Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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A Segurança é adversário para as demais áreas?

“Reunir-se é um começo; permanecer unidos é progresso; trabalhar juntos é sucesso.”

Henry Ford

Quando cheguei a uma empresa, algo me chamou a atenção logo nos primeiros dias. O clima entre a Segurança e as demais áreas era extremamente de confronto. Era quase um “nós contra eles”. Segurança de um lado, Operações, RH, Manutenção, Suprimentos e outras áreas do outro.

E tinha algo ainda mais estranho: essa relação chegava até dentro da própria estrutura da Segurança. A equipe própria e o fornecedor de Segurança também pareciam estar em lados diferentes. E não era um problema daquela gestão especificamente. Parecia cultural.

Bom... não sou um gênio da percepção e, na verdade, nem daqueles que chegam com cinquenta ideias novas na cabeça. Mas aquilo parecia simplesmente errado. Afinal, como uma área criada para proteger a empresa pode enxergar a própria empresa como adversária? 

E “haverá sinais” de tudo isto 😂 Quando começamos a ouvir “Lá vem a Segurança dificultar” ou “A Segurança quer mandar em tudo”, e a nossa resposta passa a ser “Operações só quer produzir e não está nem aí para a Segurança”, “Suprimentos só pensa em preço”, ou até “O fornecedor só quer faturar”... é porque o caldo degringolou.

É quando ninguém mais discute o problema e passa a discutir quem está certo. E quando começamos a medir o sucesso pelo número de vezes que conseguimos dizer “não”, algo está muito errado. Não porque a Segurança não deva dizer não. Às vezes precisa, e categoricamente. Mas o objetivo não é vencer a discussão. É controlar o risco e permitir que o negócio funcione. Parceiros, lembra?

O fornecedor é um exemplo interessante

Se o vigilante, supervisor ou gestor terceirizado é tratado como “eles”, temos uma contradição. Contratamos uma empresa para fazer parte do nosso sistema de proteção e depois passamos a tratá-la como se estivesse do outro lado do muro. 😶 Claro que fornecedor precisa de contrato, fiscalização, SLA, KPIs, cobrança e responsabilização. Parceria não significa ausência de cobrança. Porém, uma prática que tenho é considerar que o fornecedor de Segurança é a Segurança! É a mesma ideia que trouxe do Exército, do tempo em que estive por lá. Se um soldado faz algo de errado fora do quartel, no meio civil, não será o nome dele que chamará a atenção, que será estampado naspáginas dos jornais, mas o da Instituição como um todo! Como por exemplo "Soldado do EB se envolve em...". E da mesma forma, a Segurança será diretamente responsabilizada pela falha.

De alguma forma lembrei, que lá nos anos 80, já se dizia que “o maior patrimônio do homem é o próprio homem”. E, como a percepção inicial era ser um problema cultural, começamos com pequenas atitudes: conversar com as áreas antes de simplesmente impor; entender por que determinado controle atrapalhava a Operação; explicar o risco por trás das exigências da Segurança; incluir o fornecedor nas discussões; reconhecer quando outra área tinha razão; fazer o vigilante entender que ele protegia a empresa, e não “a Segurança”; levar problemas com alternativas, e não apenas com proibições, e por aí vai.

Basicamente fizemos a lição de casa, e fomos além. Quais produtos a Segurança entregava às áreas? De que maneira ela poderia ser facilitadora e não apenas um “porteiro”? Como ela apoiava o negócio? É possível fazer tudo isso sem transformar a Segurança em uma “área boazinha” e seguir firme, sem ser adversária?

Segurança gerando de valor

Uma das formas mais efetivas de atingir este objetivo é a Segurança conhecer os riscos do negócio e alinhar seus processos. Nós conhecemos as ameaças, vulnerabilidades e controles... ou deveríamos conhecer. Só que não depende apenas de nós. As áreas são fundamentais para completar o quadro:

Operações conhece o processo

RH conhece as pessoas

TI conhece os sistemas

Infraestrutura conhece as instalações

Suprimentos conhece os fornecedores e contratos

Financeiro conhece os impactos

Safety conhece os riscos ocupacionais

Jurídico ajuda a blindar a empresa

A Segurança isolada pode até controlar acessos, mas sem esse apoio, dificilmente conseguirá realmente entender o risco do negócio.

Somos parceiros?

Os empregados enxergam a Segurança como adversária? Vão nos procurar quando perceberem alguma coisa estranha? Vão alertar sobre uma vulnerabilidade? Buscar orientação antes de uma viagem? Relatar um comportamento suspeito?

Será que em geral o pensamento é: Melhor não envolver a Segurança nisso, os caras podem se virar contra nós”. Percebam que as perguntas são tão, ou mais, importantes que as próprias respostas.

E o “nós contra eles” deixa de ser apenas um problema de clima organizacional. Vira vulnerabilidade de Segurança. E tenha certeza: isso não aconteceu da noite para o dia. Cultura não muda porque alguém publica um procedimento ou faz uma apresentação bonita em PowerPoint.

E naquela empresa que mencionei no início, certamente não conseguimos mudar tudo. Mas mudamos o que foi possível enquanto estivemos por lá. Aos poucos, algumas barreiras diminuíram. Conversas começaram a substituir confrontos. O fornecedor passou a ser visto mais como parte da solução. E a Segurança começou a ocupar um espaço diferente. Mais estratégico. E não deixou de cobrar nem de controlar. Apenas passou a fazer isso sem transformar as outras áreas em adversárias.

Segurança Moderna

A Segurança evoluiu. Hoje falamos muito mais em negócio, parceria, integração, inteligência, riscos, clientes internos e estratégia. Ainda bem.

Mas será que evoluímos apenas no discurso ou também na forma como nos relacionamos? Porque ser parceiro do negócio não significa concordar com tudo. Atender nosso cliente interno não é fazer tudo o que ele quer. Da mesma forma, integrar e desenvolver o fornecedor significa torná-lo parte efetiva do sistema de proteção, com responsabilidades claras e o mesmo compromisso com os resultados.

Assim, a Segurança continuará dizendo “não” quando for necessário. Seguirá cobrando, investigando, controlando acessos, apontando vulnerabilidades e, às vezes, trazendo notícias que ninguém gostaria de ouvir. Faz parte da nossa função. Mas existe uma diferença enorme entre discordar de alguém e transformá-lo em adversário.

O que fica é a pergunta

“Quando a Segurança entra numa reunião, as outras áreas enxergam alguém que veio ajudar a controlar um risco ou alguém que veio criar um problema?” 😶

Referências:

ASIS — Enterprise Security Risk Management (ESRM)

ASIS — A Brief Guide to ESRM Implementation

ASIS — Next Generation Enterprise Security Risk Management

NIST — Risk Management

NIST IR 8286D — Business Impact Analysis and Risk Prioritization

Abraço


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Os melhores filmes de Investigação e Técnicas de Entrevista!


🗣️ Técnicas de Entrevista | 🧠 Comportamento | 🔎 Apuração | 📺😎 Entretenimento

Lá em meados dos anos 2000, o Treinamento de Técnicas de Entrevistas do Basiliano já colocava o excelente filme Under Suspicion (2000), com Morgan Freeman e Gene Hackman, como obrigatório para se começar a entender o tema. Perguntas, silêncio, pressão, comportamento, contradições e mudança de estratégia.

Na Segurança Corporativa, realizamos apurações, e as entrevistas são uma boa ferramenta. Já a polícia, que investiga, utiliza os interrogatórios. Mas o princípio é o mesmo: conseguir informações confiáveis.

Então não procurei simplesmente bons filmes policiais. Trouxe aqueles que permitem observar técnicas, comportamentos, obtenção de informações, erros, vieses e estratégias de apuração e investigação.

Alguns são praticamente uma aula. Outros têm uma boa dose de Hollywood 😂.

E usar o cinema como fonte não é algo novo! Você sabia que uma cena de Heat (1995) chegou a ser utilizada em treinamento dos Fuzileiros Navais dos EUA como exemplo de técnicas de movimentação sob fogo? E que produções como a série 24 (2001–2010) recorreram a especialistas em terrorismo e contraterrorismo para aproximar suas histórias da realidade?

E assim fica tudo mais fácil: aprender enquanto se diverte. Bora para a lista! 😎

Under Suspicion (2000): Excelente! O filme evolui de uma conversa, para entrevista... e por fim interrogatório. Pura aula!

Criminal: UK (2019–2020): Excelente! É uma das 04 minisséries (United Kingdom, França, Alemanha e Espanha), que acontecem em uma sala de interrogatório, com vários tipos de suspeitos e desfechos de crimes.

Criminal: Spain (2019): Excelente! A melhor desta Franquia! São apenas 03 episódios, uma pena.

Criminal: France (2019): Excelente! Boa história, suspense, reviravolta e interrogatório.

Criminal: Germany (2019): Bom! Não é excelente como a da Espanha, mas segue a mesma linha de interrogatório, e até usa o mesmo cenário.

Mindhunter (2017–2019): Bom! Só não é excelente porque a 2ª temporada foi fraca. Real e impressionante. Época onde este ramo da ciência ainda engatinhava no FBI.

The General's Daughter (1999): Excelente! E olha, o investigador (John Travolta) é um Sargento, hierarquicamente muito abaixo dos Militares que ele investigou.

24h (2001-2010): Excelente. Já assisti três vezes (192 episódios, mais os puxadinhos que vieram depois)! E nela o Jack Bauer faz de tudo! 😁

The Silence of the Lambs (1991): Excelente! Se você não assistiu, é um dos poucos no mundo 😂

The Usual Suspects (1995): Excelente! E com final surpreendente.

Spotlight (2015): Bom! E vai te emocionar algumas vezes. Venceu o Oscar. Sobre padres e seus abusos sexuais. Entrou também no post Filmes e séries sobre Gestão de Crises!

Gone Girl (2014): Muito bom! Cheio de reviravoltas e prende sua atenção o tempo todo. Grande final! Ponto negativo pra voz de motel da Rosamund Pike.

The Girl with the Dragon Tattoo (2011): Legal. Este também entrou no post Filmes sobre Cybersecurity, Segurança da Informação & Hackers!

A Few Good Men (1992): Excelente! Mais conhecido como "Questão de Honra" no Brasil. E o elenco? Show! E aquele truque durante o julgamento, para conseguir a confissão, já fiz parecido em uma entrevista... e funcionou!

The Sinner (2017–2021): Boa! Suspense policial investigativo que prende a atenção. Esta vi em Italiano. Valeu a pena o esforço.

The Guilty (2018): Bom! Filme Dinamarquês sob o título original Den skyldige. Segundo filme dinamarquês que vejo e os dois foram bons. Tem a versão americana The Guilty (2021), com o Jake Gyllenhaal, que também é bom, mas fica abaixo do Dinamarquês. De qualquer forma, vale a pena ver os dois.

Richard Jewell (2019): Drama dos bons, mas prepare-se para encarar injustiças.

Boston Strangler (2023): Legal. Bom para relembrar pra que servem bons Jornalistas investigativos. História real.

Interrogation (2020): Legal, mas filme "linha B". Se vc conseguir relevar algumas atuações toscas e a baixa qualidade de Direção, e focar apenas no enredo, vai curtir. Ah... é meio que Gospel também.

The Wire (2002–2008): Boa! Tem que acostumar com o ritmo meio paradão, mas atende bem.

The Shield (2002–2008): Boa! Mesmo estilo da The Wire (2002 - 2008). Esta comecei, mas parei depois de algumas temporadas. Preciso retomar.

Mystic River (2003): Bom, e marcante. Difícil se recuperar da injustiça de se fazer justiça com as próprias mãos.

Insomnia (2002): Legal, mas eu esperava mais como filme. Para investigações e compartimentação da informação, é show!

The Mauritanian (2021): Legal. Complicado tentar entender o lado dos que foram presos por participar dos ataques do 9/11. Mas as argumentações são realmente válidas. Exemplo real que mostra a diferença entre obter uma confissão X obter informação confiável.  Prime Video.

The Departed (2006): Bom! Mas não achei tudo isto que pintaram.

L.A. Confidential (1997): Legal! E não achei tudo isto também.

Basic Instinct (1992): Excelente. O interrogatório com a Sharon Stone... impossível você não ter assistido! 😆

Fauda (2015-? ): Boa! Comecei, mas parei ainda nos primeiros episódios. Preciso retomar.

Manhunt: Unabomber (2017): Muito bom! Determinação, juntas peças, estado de fluxo.

Gone Baby Gone (2007): Legal. Minha nota no IMDb foi 7.

Prisoners (2013): Legal. Minha nota no IMDb foi 7.

Changeling (2008): Legal. Minha nota no IMDb foi 7.

Zodiac (2007): Legalzinho. Minha nota no IMDb foi 6. 

Na fila:

True Detective (2014–)
Line of Duty (2012–)
Homicide: Life on the Street (1993–1999)
The Americans (2013–2018)
The Night Of (2016)
Homeland (2011–2020)
Unbelievable (2019)
Black Bird (2022)
Memories of Murder (2003)
The Fall (2013–2016)
Garde à vue (1981)
The Interview (1998)

Dicas: 

Tente prestar atenção do por quê aquela pergunta foi feita. O entrevistador realmente ouviu a resposta? Ele criou conecção com o entrevistado? Explorou uma inconsistência? Usou o silêncio? Apresentou a evidência na hora certa? Mudou de estratégia quando percebeu que não estava funcionando? Ele está procurando informação ou procurando uma confissão? 😶

Uma boa entrevista de apuração não serve simplesmente para confirmar aquilo que o entrevistador já acredita. Deve ajudá-lo a descobrir aquilo que ainda não sabe.

Onde assistir:

Netflix

  • Criminal: UK (2019–2020)
  • Criminal: Spain (2019)
  • Criminal: France (2019)
  • Criminal: Germany (2019)
  • Mindhunter (2017–2019)
  • The Sinner (2017–2021)
  • Manhunt: Unabomber (2017)
  • Fauda (2015–)
  • Unbelievable (2019)

HBO Max

  • Spotlight (2015)
  • The Girl with the Dragon Tattoo (2011)
  • Richard Jewell (2019)
  • The Wire (2002–2008)
  • Mystic River (2003)
  • The Departed (2006)
  • L.A. Confidential (1997)
  • True Detective (2014–)
  • The Night Of (2016)
  • Insomnia (2002)

Disney+

  • 24 (2001–2010)
  • Boston Strangler (2023)
  • The Shield (2002–2008)
  • The Americans (2013–2018)
  • Homeland (2011–2020)

MGM+

  • The Silence of the Lambs (1991) — também MUBI
  • The Usual Suspects (1995)
  • Basic Instinct (1992)

Paramount+

  • Zodiac (2007)
  • Gone Baby Gone (2007)

Apple TV+

  • Black Bird (2022)

Amazon Prime Video

  • The Mauritanian (2021)

Universal+

  • Gone Girl (2014)

FilmBox+ / Sony One / Lionsgate+

  • Prisoners (2013)

Aluguel/compra digital

  • A Few Good Men (1992)
  • Changeling (2008)

Indisponíveis atualmente no Brasil

  • Under Suspicion (2000)
  • Line of Duty (2012–2021)

Disponibilidade a verificar

  • The Guilty (2018)
  • Interrogation (2020)
  • Homicide: Life on the Street (1993–1999)
  • Memories of Murder (2003)
  • The Fall (2013–2016)
  • Garde à vue (1981)
  • The Interview (1998)

Abraço


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Viagem a trabalho: Seu empregado está seguro?

 

O acaso favorece a mente preparada

Louis Pasteur

Passagem emitida, hotel reservado, transporte definido e agenda confirmada.

Tudo pronto?

Para a Segurança, e para a sua segurança, talvez não.

E aqui existe uma grande oportunidade para a Segurança. Um Programa de Monitoramento de Viagens bem estruturado pode se tornar um excelente produto para apresentar à Alta Gestão. Afinal, ele conecta proteção de pessoas, gestão de riscos, resposta a crises e continuidade do negócio, em um único processo.

Mas calma aí... antes de falar sobre isto, precisamos definir quem a Segurança apoiará nessas viagens. Quais empregados? Níveis hierárquicos ou de Risco? Visitantes serão monitorados?

E não é inventar a roda. Só que o básico tem que ser alinhado, caso contrário todos ficam perdidos. O importante é que responsabilidades, informações e critérios de escalonamento estejam definidos antes que alguma coisa aconteça. E isto é galho fraco para a Segurança, já que a relação com RH, Viagens, TI, Jurídico ou outras áreas está naturalmente mais que consolidada, certo? 🙏 

Atenção: A área responsável pode iniciar o fluxo, mas cabe à Segurança estabelecer os critérios que determinarão quando uma viagem precisa de maior atenção. A boa noícia é que a Segurança não faz isso sozinha. Então, nada de transferir a responsabilidade 😉

Destino, nível de risco, função do viajante, atividade que será realizada, horário dos deslocamentos, viagem individual, histórico de incidentes e perfil VIP, por exemplo, podem funcionar como gatilhos de escalonamento.

Assim, principalmente em empresas com milhares de empregados, a Segurança não precisa analisar manualmente todas as viagens. O processo identifica quais delas precisam chegar até a Segurança.

Pronto, agora vamos lá!

Monitorar viagens não é apenas saber onde o empregado está. É entender o que está acontecendo ao redor dele, responder quando necessário e usar aquilo que aprendemos para reduzir a exposição da próxima viagem. O profissional de Segurança não pode transformar toda viagem em uma operação de proteção executiva. Os controles precisam ser proporcionais ao risco. E focar em Governança.

Antes do embarque

O trabalho começa antes da viagem. Uma viagem para uma cidade de baixo risco pode exigir apenas orientações básicas e contatos de emergência. Outro destino pode exigir avaliação de risco, orientação de segurança, avaliações de hotel e transporte, gerenciamento da viagem e acompanhamento mais próximo. Para um VIP ou uma região de maior risco, outros controles podem ser necessários.

Um empregado que conhece o país e realiza aquela rota frequentemente pode demandar controles diferentes de alguém que viaja sozinho pela primeira vez. Um executivo exposto publicamente, um empregado transportando informação sensível ou uma pessoa participando de uma atividade em local de maior risco também podem alterar a avaliação. O risco não está apenas no lugar. Está na combinação entre pessoa, atividade, local e momento.

E há um detalhe importante: a Avaliação de Risco não tem validade eterna. Um hotel homologado há seis meses pode não apresentar hoje as mesmas condições. Uma rota considerada adequada pode ser afetada por manifestações, criminalidade, obras ou outros eventos. Um fornecedor pode mudar.

Briefing de Segurança

É necessária uma conversa com o viajante. Olho no olho. É o momento de entender se ele realmente se sente seguro, perceber suas preocupações e esclarecer dúvidas que talvez não apareçam em um formulário ou apresentação. 

Quais são os principais riscos? O que evitar? Como se deslocar? Quem contatar? O que fazer se algo der errado? Uma boa orientação de segurança precisa ser objetiva e responder ao que realmente importa para aquela viagem.

Monitorar não é vigiar

Não vamos acompanhar cada movimento do empregado, salvo exceções. Mas temos que ter capacidade de identificar mudanças que possam afetá-lo. Uma manifestação próxima ao hotel. O voo foi cancelado e ele chegará de madrugada. Houve um incidente grave próximo ao local da reunião. O motorista não apareceu. Uma tempestade fechou o aeroporto. Seus documentos foram extraviados. O celular foi perdido ou furtado...

É quando o plano muda

O empregado resolveu estender a viagem, visitar outra cidade, trocar de hotel ou aproveitar algumas horas livres para conhecer um ponto turístico. Talvez tenha programado um happy hour, decidido conhecer uma casa noturna ou até contratado serviços de acompanhantes

Sim, e este tipo de situação pode complicar bastante. Dependendo do destino, uma decisão aparentemente pessoal pode alterar significativamente sua exposição a roubos, golpes, extorsão, violência, drogas, problemas com autoridades ou outras situações de risco. Não se trata de a Segurança controlar a vida privada do viajante. Mas ele precisa conhecer os riscos locais, os limites da assistência oferecida pela empresa e quando uma alteração de itinerário ou uma situação de risco deve ser comunicada. O dia de trabalho pode ter terminado pra ele, mas a exposição ao risco, não.

E se o celular desaparecer?

Seu celular virou mapa, passagem, carteira, contato com a empresa, aplicativo de transporte e, muitas vezes, meio de autenticação. Ah, pode realizar chamadas também. 😁 Conheço pessoas que nem utilizam mais os documentos físicos. Mas cuidado, aluguel de veículos, por exemplo, ainda exige o cartão de crédito físico. 

Mas antes de falarmos do extravio do celular, novamente, precisamos alinhar alguns pontos. Existe outro meio de contato com o empregado? Ele possui os números de emergência fora do próprio celular? É possível restaurar um backup rapidamente em outro aparelho? Ele sabe bloquear ou rastrear o aparelho extraviado? Essas funções estão habilitadas?  TI e Segurança da Informação sabem quando precisam ser acionadas e o que fazer? 

E ainda, a Segurança deve apurar o incidente para entender o que aconteceu e como evitar que se repita, realizar o debriefing com o viajantepara buscar Lições Aprendidas, assim como apoiar as áreas para que seja tomada a melhor decisão, sobre atitudes e posturas de empregados durante a viagem.

Percebam como temos que nos preparar para o maior número de situações possíveis, e como as Lições Aprendidas são tão necessárias neste processo.

Nem toda emergência de viagem é de Segurança

Uma intoxicação alimentar, acidente ou problema médico podem rapidamente se transformar em uma crise. Em determinados destinos, não basta saber onde existe um hospital: é preciso saber se ele possui capacidade adequada de atendimento e quais alternativas existem caso seja necessária uma remoção médica.

Em geral, a pergunta deixa de ser apenas “Onde está o empregado?” e passa a ser: Ele está vulnerável?

Se o Plano muda, a Segurança se aproxima ainda mais do viajante. Por isso, alguns gatilhos de escalonamento precisam estar definidos antecipadamente: Avaliar, comunicar, coordenar e responder.

Quem decide o quê?

Quem aciona a liderança? Quem fala com a família? Quem contata a assistência médica? Quem aciona autoridades ou representação consular? Quem decide interromper a viagem ou retirar o empregado do país?

Durante uma crise não deveria ser o momento para descobrir essas respostas.

Temos Equipe no país destino?

Nem sempre haverá alguém da Segurança no país ou na cidade visitada. Em muitas organizações, o viajante estará por conta própria. Por isso, o cuidado não significa necessariamente colocar um profissional de Segurança para ciceronear cada empregado. Significa costurar uma estrutura que permita antecipar riscos, orientar o viajante e apoiá-lo quando necessário.

Contato de emergência, fornecedores confiáveis, protocolos de comunicação, escalonamento, assistência médica, apoio consular, e uma rede local podem fazer enorme diferença. É aí que entra a lição de casa: tudo isso não pode ser providenciado no momento da crise.

Delegacias, hospitais e clínicas de referência, hotéis, aeroportos, locadoras, empresas de transporte e outros recursos locais precisam ser conhecidos antecipadamente. Dependendo da região e do nível de risco, vale também conhecer contatos de autoridades, representação consular, serviços de emergência e fornecedores capazes de apoiar a empresa. Até locais de entretenimento frequentados por empregados e expatriados podem fazer parte dessa compreensão do ambiente. Uma rede de apoio construída durante a normalidade vale muito mais do que uma lista de telefones pesquisada durante a crise.

E não tem jeito. Tem que pagar com sangue: ir a campo! Negligenciar esta parte da avaliação vai custar caro lá na frente. Tanto em tempo de resposta e resultado no apoio ao empregado vulnerável quanto na confiança da alta Gestão. Não se engane, algumas perguntas simples, mostrarão que você não está preparado; e esta quebra de confiança não pode acontecer na área de Segurança. 

E se acontecer algo realmente grave?

Sequestro, desastre natural, detenção, desaparecimento, acidente grave, distúrbio civil... exigem protocolos previamente estabelecidos? Em situações críticas, governança, comunicação e clareza de responsabilidades são tão importantes quanto os recursos disponíveis

Quem recebe a primeira informação? Como ela será confirmada? Quem liderará a resposta? Quais especialistas externos podem ser acionados? Como as informações serão protegidas?

Por exemplo, em caso de sequestro, a Empresa pode acionar um Consultor para apoiar nas negociações. O excelente filme Dinamarquês A Hijacking (Kapringen, 2012) é sobre isto. E você, como Gestor de Segurança, vai querer assistir. (Filmes e séries sobre Gestão de Crises!)

Segindo... Planos precisam existir, mas também precisam ser testados. Exercícios de mesa, simulações e revisão periódica ajudam a descobrir falhas quando ainda existe tempo para corrigi-las.

E quais são os principais incidentes em viagens?

As ocorrências podem variar muito, e conforme o destino, mas algumas aparecem com frequência em viagens corporativas: 

- Furtos e roubos;

- Perda de celular, passaporte ou documentos;

- Problemas de transporte; 

- Acidentes de trânsito; 

- Emergências médicas; 

- Diversas: Cancelamentos de voos; manifestações e distúrbios civis; golpes e fraudes; assédio; problemas com autoridades; eventos climáticos; falhas de comunicação e, em ambientes de maior risco, sequestro ou detenção.

O empregado retornou em segurança. E agora?

Imagine 1.000 viagens realizadas e nenhum incidente. Excelente resultado, certo? Será mesmo? Quantas foram efetivamente avaliadas? Quantos viajantes receberam as orientações previstas? Quantas viagens que atingiram os critérios de escalonamento receberam o tratamento correspondente?

Lembre-se: o fato de não ter acontecido nenhum incidente não prova que o processo funcionou. O empregado pode ter viajado, voltado perfeitamente e a empresa não ter feito absolutamente nada.

É aí que entram os KPIs. E mesmo que a viagem tenha ocorrido normalmente, podemos construir bons indicadores, e em quatro dimensões:

1. Preparação: Viagens, hotéis e transportes avaliados, briefings realizados, controles implementados.

2. Exposição e incidentes: Quantidade, tipo, severidade, destino, horário, recorrência e tendências.

3. Capacidade de resposta: Tempo de resposta, capacidade de contato com o viajante, escalonamento e recursos acionados.

4. Aprendizado: Feedback pós-viagem, avaliações atualizadas e acompanhamento das recomendações (Abertas × implementadas × vencidas).

E mais: identificar uma vulnerabilidade não significa que ela foi tratada. Se uma avaliação de hotel, transporte ou destino gerou uma recomendação, alguém precisa acompanhar sua implementação. Avaliar o risco e não acompanhar a recomendação pode criar apenas uma falsa sensação de controle. E não me venha com "eu avisei"! 😶

Indicadores conectados viram informação

Os KPIs vão muito além de serem apenas apresentações para a Liderança ou dizer quantas viagens foram realizadas e quantos incidentes aconteceram. KPI que só conta o que aconteceu está olhando para o passado. Um bom KPI também ajuda a decidir o que fazer na próxima viagem. Eles chegam para apoiar a resposta, a prevenção e a antecipação. E, dependendo da maturidade, da qualidade dos dados e das ferramentas disponíveis, quem sabe até apoiar modelos preditivos.

É onde algumas perguntas começam a ficar mais interessantes:

Onde estamos tendo problemas? Por quê?

Existe recorrência? A exposição está aumentando?

O que podemos mudar antes da próxima viagem?

O que não estou enxergando?

Se três empregados tiveram problemas semelhantes, isso não deveria servir apenas para alimentar o gráfico mensal. Talvez seja hora de rever o fornecedor. Se empregados continuam perdendo celulares, talvez a resposta não esteja apenas na Segurança: TI, Segurança da Informação e outras áreas também podem precisar entrar na discussão. Por outro lado, atrasos de voos estão fazendo empregados chegarem de madrugada e aumentando a exposição nos deslocamentos. É assim que o monitoramento deixa de ser apenas reativo e começa a antecipar problemas.

A viagem termina. A informação fica. E começa a preparação da próxima viagem. Seu empregado voltou em segurança. Ótimo. Mas sua equipe aprendeu alguma coisa com tudo isto? E como esse conhecimento será replicado para as demais áreas envolvidas, ou para os próximos viajantes? (Retrabalho: Como Integrar informações e evidências)

O empregado precisa fazer a sua parte

O viajante deve seguir as orientações recebidas, comunicar mudanças relevantes, preservar documentos e equipamentos, utilizar fornecedores aprovados e informar rapidamente uma ocorrência. 

"Cuidar não significa que tudo seja responsabilidade da empresa"

Referências:

ASIS International — Travel Risk Management / ISO 31030

ISO 31000:2018 — Risk management — Guidelines

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