um exemplo explícito:

Imagine uma bomba de abastecimento de veículos e equipamentos dentro do site. Durante uma inspeção, a Segurança bloqueia o equipamento porque o operador (Frentista) não possui treinamento para a atividade. A operação de abastecimento é interrompida até que a condição seja regularizada. O problema é que a consequência não termina na bomba. Os primeiros veículos chegam e não conseguem abastecer. Forma-se uma fila. Caminhões, máquinas de carga e outros equipamentos. Em 20min, parte da frota trava. Sem os caminhões, o produto deixa de ser transportado; equipamentos ficam ociosos; dependendo da duração, a produção e a entrega serão afetadas. 

Uma decisão tomada em um ponto aparentemente simples da operação pode chegar ao resultado do negócio. "Mas o processo tinha que ser interrompido!", blá, blá, blá. Sim. E é aí que você entra. Você fez sua parte como Segurança, mas deve pensar no negócio, lembra? A partir deste momento, você passa a fazer parte da solução, e até a pergunta muda: "Conseguimos voltar a abastecer, porém de uma maneira segura?". Parece básico, mas fazer o profissional de Segurança entender isto... não é tão simples assim. Se serve para alguma coisa, nas demais áreas também acontece isto.

E como resolvemos o problema acima? Buscar outro empregado que possua o treinamento necessário, direcionar o fluxo para outra bomba no site, etc. Pense e ouça. E nossa participação só acaba quando houver uma definição: o processo volta a funcionar de maneira segura ou permanece interrompido por decisão dos responsáveis, neste caso, a Alta Gestão. O que não pode é a situação ficar sem definição. E isto se estende para outros processos mais comuns de Segurança, como caminhões parados na Portaria, visitantes ou entregas aguardando a área aparecer, etc.

Outro exemplo interessante vem do meu companheiro de profissão Orlando Sá, Executivo de Segurança, Facilities e Gestão de Crises. Ele usa o exemplo da ferrovia para mostrar de forma muito clara como um evento localizado pode produzir consequências muito maiores para o negócio. Com a paralisação da linha, o produto deixa de seguir, acumula-se na origem e pode faltar na outra ponta para carregamento e embarque. Este é um daqueles recortes que valem a pena, porque Orlando Sá deixa tudo mais fácil de entender.

O Gestor de Segurança que tem esta postura traz o conhecimento tácito para o negócio, identificando onde podemos facilitar e em quais processos tudo isto se encaixa, retorno/redução de gastos, e mais... como sua visão holística e a percepção da sua Equipe produzem novas formas da Segurança agir como facilitadora.

Segurança que gera valor não é necessariamente a mais cara ou a mais barata. É aquela proporcional ao risco e ao negócio que precisa proteger. E não se engane, isto tudo pode acontecer mesmo com uma operação de Segurança aparentemente excelente.

Gerar valor não é fazer mais. É fazer melhor!

No Exército se pratica muito isto. Fazer melhor com os recursos disponíveis; que não são muitos. E aqui podemos trabalhar em três blocos:

Processos: Aquele Procedimento que ninguém utiliza, Controles duplicados, Avaliação de Risco de gaveta;

Pessoas: Vigilante mal distribuído, Equipe reativa, Segurança fazendo trabalho de outra área, Liderança medindo presença;

Equipamentos/Tecnologia: Câmera que ninguém monitora, Excesso de alarmes ou ruídos (Disparos falsos), Sistema sem integração, Tecnologia moderna, mas sem finalidade.

Quando a pergunta é mais importante que a resposta

Já disse isto várias vezes nos meus artigos, e realmente é o que faz a diferença. Veja o exemplo do seu Diretor ou CEO, sempre com aquela pergunta que enrosca o Gestor. Porém, não espere o questionamento, faça-o para si mesmo, para cada processo. 

Qual risco este controle está tratando? Qual ativo/processo crítico ele protege? Qual cenário de perda estamos evitando? Qual seria a consequência para o negócio? Quanto esse controle custa? Quanto ele reduz a exposição? Existe alternativa mais eficiente? Basicamente é o que uma boa Análise de Risco questiona. Se as três primeiras perguntas já são um desafio, acenda uma luz amarela, ou até vermelha. 😡

Por onde começar?

Inicie pelas consequências para o ativo e para o negócio, depois pelas ameaças e pelos controles necessários. Um exemplo muito bom é o posto de vigilância:

Imagine um posto com dois vigilantes 24/7. Por que esse posto existe? Porque sempre existiu.

Então... faça o caminho inverso. O que ele protege? Portão X. Contra quê? Entrada não autorizada. Qual a exposição? Pessoas e veículos podem alcançar uma área crítica. Ele reduz esse risco? Sim. Precisamos realmente deste modelo? Talvez...

Opa! Agora aparecem alternativas: vigilante + tecnologia, controle remoto, automatização, alteração física do acesso, integração com CFTV, etc.

E a situação pode evoluir:

4 postos → R$ 2 milhões/ano

Redesenho → 2 postos + tecnologia → mesmo ou menor risco residual → R$ 1,3 milhão/ano

Nesse caso, a Segurança gerou valor não simplesmente porque cortou vigilantes, mas porque manteve o nível adequado de proteção usando menos recursos.

Em outra situação, uma câmera de R$ 20 mil pode não gerar valor nenhum. E o vigilante de R$ 150 mil/ano pode gerar enorme valor. Imagine uma área remota em que o vigilante identifica uma tentativa de invasão, um vazamento, uma condição insegura ou movimentação anormal, e aciona imediatamente a resposta? E veja como são as coisas: Lembra o exemplo da bomba de combustível? Então, o padrão pode se aplicar aqui.

A verdade é que não tem receita de bolo, mesmo eu adorando checklists. Tecnologia não significa eficiência, nem mão de obra, custo. Não funciona assim, e essa distinção é fundamental. 😉

Segurança pode destruir valor

A Segurança pode reduzir determinado risco e, simultaneamente, prejudicar o negócio. Como assim! 😮 

É que eficiência do controle e valor para o negócio não são a mesma coisa. A literatura de métricas de Segurança recomenda olhar não apenas para a proteção, mas também para perdas evitadas, recuperação de perdas, eficiência de custos e impactos sobre o negócio. Então vamos lá:

Imagine um controle de acesso “excelente” que demora oito minutos por caminhão:

200 caminhões/dia × 8 minutos = 1.600 minutos de espera diária.

A Segurança pode apresentar: “100% dos veículos inspecionados”

Operações pode apresentar: “Perdemos centenas de horas por mês esperando a Segurança”

O KPI de Segurança está verde. O resultado empresarial pode estar vermelho.

Um controle pode funcionar perfeitamente e ainda assim não gerar valor. Por isto é tão importante estar alinhado com as áreas, Alta Gestão e, principalmente, com o negócio.

O vigilante produz valor

Não adianta você querer que as áreas entendam seu processo ou suas finalidades da mesma maneira que você entende. Nem você entenderá os deles como eles mesmos. Por isto é tão necessária a aproximação da Segurança com as áreas. Explique a Segurança, venda, gere empatia, nas duas direções.

Por exemplo, o vigilante observa diariamente pessoas, veículos, comportamento, iluminação, cercas, vazamentos, portas, equipamentos, fornecedores e anormalidades. Sempre foi os olhos e ouvidos da Segurança. Mas para o Gestor de outra área, em geral, o Vigilante “fica no posto”, e para alguns, "ele não faz nada".

Por outro lado, se existe um processo para transformar aquilo que o Vigilante observa em informação útil, ele se torna um sensor humano da organização. E pode alimentar Segurança, Safety, Facilities, Operações e até apurações. Aí vai de você saber apresentar aos seus parceiros e à Alta Gestão o produto gerado pela Segurança.

Segurança gerando informação para decisão

Um SOC que simplesmente recebe 5.000 alarmes é custo, e ruído. Porém, imagine que os dados de Segurança começam a mostrar os furtos em determinado horário, dia da semana, em certo fornecedor, acessos anormais, ocorrências concentradas, aumento progressivo de incidentes, etc.

A Segurança deixa de registrar “ocorrências” e começa a entregar informação para decisão. Inteligência e estratégia. E tudo isto já está lá, é só você entender, consolidar e correr pro abraço!

CAPEX de Segurança

A Segurança moderna necessita utilizar a linguagem do negócio. A pergunta deixa de ser “quanto custa a câmera?” e passa a ser “qual exposição estamos diminuindo?”. Passar do "Precisamos de R$ 800 mil para melhorar o CFTV" para “Temos R$ X de exposição anual nesta área. Essa solução reduz determinados cenários de perda, melhora nossa capacidade de detecção e investigação e reduz o risco residual para Y.”

Por outro lado, toda redução de custo gera valor? Não. Imagine reduzir postos de vigilância e economizar R$ 1 milhão por ano, mas aumentar a exposição a perdas em R$ 4 milhões. A Segurança ficou mais barata, mas destruiu valor. Entre a Cruz e a Espada; mas tudo isto depende de como você se prepara, antecipa.

Quando a Segurança funciona bem, parece que nada aconteceu

Produção não parou. Carga chegou. Executivo viajou e voltou. Informação não vazou. Produto não desapareceu. Crise não escalou. E é exatamente isto que você quer. Quanto menos a Segurança for acionada, melhor será seu trabalho. E mais, valor foi preservado.

Uma Segurança madura defende que “Se uma hora parada custa R$ 500 mil e uma ação de Segurança reduz significativamente a probabilidade de interrupção, é de custo que devemos falar?” ou "Qual o valor do evento que NÃO aconteceu?".

E o “Sim, desde que...”

A empresa quer entrar numa região de risco elevado. A resposta mais simples seria proibir. Uma Segurança orientada ao negócio identifica ameaças, estabelece controles, define risco residual e cria condições para a operação acontecer. A Segurança não protegeu a empresa do negócio, porém ajudou a fazer o negócio com risco conhecido e controlado. 

O situação acima é bem Corporativa, contudo o Gestor de Segurança deve ter habilidade de transferi-lo para sua realidade. Por exemplo, um fornecedor precisa acessar uma área para reparar um equipamento crítico, mas ainda existe uma pendência no processo de acesso. Barrar pode parar a operação; liberar sem controle aumenta o risco. “Sim, desde que...” a necessidade seja confirmada, a identidade validada e sejam estabelecidos controles adequados para aquele acesso. A Segurança não eliminou a regra. Entendeu o risco e encontrou uma forma segura de viabilizar a operação.

Afinal, a Segurança é centro de custo ou geradora de valor? Talvez seja as duas coisas. Ela sempre terá um custo. A questão é saber se conseguimos demonstrar o que a empresa recebe em troca dele.

Fontes:

UNDERSTANDING THE EVOLVING ROLE OF SECURITY - ASIS 2025

ASIS — How to Measure Your Security and Resilience ROI

ASIS — Enterprise Security Risk Management Guideline

ASIS — How to Implement ESRM

Artigo LinkedIn - Orlando Sá

Abraço




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A Segurança é adversária das demais áreas?

“Reunir-se é um começo; permanecer unidos é progresso; trabalhar juntos é sucesso.”

Henry Ford

Quando cheguei a uma empresa, algo me chamou a atenção logo nos primeiros dias. O clima entre a Segurança e as demais áreas era extremamente de confronto. Era quase um “nós contra eles”. Segurança de um lado, Operações, RH, Manutenção, Suprimentos e outras áreas do outro.

E tinha algo ainda mais estranho: essa relação chegava até dentro da própria estrutura da Segurança. A equipe própria e o fornecedor de Segurança também pareciam estar em lados diferentes. E não era um problema daquela gestão especificamente. Parecia cultural.

Bom... não sou um gênio da percepção e, na verdade, nem daqueles que chegam com cinquenta ideias novas na cabeça. Mas aquilo parecia simplesmente errado. Afinal, como uma área criada para proteger a empresa pode enxergar a própria empresa como adversária? 

E “haverá sinais” de tudo isto 😂 Quando começamos a ouvir “Lá vem a Segurança dificultar” ou “A Segurança quer mandar em tudo”, e a nossa resposta passa a ser “Operações só quer produzir e não está nem aí para a Segurança”, “Suprimentos só pensa em preço”, ou até “O fornecedor só quer faturar”... é porque o caldo degringolou.

É quando ninguém mais discute o problema e passa a discutir quem está certo. E quando começamos a medir o sucesso pelo número de vezes que conseguimos dizer “não”, algo está muito errado. Não porque a Segurança não deva dizer não. Às vezes precisa, e categoricamente. Mas o objetivo não é vencer a discussão. É controlar o risco e permitir que o negócio funcione. Parceiros, lembra?

O fornecedor é um exemplo interessante

Se o vigilante, supervisor ou gestor terceirizado é tratado como “eles”, temos uma contradição. Contratamos uma empresa para fazer parte do nosso sistema de proteção e depois passamos a tratá-la como se estivesse do outro lado do muro. 😶 Claro que fornecedor precisa de contrato, fiscalização, SLA, KPIs, cobrança e responsabilização. Parceria não significa ausência de cobrança. Porém, uma prática que tenho é considerar que o fornecedor de Segurança é a Segurança! É a mesma ideia que trouxe do Exército, do tempo em que estive por lá. Se um soldado faz algo de errado fora do quartel, no meio civil, não será o nome dele que chamará a atenção, que será estampado naspáginas dos jornais, mas o da Instituição como um todo! Como por exemplo "Soldado do EB se envolve em...". E da mesma forma, a Segurança será diretamente responsabilizada pela falha.

De alguma forma lembrei, que lá nos anos 80, já se dizia que “o maior patrimônio do homem é o próprio homem”. E, como a percepção inicial era ser um problema cultural, começamos com pequenas atitudes: conversar com as áreas antes de simplesmente impor; entender por que determinado controle atrapalhava a Operação; explicar o risco por trás das exigências da Segurança; incluir o fornecedor nas discussões; reconhecer quando outra área tinha razão; fazer o vigilante entender que ele protegia a empresa, e não “a Segurança”; levar problemas com alternativas, e não apenas com proibições, e por aí vai.

Basicamente fizemos a lição de casa, e fomos além. Quais produtos a Segurança entregava às áreas? De que maneira ela poderia ser facilitadora e não apenas um “porteiro”? Como ela apoiava o negócio? É possível fazer tudo isso sem transformar a Segurança em uma “área boazinha” e seguir firme, sem ser adversária?

Segurança gerando de valor

Uma das formas mais efetivas de atingir este objetivo é a Segurança conhecer os riscos do negócio e alinhar seus processos. Nós conhecemos as ameaças, vulnerabilidades e controles... ou deveríamos conhecer. Só que não depende apenas de nós. As áreas são fundamentais para completar o quadro:

Operações conhece o processo

RH conhece as pessoas

TI conhece os sistemas

Infraestrutura conhece as instalações

Suprimentos conhece os fornecedores e contratos

Financeiro conhece os impactos

Safety conhece os riscos ocupacionais

Jurídico ajuda a blindar a empresa

A Segurança isolada pode até controlar acessos, mas sem esse apoio, dificilmente conseguirá realmente entender o risco do negócio.

Somos parceiros?

Os empregados enxergam a Segurança como adversária? Vão nos procurar quando perceberem alguma coisa estranha? Vão alertar sobre uma vulnerabilidade? Buscar orientação antes de uma viagem? Relatar um comportamento suspeito?

Será que em geral o pensamento é: Melhor não envolver a Segurança nisso, os caras podem se virar contra nós”. Percebam que as perguntas são tão, ou mais, importantes que as próprias respostas.

E o “nós contra eles” deixa de ser apenas um problema de clima organizacional. Vira vulnerabilidade de Segurança. E tenha certeza: isso não aconteceu da noite para o dia. Cultura não muda porque alguém publica um procedimento ou faz uma apresentação bonita em PowerPoint.

E naquela empresa que mencionei no início, certamente não conseguimos mudar tudo. Mas mudamos o que foi possível enquanto estivemos por lá. Aos poucos, algumas barreiras diminuíram. Conversas começaram a substituir confrontos. O fornecedor passou a ser visto mais como parte da solução. E a Segurança começou a ocupar um espaço diferente. Mais estratégico. E não deixou de cobrar nem de controlar. Apenas passou a fazer isso sem transformar as outras áreas em adversárias.

Segurança Moderna

A Segurança evoluiu. Hoje falamos muito mais em negócio, parceria, integração, inteligência, riscos, clientes internos e estratégia. Ainda bem.

Mas será que evoluímos apenas no discurso ou também na forma como nos relacionamos? Porque ser parceiro do negócio não significa concordar com tudo. Atender nosso cliente interno não é fazer tudo o que ele quer. Da mesma forma, integrar e desenvolver o fornecedor significa torná-lo parte efetiva do sistema de proteção, com responsabilidades claras e o mesmo compromisso com os resultados.

Assim, a Segurança continuará dizendo “não” quando for necessário. Seguirá cobrando, investigando, controlando acessos, apontando vulnerabilidades e, às vezes, trazendo notícias que ninguém gostaria de ouvir. Faz parte da nossa função. Mas existe uma diferença enorme entre discordar de alguém e transformá-lo em adversário.

O que fica é a pergunta

“Quando a Segurança entra numa reunião, as outras áreas enxergam alguém que veio ajudar a controlar um risco ou alguém que veio criar um problema?” 😶

Referências:

ASIS — Enterprise Security Risk Management (ESRM)

ASIS — A Brief Guide to ESRM Implementation

ASIS — Next Generation Enterprise Security Risk Management

NIST — Risk Management

NIST IR 8286D — Business Impact Analysis and Risk Prioritization

Abraço


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