Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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Gold Room: Segurança não é apenas proteger o lingote

“Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião.”

W. Edwards Deming

É comum, e até repetitivo, eu dizer que a pergunta por vezes é mais importante do que a própria resposta. Pois é: neste artigo, elas extrapolam o conceito e se tornam mais que uma constante no processo.

Só que antes de começarmos, é importante contextualizar. Na mineração de ouro, a Gold Room é a área de alta segurança da planta onde se concentram as etapas finais de recuperação, tratamento e fundição do material aurífero até a produção do lingote. Não estamos falando apenas de uma “sala onde se guarda ouro”. É parte do processo produtivo da mineradora e, dependendo da configuração da planta, recebe materiais com diferentes concentrações de metais preciosos, que passam por etapas de tratamento, pesagem, amostragem e fundição antes de chegarem ao produto final: Ouro!

Quando pensamos na segurança de uma Gold Room, é natural que as primeiras preocupações sejam fortificações, barreiras, controle de acesso, CFTV, vigilantes, cofre, lacres, transporte de valores, e por aí vai. E tudo isso é importante. Mas quando se acompanha efetivamente o processo produtivo, sua percepção muda significativamente.

Antes mesmo de se chegar finalmente ao lingote, existem materiais sendo processados, transferidos, secos, fundidos, manipulados, pesados e até amostras retiradas do produto final. E ainda depois, continuam existindo as aparas, escórias e outros materiais potencialmente valiosos, e que permanecem sob custódia, sejam para análise ou retornarem ao processo de fundição.

E o curioso: o lingote obtido na mina normalmente ainda não é ouro refinado. Trata-se do gold doré, uma liga contendo ouro, prata e outros elementos, posteriormente destinada ao refino.

Então, onde começa a Segurança de uma Gold Room?

A proteção de uma Gold Room combina Segurança, inteligência, controles operacionais, cadeia de custódia, segregação de funções, rastreabilidade e reconciliação metalúrgica ou controle contábil do metal.

CFTV, controle de acesso, alarmes, vigilância, cofres e até a comunidade do entorno, são camadas desse intrínseco sistema. Proteger um lingote é relativamente intuitivo. O desafio é proteger o valor enquanto ele muda de forma, recipiente, localização e custódia.

Antes de proteger, entenda onde está o valor

Para quem vem da Segurança, existe uma tendência natural de entrar em uma instalação crítica procurando portas, câmeras, fechaduras, alarmes, cofres e vulnerabilidades físicas, ou imaginando cenários de ataques armados ou "explosivos". 

Tudo isso faz parte, mas em uma Gold Room, precisamos entender detalhadamente o processo. Se determinado material possui conteúdo recuperável de Au ou Ag, sua forma física pode ter mudado, porém o risco patrimonial não desapareceu.

E sim, você terá que aprender termos técnicos e até alguns elementos da tabela periódica. Ou você acha razoável exigir que todos saibam a linguagem da Segurança, como por exemplo viatura X carro; blindado X tanque de guerra; fardado X civil; enquanto você, aí sim, pode chamar as coisas pelo nome que quiser? Dizer pedra ao invés de rocha, um termo bem mais abrangente?

Além de demonstrar conhecimento e empatia, utilizar corretamente a linguagem técnica do cliente demonstra respeito e interesse pelo processo que estamos protegendo.

Segurança precisa conversar com Metalurgia

Talvez esse seja o principal insight. O Gestor de Segurança não precisa se transformar no responsável pela fundição. Não cabe a ele definir parâmetros de lixiviação, eficiência de recuperação, condições de electrowinning, temperatura de fusão, composição de fluxo ou metodologia analítica. Mas precisa entender o suficiente para perguntar:

Onde está o metal precioso? Em que forma? Quem possui a custódia? Onde ocorre a transferência de responsabilidade? Existe pesagem e identificação? O que acontece com materiais intermediários, recuperáveis e amostras? Quem reconcilia o inventário? Uma mesma pessoa consegue produzir, registrar e controlar? O concentrado que entrou, deveria ter produzido quanto material? Existe uma relação razoável nisto?

E ainda: Consigo reconstruir essa movimentação depois?

Ufa!

Só então faz sentido decidir onde instalar câmeras e a finalidade específica de cada uma, quais acessos precisam ser eletrônicos, onde aplicar dupla custódia, quais áreas precisam de alarmes, como controlar o cofre e onde a presença física da Segurança realmente agrega valor.

A câmera não protege um processo que você não entende

Aqui não vou entrar no tipo de câmera ou se uma Fisheye funciona melhor em uma situação ou outra. Isto será de acordo com sua avaliação de cada etapa do processo. Agora, imagine instalar uma câmera sobre uma fase de transferência do produto, por exemplo. A primeira pergunta não deveria ser “Onde consigo instalar a câmera?”, mas “Consigo montar o quebra cabeça em uma apuração?”.

Quem manipulou o material? De qual lote veio? Para onde foi? Houve mudança de recipiente ou custódia? Existe algum ponto entre uma etapa e outra em que perdemos a rastreabilidade?

E não. Não acaba aí. Você quer que as câmeras registrem tudo, mas será que tudo mesmo? Pergunta estranha, não é? Então... o sistema estará gravando as pessoas que operam a sala ou a senha daquele cofre, e isto pode ser uma grande vulnerabilidade, ainda mais se as imagens vazarem. 

Isso muda toda a maneira de pensar o CFTV e Cybersecurity, e é aqui que entra a Análise de vídeo com IA (AI Analytics) para borrar imagens das faces, crachás, senha do cofre e outras mais que entender pertinentes a cada situação. Tudo vai do nível de análise de risco que você fez e de como discutiu as possibilidades com os stakeholders. Sim, porque com o andar da carruagem, novas restrições ou premissas limitadoras surgirão das áreas para serem tratadas ou riscos reduzidos. Lembre-se: Você não sabe tudo, nem tem que fazer sozinho. 😉

De fato, mais importante que simplesmente aumentar a quantidade de câmeras, é buscar continuidade de custódia visual nos pontos críticos, mantendo a integridade do processo.

Recebimento, preparação, secagem, transferência, forno, fundição, acabamento do lingote, pesagem, amostragem, armazenamento e cofre, precisam ser analisados como um fluxo. Isto não significa filmar cada centímetro. 

E a hiperconectividade? IA e análise de vídeo podem ajudar a identificar movimentos ou comportamentos fora do padrão determinado durante a produção. Em vez de exigir que um operador acompanhe horas de processo continuamente, o sistema pode destacar eventos ou anomalias para análise. Tecnologia, porém, só funciona bem quando sabemos o que estamos procurando.

Quando o próprio CFTV cria uma vulnerabilidade

Considere uma câmera instalada diante do cofre. Queremos visualizar quem se aproximou, quem realizou a abertura, quando ocorreu e a movimentação relacionada à custódia. Mas existe algo que não queremos registrar: a senha utilizada para abrir o cofre.

É o mesmo princípio de golpes nos quais uma pequena câmera instalada pelos gatunos registra o PIN digitado pelo cliente em uma maquininha de crédito. E aqui cabe outro aprendizado para a Segurança: saber transferir conhecimento entre processos, que aparentemente são desconexos, como este, por exemplo. Mas isto falaremos em outro post. 😉

Se o CFTV permite visualizar a senha, criamos uma vulnerabilidade tentando resolver outra. Ângulo, campo de visão ou recursos de privacy masking podem solucionar o problema. O princípio é simples: registrar a operação, não o segredo que protege a operação. E nem precisamos falar de acessos às imagens, armazenamento, permissões de visualização e gravação, etc. Isto TI vai ter que certificar digitalmente pra você. E você terá que testar. E se for esperto, colocar a Auditoria no circuito.

Ah... e sabe aquelas imagens borradas que falamos acima? Então... é possível ter as imagens originais... você só precisa ter a senha do mascaramento. Complicado, não é? 💪😶

O que não virou lingote continua merecendo atenção

Aqui a Segurança pode agregar bastante valor, inclusive em uma operação já consolidada. A produção pode gerar materiais intermediários e subprodutos como lama, tortas de filtro, escórias, pós auríferos, soluções, aparas e outros materiais potencialmente recuperáveis. Isso quebra um paradigma comum da Segurança: tratar resíduos de produção como “material sem valor” ou sucata. Em uma operação de metais preciosos, não podemos nos dar a este "luxo".

Para se ter uma ideia, 100 gramas de ouro fino podem representar algo na ordem de R$ 70 mil, com aproximadamente o volume de um pequeno punhado de feijão.

É aí que as perguntas mudam, companheiro: Esse material ainda contém metal precioso recuperável? É pesado ou medido? Como é identificado e acondicionado? Quem possui acesso? Onde permanece? Quando retorna ao processo? Em que momento pode ser efetivamente liberado ou descartado?

Determinar teor, recuperação e parâmetros metalúrgicos é função das áreas técnicas, porém controlar sua custódia interessa à Segurança. Como diz meu pai: A vida é dura! 😬

A balança pode ser tão importante quanto o cofre

Considere um lingote pesado antes da retirada das amostras e novamente depois. Se houve retirada física de material, a diferença precisa ser compatível com aquilo que foi retirado e registrado. Então precisamos olhar também para a balança: 

Está dentro do sistema de controle metrológico? Quem realizou a pesagem? O lingote possui identificação única? O peso é registrado automaticamente ou manualmente? Quem pode alterar o registro? Existe correspondência entre o material retirado e as amostras produzidas?

Questões que aparentemente são exclusivas de Produção ou Metalurgia se convertem claramente em Segurança.

Da balança chegamos ao Metal Accounting

Aqui está, na minha visão, um dos pontos mais importantes. O controle de metais preciosos não pode depender exclusivamente de CFTV, vigilância ou controle de acesso. Existe também a reconciliação metalúrgica, conceito muito mais sofisticado do que simplesmente “quanto entrou menos quanto saiu”.

O material muda de forma, composição e teor durante o processo. Existem inventários, materiais recuperáveis, amostras, produtos, subprodutos e perdas que precisam ser tecnicamente determinadas e reconciliadas. E Segurança e Produção possuem perspectivas diferentes em tudo isto, porém complementares.

Produção precisa explicar o comportamento do metal, e Segurança explicar a custódia. 

Quando esses controles conversam, uma divergência deixa de ser simplesmente “está faltando material” e passa a ser “Em qual etapa surgiu a diferença e quem possuía custódia ou acesso naquele momento?”.

E tenham certeza: se isso não estiver mapeado e registrado, vocês lembrarão deste artigo quando precisarem apurar uma fraude.

Dupla custódia não é simplesmente colocar duas pessoas juntas

A dual custody, eventualmente associada ao two-person rule, é um controle importante. Mas duas pessoas presentes não significa necessariamente segregação de funções. Imagine duas pessoas transportando juntas determinado material, mas depois uma delas consegue sozinha pesar, registrar, manipular a amostra, acessar o armazenamento e controlar os registros. Houve dupla presença no deslocamento. Não necessariamente houve segregação. Por isso precisamos também avaliar a segregação de funções entre estas atividades.

Faça uma pergunta simples: "Uma única pessoa consegue executar uma sequência crítica e também controlar ou alterar as evidências dessa sequência?"

Se consegue, existe uma vulnerabilidade de processo que nenhuma câmera, isoladamente, resolverá.

A amostra saiu da Gold Room. O risco não.

Amostras podem seguir para o Laboratório, permanecer como referência ou receber outros destinos tecnicamente definidos. Quando deixam fisicamente a Gold Room, a cadeia de custódia precisa continuar. O laboratório, portanto, pode fazer parte do sistema de segurança da Gold Room, mesmo estando fisicamente fora dela. A cadeia de custódia acompanha o material, não as paredes da sala.

E finalmente, o cofre

Depois de acompanhar todo o processo, chegamos ao equipamento que normalmente seria nossa primeira preocupação. Ele continua extremamente importante. Só que agora nossas perguntas são diferentes:

Quem está autorizado a abrir? A credencial é individual ou compartilhada? Existe chave física? Quem mantém sua custódia? Em que local ele guarda a chave? Existe registro eletrônico de abertura? É possível identificar individualmente cada acesso? Existe dupla custódia? Quem deposita e quem retira o lingote? Como o estoque físico é reconciliado com aquilo que foi produzido e registrado?

Depois que acontece a ocorrência, saber que “a senha correta foi utilizada” possui valor investigativo muito menor do que saber qual usuário acessou, em qual horário e em qual movimentação. Portanto, um controle físico robusto com baixa rastreabilidade continua sendo um sistema vulnerável.

E talvez exista uma pergunta simples para testar a maturidade desse sistema: Se amanhã surgir uma divergência, conseguimos identificar em qual etapa ela ocorreu, quem tinha a custódia, quais registros foram gerados e quais evidências permitem reconstruir o processo?

Nem toda diferença significa que o ouro sumiu

É comum a área de Segurança seguir imediatamente o viés do furto 😂 Mas é evidente que uma diferença encontrada no controle do ouro não significa imediatamente perda, furto ou fraude. Uma boa prática é sempre tentar buscar outros ângulos de entendimento da situação.

Durante o processo existem pesagens, amostragens, análises e movimentações de material que naturalmente podem gerar pequenas variações. Por isso, a indústria trabalha a reconciliação, comparando o que deveria existir com aquilo que efetivamente foi apurado. O importante é conhecer qual é a variação normal e aceitável para aquela operação. A partir do momento em que uma diferença ultrapassa essa faixa ou não consegue ser explicada pelo processo, ela passa a exigir apuração.

Como referência, consideram-se perdas da ordem de 0,01% para o ouro. Parece insignificante, mas 0,01% de 100 kg representa 10 gramas de ouro (R$ 7k). Neste processo, qualquer peso, mesmo que aparentemente insignificante, será de valor agregado.

Pronto, agora é só cara/crachá, certo? Não é bem assim. Isso não significa que 0,01% seja uma tolerância universal. Cada operação precisa estabelecer seus próprios limites considerando seu processo, histórico e capacidade de medição. 

Para a Segurança, o ponto fundamental é outro: quando surgir uma diferença, precisamos ser capazes de distinguir uma variação normal do processo de uma perda que não conseguimos explicar.

Abraço

Referências:

LBMA – Gold Definitions

Metso – Elution and Goldroom Plant

LBMA – Where Did the Gold Go?

LBMA – Sampling and Assaying

World Gold Council – Gold Mining Process


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10 filmes pra você arrasar em Engenharia Social


“As pessoas são o elo mais fraco da cadeia de segurança”
Kevin Mitnick

Estou lendo o excelente livro “Foco Roubado”, de Johann Hari, e ele abordou um tema interessante sobre como as Big Techs usam os algoritmos para até mesmo prever o que você deseja. E te manipular. Fala sobre "Capitalismo de Vigilância" e "Viés de negatividade". E não é coisa de chapéu de alumínio 😎

Sabe aquela conversa com um amigo que você teve e, de repente, aparece uma propaganda ou notícia relacionada no seu celular? Então, não é déjà-vu ou necessariamente porque estão ouvindo suas conversas (e pode até ser 😁), mas porque pesquisas, acessos, cliques, localização, histórico de navegação e uma infinidade de outras interações geram dados sobre seus interesses e comportamentos. E aí está a beleza (ou não) do negócio.

Você acessa muita coisa de graça, então de onde eles tiram o $$. Pois é, das informações que você mesmo fornece. Aos poucos, vão montando um avatar seu, juntando cada pedaço de informação e... Kabum! Conseguem prever interesses, comportamentos e até aquilo que prende sua atenção. Aí é vender as informações para anunciantes, e correr pro abraço. Quanto mais tempo você passa rolando a tela, mas $$ eles ganham.

Este tema dá pano pra manga e tem vários desdobramentos interessantíssimos. Caso tenha interesse, vale a pena a leitura, inclusive pelo modo recreativo como Johann Hari escreve. 😉

A partir daí, decidi fazer esta lista para vocês também mergulharem neste universo que, se não tiver cuidado, te leva pro buraco.

Quando falamos em Engenharia Social, é comum a conversa rapidamente chegar a phishing, e-mails falsos, links maliciosos, clonagem de WhatsApp e outros golpes digitais. Mas a Engenharia Social é bem mais antiga que a Internet.

Antes de alguém tentar invadir um sistema ou quebrar uma senha, talvez seja mais fácil convencer uma pessoa a abrir a porta. Observar uma rotina pode revelar uma vulnerabilidade. Conhecer um nome, um cargo, um fornecedor ou um procedimento pode ajudar a construir uma história convincente. E assim vai.

E é justamente aí que o cinema entra. Não porque Ocean's Eleven, Mission: Impossible ou Spy Game devam ser tratados como manuais de Segurança, mas porque vários filmes mostram, de maneira extremamente didática, princípios que encontramos na Engenharia Social: confiança, autoridade, pretexto, observação, influência, acesso e controle da informação. Ah... o filme Catch Me If You Can talvez seja uma exceção, e realmente prove ser um manual. 😶

E tem algo interessante: em muitos desses casos, a tecnologia nem é a principal vulnerabilidade.

E o Oscar vai para...

Spy Game (2001): Excelente! Robert Redford e Brad Pitt impecáveis! CIA, Oriente Médio, etc. Não tem como dar errado.

Mission: Impossible (1996): Excelente! Um dos melhores da série. Rústico por ser o primeiro. Informação e contrainformação na veia.

Enemy of the State (1998): Excelente! E que elenco! Interessante ver como a tecnologia de ponta era tão distante da que temos hoje.

The Conversation (1974): Bom. Agora entendo por que escolheram Gene Hackman para o papel no excelente Enemy of the State (1998). Tem o Harrison Ford novinho e o Robert Duvall... que nem aparece nos créditos.

Catch Me If You Can (2002): Bom! História real! E não se engane por se passar há tempos atrás. Muita coisa ali ainda se aplica. E o caloteiro Frank Abagnale chegou a trabalhar para o próprio FBI depois.

Inside Man (2006): Bom! Filme de assalto a banco sempre é legal!

Focus (2015): Legal. Puro Hollywood. Reviravoltas e jogos de atenção.

The Talented Mr. Ripley (1999): Legal, mas você vai passar nervoso, porque ele toma o lugar de outra pessoa. Insano.

The Social Network (2010): Legal! Voltado para Segurança da Informação, com foco na interessante história da criação do Facebook. E tem participação de brasileiro neste enredo.

Ocean's Eleven (2001): Legal. Entretenimento garantido. Lição de casa, estudos de rotina e planejamento.

Bônus:

Matchstick Men (2003): Não assisti ainda. Mas já entrou na fila. Nota IMDb: 7,2.

Onde assistir:

Netflix

  • Mission: Impossible (1996)
  • Inside Man (2006)

Amazon Prime Video

  • Spy Game (2001)
  • Inside Man (2006)
  • Ocean's Eleven (2001)

Disney+

  • Enemy of the State (1998)

HBO Max

  • Focus (2015)
  • The Social Network (2010)
  • Ocean's Eleven (2001)

Paramount+

  • Mission: Impossible (1996)
  • Catch Me If You Can (2002)

Arte Amazon Channel

  • The Conversation (1974)

Aluguel ou compra digital

  • The Talented Mr. Ripley (1999)
  • Matchstick Men (2003)
Abraço

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Quanto sua Segurança protegeu no ano passado?


“Em Deus confiamos. Todos os outros devem trazer dados.”
W. Edwards Deming

No artigo “Segurança: centro de custo ou geradora de valor?”, fiz uma pergunta que parecia simples: Quanto valor sua Segurança protegeu no ano passado?

A ideia era sair daquela velha discussão de que Segurança é apenas custo e começar a olhar para aquilo que ela realmente entrega ao negócio. OK, mas como você prova esse valor? Porque chegar numa reunião e dizer que “a Segurança está funcionando muito bem” não é exatamente um indicador. Assim como apresentar 12 mil rondas, 4 mil inspeções, 300 chachás confeccionados e 2 mil alarmes respondidos, também não resolve completamente o problema. Tudo isso pode ser importante, porém mede principalmente atividade. Demonstrar o que mudou porque fizemos tudo isso é "A chave para Rebecca" 🎬

Talvez o primeiro passo seja entender que o valor produzido pela Segurança não aparece sempre da mesma maneira. Para simplificar, vou separar em três grupos:

1. Valor realizado

Aqui a conversa é mais fácil, porque existe dinheiro que efetivamente pode ser demonstrado. Imagine uma investigação que identifica um desvio recorrente de R$ 40 mil por mês. O esquema é comprovado, interrompido e a perda deixa de acontecer. O indicador não pode ser somente: 01 investigação concluída.

Podemos demonstrar também o valor da perda identificada, o valor efetivamente recuperado e o impacto financeiro do desvio interrompido, tomando cuidado para não transformar projeção em dinheiro que já entrou no caixa.

Por exemplo: Durante uma apuração de fraude, R$ 300 mil em materiais foram desviados. A apuração permitiu recuperar R$ 220 mil.

Valor da perda: R$ 300 mil

Valor recuperado: R$ 220 mil

E se você sugeriu/realizou ações de mitigação para que não mais aconteça, e identificou que o esquema vinha produzindo perdas médias de R$ 220 mil mensais, então sua intervenção e interrupção do desvio projetada para os seis meses seguintes seria de aproximadamente R$ 1,3M.

Importante: trata-se de valor evitado estimado, e não de R$ 1,3 milhão efetivamente recuperados, já que essa recorrência, de padrão histórico, deixou de acontecer. E se apurou envolvidos, pode relacionar demissões, ações judiciais, etc. 

E não é tão complicado quanto parece. Comece com cada ocorrência. Salas abertas, veículos destrancados, luzes acesas, etc. Calcule valores razoáveis e defensáveis, e você pode capitalizar:

Pequenos ganhos X pequenos valores X muitas vezes/horas

O trabalho de formiguinha resulta em grande resultado no fim do ano 😉

Insight: Um Vigilante encontra uma sala destrancada. Ele registra a ocorrência, tira foto do interior e anexa. Se houver ativos identificáveis e valores patrimoniais disponíveis em uma base corporativa, você pode relacionar a exposição potencial aos ativos existentes. A IA pode ajudar a organizar, identificar e cruzar essas informações, mas o valor utilizado no indicador precisa ter uma base verificável e defensável.

Outra... Barrou a saída de um laptop na Portaria, registra, mensura... e assim vai.

Basicamente é ter bom senso e conseguir demonstrar cada valor apurado. Com o tempo e algumas caneladas o processo se acerta.

Difícil? Não. É só você deixar de preguiça e papirar um pouco. De 3 a 4 horas e seus indicadores estarão prontos. Cria aquele Power BI bizurado, que extrai direto da planilha básica Excel e corre pro abraço.👍

2. Valor operacional

Imagine uma operação que utiliza grande quantidade de horas extras para cobrir ausências, férias, treinamentos e necessidades extraordinárias da Segurança. Depois de analisar escalas, postos, horários e demanda operacional, a área reorganiza seus recursos e reduz 1.500 horas extras por ano, mantendo o mesmo nível adequado de proteção.

Quantas horas extras tínhamos? Quanto custavam? Quanto reduzimos? O risco permaneceu aceitável?

Se você tinha os dados anteriores, agora pode apresentar para Operações, RH, Finanças e Alta Gestão. É questão de organização e governança.

Outro exemplo é a Manutenção. A Segurança percebe que parte das solicitações emergenciais para entrada de técnicos acontece porque os processos de acesso são iniciados tarde demais. Em vez de medir somente quantos acessos foram liberados, começa a acompanhar as Solicitações emergenciais de acesso, Tempo médio de regularização, Reincidência por área solicitante e Impactos operacionais associados. Talvez o resultado seja descobrir que 70% das emergências vêm de três áreas e poderiam ser evitadas com planejamento. Você deixou de medir somente o que a Segurança fez e começou a medir aquilo que o processo revelou para o negócio.

Coloque isto em uma apresentação e veja a mágica acontecer.

3. Valor de risco

Aqui a conversa começa a ficar mais interessante... e também mais perigosa. Imagine que uma Avaliação de Risco identifica determinado cenário com exposição estimada de R$ 2 milhões. Após a implantação dos controles sugeridos por você, o risco é estimado cai para R$ 600 mil.

Exposição anterior → R$ 2 milhões

Exposição residual → R$ 600 mil

Redução estimada da exposição → R$ 1,4 milhão

A Segurança gerou valor? Claro que sim. Entraram R$ 1,4 milhão no caixa? Não. E esta diferença precisa ficar muito clara.

Em outra situação, uma área apresenta 20 ocorrências relevantes por trimestre. Depois de analisar causas, horários, locais e vulnerabilidades, Segurança e Operações implantam controles e o número cai para oito. Você pode acompanhar a Frequência de ocorrências, Severidade, Reincidência, Exposição associada e Eficácia dos controles. 

E não precisa colocar $$ em tudo. Aliás, colocar dinheiro onde não existe uma base minimamente defensável pode fazer o indicador perder credibilidade.

E os intangíveis?

Aqui temos um grande desafio. Confiança dos empregados. Sensação de segurança. Reputação. Capacidade de resposta. Credibilidade junto à Alta Gestão. Qualidade do relacionamento com comunidades/autoridades. Cultura de prevenção. Tudo isso pode ter valor enorme e, ao mesmo tempo, ser muito difícil de transformar diretamente em $$. Mas difícil de monetizar não significa impossível de medir.

Uma pesquisa de percepção pode acompanhar a confiança dos empregados na Segurança. Exercícios de crise podem medir tempo de mobilização e capacidade de resposta. Auditorias podem mostrar evolução de maturidade. Pesquisas com clientes internos podem indicar se a Segurança está facilitando ou dificultando processos. 

Talvez você não consiga dizer que a confiança dos empregados gerou R$ 850 mil, e tudo bem. Mas você pode demonstrar que a percepção positiva passou de 62% para 84%, que o tempo de mobilização da equipe de crise caiu de 25 para 11 minutos ou que a reincidência de determinada vulnerabilidade caiu 60%.

Lembre-se: O importante é não misturar as coisas. 😎

Dinheiro recuperado é uma coisa. Custo efetivamente reduzido é outra.

Perda evitada e produtividade preservada são situações diferentes.

Redução da exposição ao risco e valor intangível são categorias ainda mais delicadas e desafiadoras.

Se colocarmos tudo na mesma cesta e chamarmos de “economia gerada pela Segurança”, podemos produzir um número enorme... e uma credibilidade bem pequena.

Então quais KPIs devo utilizar?

A resposta que ninguém gosta: Depende.

Do negócio, dos ativos críticos, dos riscos, da operação e principalmente daquilo que a Alta Gestão precisa saber para tomar decisões. Mas talvez exista uma regra simples. Pegue um dos seus indicadores e pergunte repetidamente: E daí?

Realizamos 3.000 rondas.

E daí?

Identificamos 180 anormalidades. Melhorou.

E daí?

140 foram corrigidas antes de se transformarem em incidentes. 

Agora começamos a conversar. 😉

E quais eram os riscos? Quais áreas concentravam as anormalidades? Quais eram reincidentes? Quanto tempo demoramos para corrigir? Alguma delas poderia interromper a operação, causar uma perda ou atingir pessoas? Pronto. O número começou a virar informação. E a informação começou a virar decisão.

Avalie. Talvez o desafio não seja criar mais KPIs. Talvez seja conectar melhor os indicadores que já tem às consequências que realmente importam para o negócio.

E dá para calcular o retorno da Segurança?

Se começamos a falar em valor, inevitavelmente vamos chegar a duas siglas:

ROI — Return on Investment, ou Retorno sobre o Investimento.

ROSI — Return on Security Investment, ou Retorno sobre o Investimento em Segurança.

Parece simples: comparar aquilo que investimos com o benefício produzido. Mas imagine que a empresa investe R$ 300 mil em controles para reduzir um risco que poderia causar uma perda de R$ 3 milhões. Só que a perda não acontece. Então a Segurança gerou R$ 3 milhões?

Calma lá, Combatente. 😁

Como demonstrar quanto daquela perda realmente foi evitada? Qual era a probabilidade de o evento acontecer? Quanto o novo controle efetivamente reduziu essa probabilidade? E como separar dinheiro recuperado, custo reduzido, exposição evitada e valor intangível sem criar um número bonito, porém artificial?

A Segurança não decide sozinha quanto risco a organização aceita. Ela ajuda a estruturar essa conversa. É aí que ROI e ROSI começam a ficar realmente interessantes.

O que fica permanece é responder se é possível para calcular o retorno financeiro de algo que não aconteceu.

Mas isto é para um próximo artigo... 

Abraço

Referências:

From Hard Numbers to a Value Proposition: Crafting a Story for the C-Suite with Metrics

Metrics to Make Security Shine Beyond the Numbers

Security Metrics Evaluation Tool (Security MET)

Quantitative Risk Analysis — NISTIR 8286

Factor Analysis of Information Risk (FAIR) Standard v3.0


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