Checklist de Segurança - Protection of Assets (POA)
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Checklist de Segurança — Protection of Assets (POA)

Uma visão abrangente da Gestão de Segurança, organizada a partir do Protection of Assets (POA), com foco em governança, riscos, proteção, investigações, continuidade e geração de valor para o negócio.

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Do Projeto à Operação: E a Segurança?

A única constante é a mudança

Heráclito

Projeto chegando ao fim e a Operação vai começar. A primeira reação da Segurança pode ser manter estruturas, controles, contratos e recursos que funcionaram até aqui. Mas será que a Segurança que protegeu o Projeto é a mesma que o negócio precisará amanhã? O Budget será o mesmo? O CAPEX? As condições para obtenção e aplicação dos recursos terão a mesma dinâmica? Perguntas complicadas, certo? E como adequar tudo isso à realidade de que baixo orçamento não significa baixa Segurança?

Projeto e Operação possuem riscos, ativos, pessoas e prioridades diferentes. A Segurança precisa proteger o presente sem construir uma estrutura que já nasça inadequada para o futuro. 

Dica: Para novas estruturas, processos ou equipamentos, pense no médio e longo prazo. Incrementar algo que não suporta o futuro é bem mais complicado. Imagine a Hiperconectividade, ou aquele Centro de Controle projetado para 100 câmeras, mas que, em dois anos, precisará suportar 500, ou até 1.000 em cinco anos. Ou aquele controle de acesso, etc. É nesse momento que uma pergunta se torna fundamental:

O que termina, o que muda e o que permanece?

Projeto acabando × Operação começando

Não se engane. São ambientes diferentes. Isto me lembra quando ocorreu a troca de comando no 2º BPE, lá em 93/94. Um dos Oficiais disse: "Moscone, vai mudar tudo!". Não acreditei. Como pode um Quartel, todo padronizado, sofrer mudanças significativas? Pois é, mudou. E muito. Horários, rotinas, metodologia, metas, postura, prioridades, etc. Em UMA SEMANA eu estava em outro Exército, e bem melhor 😁

No final do Projeto, você pode ter muitos terceiros, obras, materiais, equipamentos, acessos temporários, mudanças constantes e elevada movimentação. Furto, controle de acesso, conflitos e movimentação de materiais podem ocupar boa parte da atenção da Segurança.

Quando começa a Operação, parte desse volume diminui, mas outros riscos ganham importância: processo produtivo, ativos críticos permanentes, produto acabado, logística, continuidade, informação, fraude, ameaça interna, etc. Portanto, seria um erro simplesmente transformar toda a Segurança do Projeto em Segurança da Operação. Só que, antes de atravessar essa ponte, precisamos fazer algumas perguntas:

Qual é o risco desta transição e qual é a linha vermelha que não pode ser cruzada?

O que pode entrar em Operação mesmo sem estar 100% pronto e o que hoje é provisório, mas deverá ser definitivo?

Onde estão as passagens de responsabilidade entre Projeto e Operação?

Se eu pudesse resolver apenas uma coisa para cada área nos próximos 90 dias, qual seria?

Qual cenário externo poderia parar a Operação por 24, 48 ou 72 horas?

Se alguma coisa acontecer nesse primeiro mês, quem responde, em quanto tempo e existe ao menos um plano básico de contingência?

Essas respostas começam a mostrar qual Segurança precisa terminar junto com o Projeto e qual precisa nascer junto à Operação.

A ponte

De um lado está a Segurança que o Projeto precisa hoje. Do outro, a Segurança que a Operação precisará amanhã. E as duas não são necessariamente iguais.

Os ativos começam a ser comissionados, a população muda, alguns acessos desaparecem e determinadas estruturas temporárias deixam de fazer sentido. O próprio perfil de risco altera, e isso também afeta a maneira de pensar os investimentos.

Do outro lado da ponte está a Operação. Agora falamos de produção, ativos críticos permanentes, produto, processos essenciais e continuidade do negócio. O efetivo tende a ser mais estável, os procedimentos precisam refletir a nova realidade e a tecnologia começa a fazer parte de uma arquitetura de Segurança mais definitiva.

E olha, tem cada pergunta interessante. Por exemplo: “Isto continuará existindo?”

E serve para muita coisa: vias no site, procedimentos, equipamentos, etc. E, se for continuar, talvez seja melhor investir agora em algo que também possa ser aproveitado pela futura Operação.

Eu resumiria em três pontos:

No Projeto: O que preciso proteger agora?
Na transição: O que vai mudar e o que continuará existindo?
Na Operação: O que pode parar o negócio?

Poucos recursos: priorizar capacidade, não quantidade

Aqui entramos no orçamento. Quem já viveu o Projeto e a Operação entende as mudanças radicais nos investimentos e centro de custo. Para aqueles que não conhecem, antes de perguntar “quantos vigilantes?”, “quantas câmeras?” ou “quanto temos de orçamento?”, você presisará entender:

Quais são os cinco cenários capazes de causar maior impacto ao negócio agora?

Quais deles continuarão existindo na Operação?

A partir daí, separar:

Risco somente do Projeto: Controle temporário
Risco da transição: Controle flexível
Risco permanente da Operação: Investimento pensando no futuro

Imagine um acesso temporário de obra que desaparecerá daqui a seis meses. Talvez não faça sentido instalar ali um sistema sofisticado. Mas, se aquele mesmo ponto será o acesso logístico definitivo da planta pelos próximos 15 anos, muda tudo.

O CAPEX de hoje na arquitetura de Segurança de amanhã

Aqui é onde a Segurança gera valor. Sendo eficaz, eficiente e sustentável! Porém é sempre bom relembrar os conceitos:

Eficácia: O controle reduz o risco?

Eficiência: Consegue fazer isso utilizando adequadamente dinheiro, pessoas, tecnologia e tempo?

Por exemplo, um posto com quatro vigilantes pode ser eficaz, porém talvez não seja eficiente. Uma câmera sem capacidade de detecção e resposta pode ser barata, mas talvez não seja eficaz.

É sustentável? Olha aí outra questão da Segurança moderna. Em ambientes críticos, no meu entendimento, isso é fundamental. Não adianta implementar uma melhoria frágil, que a empresa não consiga manter, repor ou sustentar por um período razoável. Um excelente controle que deixa de funcionar por falta de manutenção pode rapidamente deixar de ser um controle e se tornar uma enorme vulnerabilidade. E convenhamos, quase nunca é possível manter tudo isto devido às necessidades de sobrevivência financeira do negócio.

Receita de bolo: O controle funciona hoje, cabe no orçamento e continuará fazendo sentido quando a Operação estiver estabilizada? Se responder a essas três perguntas-chave, tem futuro 😂

Nem todo risco precisa ser eliminado

A Segurança, culturalmente, tem a mania de tentar resolver tudo ou pensar que pode evitar todos os riscos. Com recursos limitados, a Segurança não consegue, e nem deveria tentar, eliminar todos eles. Uma boa prática é identificar 30 vulnerabilidades e categorizá-las:

05 são críticas: Tratar agora
10 são importantes: Plano de transição
10 podem ser monitoradas: Aceitar temporariamente
05 desaparecerão com o fim do Projeto: Talvez não faça sentido investir

Bem mais executivo, certo? Apesar de você achar que ter uma lista de 30 problemas e 30 pedidos de investimento é sinônimo de um Gestor que controla o processo, levar essa lista ao Diretor não é interessante. E pior, pode parecer que você não entende o negócio ou não sabe estabelecer prioridades. A conversa deve passar a ser: “Estes cinco precisam de recursos agora. Estes conseguimos controlar operacionalmente. Estes podemos aceitar temporariamente. E nestes não recomendo investir porque desaparecerão com o Projeto”. Isso é Gestão de Risco, e não apenas Segurança Patrimonial.

Segurança não pode ser adversária do negócio

Na transição, é um risco a Segurança ficar tão preocupada em controlar que começa a criar dificuldade para produzir. Fique atento. Fila de caminhões, demora no acesso, burocracia para prestadores, autorizações excessivas, inspeções duplicadas... Quanto risco estou reduzindo e quanto atrito estou criando ao negócio?

Se consigo reduzir o mesmo risco com menos atrito, encontrei valor. Isso pode significar integrar cadastros, antecipar autorização de fornecedores, automatizar acessos, definir por risco quem realmente precisa de inspeção adicional ou concentrar pessoas justamente onde julgamento e capacidade de resposta agregam mais valor.

Antes de investir, faça a lição de casa

Para aprovar pessoas, processos ou equipamentos, eu faria cinco perguntas:

1. Qual risco estou tratando?
2. Qual consequência estou evitando?
3. Preciso disso agora?
4. Isso continuará sendo necessário na Operação?
5. Existe uma solução que resolva o presente e possa ser aproveitada no futuro?

E vou mais longe, pense nisto quando for defender seu orçamento. Por exemplo: Transformar CAPEX de Segurança em investimento com ciclo de vida e finalidade, e não em um amontoado de equipamentos (Drone, câmera, cadeado eletrônico, etc.).

Um olho no peixe, outro no gato

É ter atenção ao risco de hoje e à Operação de amanhã. No fim do Projeto, talvez uma das piores decisões seja não investir porque “o Projeto está acabando”. Mas outra decisão igualmente perigosa pode ser continuar investindo como se o Projeto nunca fosse acabar. O trabalho da Segurança está justamente no meio.

Gerar valor com poucos recursos não é fazer Segurança barata. É colocar o recurso certo, no risco certo, no momento certo, sem perder de vista o negócio que existirá amanhã.

Abraço

Referências:

ISO 31000:2018 – Risk Management — Guidelines

ISO – Risk Management: The Basics

CISA – Physical Security Performance Goals

NIST SP 800-37 Rev. 2



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Filmes e séries: Linguagem corporal — você sabe interpretar os sinais?

"O que você vê é tudo o que há"

Daniel Kahneman

A frase de Kahneman é legal, mas não se engane: a vida real é bem mais complicada.

Quem nunca ouviu que uma pessoa de braços cruzados está “fechada” para a conversa? Ou que alguém que evita contato visual provavelmente está escondendo alguma coisa?

Durante uma conversa ou entrevista, percebeu que a pessoa começou a mexer as pernas, levou a mão ao rosto, mudou de posição na cadeira ou desviou o olhar, justamente quando você fez aquela pergunta mais complicada. "Viu? mentindo!"

Calma aí, Jack Bauer. Braços cruzados podem significar resistência, mas também significar frio. Tem apurador que deixa a sala gelada pra gerar desconforto, e aí não quer que o entrevistado cruze os braços?! 😂 Assistir filmes não siginifica que você vai colocar tudo aquilo em prática, tenha bom senso.

Desviar o olhar pode acontecer diante de uma mentira, mas também por vergonha, ansiedade, medo, respeito, esforço para lembrar de alguma coisa ou até por características culturais. O Malawiano, por exemplo, sorri em situações estressantes ou de conflitos. Eles entendem (E realmente funciona muito bem) que isto facilita a resolução do conflito. Por isto o Malawi é chamado o coração da África. O complicado é um Europeu ou um Latino ententender isto no momento do calor da apuração. Já o Moçambicano tem uma postura diferente sob pressão, e assim vai. Até a colonização dos países, localização e cultura devem ser levadas em conta.

Séries e filmes popularizaram a ideia de que podemos “ler” uma pessoa observando alguns sinais. Mais ou menso o que o cinema fez com os Americanos, onde todos parecem possuir as habilidades do Rambo, FBI, SEALs, etc. 😂 

Em Lie to Me, uma microexpressão parece suficiente para revelar aquilo que alguém tenta esconder. Em The Mentalist, os pequenos comportamentos ou informações do ambiente possibilitam que o carismático protagonista praticamente entre na cabeça das pessoas. E quem gosta de Mindhunter certamente já prestou atenção nos silêncios, nas mudanças de postura e na maneira como os entrevistadores constroem a conversa.

Na Segurança, principalmente para quem trabalha com apurações e entrevistas, observar o comportamento pode trazer informações importantes. O problema começa quando transformamos uma observação em diagnóstico. Não existe um gesto universal que, sozinho, prove uma mentira. O comportamento precisa de contexto, comparação e investigação. E talvez essa seja a parte mais perigosa: quando acreditamos demais na nossa capacidade, podemos começar a procurar no comportamento da pessoa apenas aquilo que confirma o que já decidimos acreditar.

Uso a Linguagem corporal como ferramenta, e das boas, mas não como um detector de mentiras. De fato, prefico perguntas mais inteligentes e estratégicas, conectar os pontos, desenvolver a conversa, e aplicar o tempo certo para tudo isto durante uma entrevista. Montar o quebra-cabeça. Afinal, como diz o Dr. House: "Todo mundo mente". A linguagem corporal entra para ajudar, mas não é a 1ª linha de ação.

Dica: Não se deixe envolver totalmente pela licença poética da película ou emoção do enredo. Aproveite, mas mantenha o foco naquilo que realmente pode funcionar na vida real e dentro das suas habilidades que poderão ser treinadas.

De qualquer forma, aprender se divertindo é sempre interessante. Então aqui vão algumas escolhas do cinema mundial:

Lie to Me (2009–2011): Legal. Comecei, mas não acabei. Tenho que retomar.

The Mentalist (2008–2015): Excelente! Tanto pelo entretenimento quanto pelos insights que podemos tirar dela. Passa dicas de observações realmente boas. Só que um poquinho em a cada episódio.

Mindhunter (2017–2019): Bom! Só não é excelente porque a 2ª temporada foi fraca. Real e impressionante. Época onde este ramo da ciência ainda engatinhava no FBI.

House M.D. (2004–2012): Excelente. Já vimos completa 2 vezes.

24h (2001-2010): Excelente. Já assisti três vezes (192 episódios, mais os puxadinhos que vieram depois)! E nela o Jack Bauer faz de tudo! 

The Silence of the Lambs (1991): Excelente! Se você não assistiu, é um dos poucos no mundo 😂

Basic Instinct (1992): Excelente. O interrogatório com a Sharon Stone... impossível você não ter visto ao menos a cena da cruzada de pernas! 😆

A Few Good Men (1992)Excelente! Mais conhecido como "Questão de Honra" no Brasil. E o elenco? Show! E aquele truque durante o julgamento, para conseguir a confissão, já fiz parecido em uma entrevista... e funcionou!

The Usual Suspects (1995): Excelente! E com final surpreendente.

Under Suspicion (2000)Excelente! O filme evolui de uma conversa, para entrevista... e por fim interrogatório. Pura aula!

12 Angry Men (1957): Bom! Para observar comportamento, persuasão, pressão do grupo, vieses e mudança de opinião.

Primal Fear (1996): Legal. Minha avaliação IMDb foi 7, mas confesso que não lembro da história.

Onde assistir:

Netflix

  • Mindhunter (2017–2019)
  • Basic Instinct (1992)

Amazon Prime Video

  • The Silence of the Lambs (1991)
  • House M.D. (2004–2012)

HBO Max

  • A Few Good Men (1992)
  • House M.D. (2004–2012)

MGM+

  • 12 Angry Men (1957)
Disney+
  • House M.D. (2004–2012)
  • 24 (2001–2010)
Universal
  • House M.D. (2004–2012)

Aluguel/compra digital

  • The Silence of the Lambs (1991) — Apple TV / Amazon
  • A Few Good Men (1992) — Apple TV / Amazon
  • 12 Angry Men (1957) — Apple TV / Amazon

Indisponíveis atualmente no Brasil

  • Under Suspicion (2000)

Disponibilidade a verificar

  • The Usual Suspects (1995): As fontes consultadas apresentam informações divergentes sobre a disponibilidade atual no Brasil.
  • Lie to Me (2009–2011): Não está disponível no streaming do Brasil. 

Abraço



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Segurança: Centro de custo ou geradora de valor?

O risco vem de não saber o que você está fazendo
Warren Buffett

Fim de ano chegando, planejamento do orçamento batendo à porta... e então, numa conversa de corredor entre Gestores, surge a pergunta: Quanto sua Segurança custou no ano passado?

Antes de responder, sugiro que você se faça uma outra pergunta a si mesmo. Talvez sua resposta àquela pergunta do inadvertido Gestor, mesmo que informalmente, seja mais efetiva do que apenas tagarelar valores.

Então... Quanto valor sua Segurança protegeu no ano passado?

A resposta é bem mais complicada, não é? E sim, este valor deve ser mensurado, inclusive pensando nos intangíveis. 

Conviver com resultados financeiros é relativamente simples para outras áreas, mas para a Segurança Empresarial, a resposta não é tão fácil assim. Estabelecer KPIs estratégicos e que agreguem valor ao negócio, além de fundamental, é desafiador.

Na administração moderna, só achar que você sabe não atende à demanda, e ainda pode te queimar. Sabe aquela conversa de que "Não basta Maria parecer santa, tem que mostrar", então... É necessário entender o negócio e ligar os pontos onde a Segurança, seja ela Empresarial ou Patrimonial, pode realmente apresentar resultados que saltem aos olhos da Alta Gestão.

A Segurança vem passando por esta mudança de paradigma: sair do papel de executar controles ou do "porque a Segurança sempre foi assim", para atuar como parceiro do negócio, entendendo ativos críticos, consequências, riscos e decisões.

Em pesquisa da ASIS de 2025, 61% dos profissionais enxergam a Segurança principalmente como facilitadora do negócio, mas apenas 34% dos que mediam ROI utilizavam KPIs quantitativos.

Como resolver?

Provavelmente você está esperando aquela listinha dizendo onde geramos valor, não é? Calma lá, Combatente. Vamos começar de uma maneira diferente. 1º é fazer a lição de casa!

Onde a Segurança NÃO gera valor?

Segurança deixa de gerar valor quando o custo, esforço ou impacto de um controle não mantém relação razoável com o risco que ele reduz ou com o negócio que ele protege.

Bonito, né? Mas complicou. E não precisa voltar lá pra ler. Vamos simplificar. 😁

Imagine gastar R$ 300 mil para proteger um ativo de R$ 50 mil contra um risco de baixa probabilidade. O controle pode funcionar perfeitamente e, ainda assim, não fazer sentido para o negócio.

Agora imagine os mesmos R$ 300 mil protegendo uma operação que pode perder milhões de reais por dia se parar. O mesmo investimento passa a ter uma lógica completamente diferente.

E custo não é apenas dinheiro. Um controle pode aumentar filas, atrasar processos, exigir pessoas, reduzir produtividade ou dificultar uma operação. Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “este controle funciona?”, mas também “Quanto risco estou reduzindo e quanto atrito ou gargalo estou criando?”.

Sei que você entendeu, mas, para o meu nível de intelecto, não ficou claro. Então aqui vai um exemplo explícito:

Imagine uma bomba de abastecimento de veículos e equipamentos dentro do site. Durante uma inspeção, a Segurança bloqueia o equipamento porque o operador (Frentista) não possui treinamento para a atividade. A operação de abastecimento é interrompida até que a condição seja regularizada. O problema é que a consequência não termina na bomba. Os primeiros veículos chegam e não conseguem abastecer. Forma-se uma fila. Caminhões, máquinas de carga e outros equipamentos. Em 20min, parte da frota trava. Sem os caminhões, o produto deixa de ser transportado; equipamentos ficam ociosos; dependendo da duração, a produção e a entrega serão afetadas. 

Uma decisão tomada em um ponto aparentemente simples da operação pode chegar ao resultado do negócio. "Mas o processo tinha que ser interrompido!", blá, blá, blá. Sim. E é aí que você entra. Você fez sua parte como Segurança, mas deve pensar no negócio, lembra? A partir deste momento, você passa a fazer parte da solução, e até a pergunta muda: "Conseguimos voltar a abastecer, porém de uma maneira segura?". Parece básico, mas fazer o profissional de Segurança entender isto... não é tão simples assim. Se serve para alguma coisa, nas demais áreas também acontece isto.

E como resolvemos o problema acima? Buscar outro empregado que possua o treinamento necessário, direcionar o fluxo para outra bomba no site, etc. Pense e ouça. E nossa participação só acaba quando houver uma definição: o processo volta a funcionar de maneira segura ou permanece interrompido por decisão dos responsáveis, neste caso, a Alta Gestão. O que não pode é a situação ficar sem definição. E isto se estende para outros processos mais comuns de Segurança, como caminhões parados na Portaria, visitantes ou entregas aguardando a área aparecer, etc.

Outro exemplo interessante vem do meu companheiro de profissão Orlando Sá, Executivo de Segurança, Facilities e Gestão de Crises. Ele usa o exemplo da ferrovia para mostrar de forma muito clara como um evento localizado pode produzir consequências muito maiores para o negócio. Com a paralisação da linha, o produto deixa de seguir, acumula-se na origem e pode faltar na outra ponta para carregamento e embarque. Este é um daqueles recortes que valem a pena, porque Orlando Sá deixa tudo mais fácil de entender.

O Gestor de Segurança que tem esta postura traz o conhecimento tácito para o negócio, identificando onde podemos facilitar e em quais processos tudo isto se encaixa, retorno/redução de gastos, e mais... como sua visão holística e a percepção da sua Equipe produzem novas formas da Segurança agir como facilitadora.

Segurança que gera valor não é necessariamente a mais cara ou a mais barata. É aquela proporcional ao risco e ao negócio que precisa proteger. E não se engane, isto tudo pode acontecer mesmo com uma operação de Segurança aparentemente excelente.

Gerar valor não é fazer mais. É fazer melhor!

No Exército se pratica muito isto. Fazer melhor com os recursos disponíveis; que não são muitos. E aqui podemos trabalhar em três blocos:

Processos: Aquele Procedimento que ninguém utiliza, Controles duplicados, Avaliação de Risco de gaveta;

Pessoas: Vigilante mal distribuído, Equipe reativa, Segurança fazendo trabalho de outra área, Liderança medindo presença;

Equipamentos/Tecnologia: Câmera que ninguém monitora, Excesso de alarmes ou ruídos (Disparos falsos), Sistema sem integração, Tecnologia moderna, mas sem finalidade.

Quando a pergunta é mais importante que a resposta

Já disse isto várias vezes nos meus artigos, e realmente é o que faz a diferença. Veja o exemplo do seu Diretor ou CEO, sempre com aquela pergunta que enrosca o Gestor. Porém, não espere o questionamento, faça-o para si mesmo, para cada processo. 

Qual risco este controle está tratando? Qual ativo/processo crítico ele protege? Qual cenário de perda estamos evitando? Qual seria a consequência para o negócio? Quanto esse controle custa? Quanto ele reduz a exposição? Existe alternativa mais eficiente? Basicamente é o que uma boa Análise de Risco questiona. Se as três primeiras perguntas já são um desafio, acenda uma luz amarela, ou até vermelha. 😡

Por onde começar?

Inicie pelas consequências para o ativo e para o negócio, depois pelas ameaças e pelos controles necessários. Um exemplo muito bom é o posto de vigilância:

Imagine um posto com dois vigilantes 24/7. Por que esse posto existe? Porque sempre existiu.

Então... faça o caminho inverso. O que ele protege? Portão X. Contra quê? Entrada não autorizada. Qual a exposição? Pessoas e veículos podem alcançar uma área crítica. Ele reduz esse risco? Sim. Precisamos realmente deste modelo? Talvez...

Opa! Agora aparecem alternativas: vigilante + tecnologia, controle remoto, automatização, alteração física do acesso, integração com CFTV, etc.

E a situação pode evoluir:

4 postos → R$ 2 milhões/ano

Redesenho → 2 postos + tecnologia → mesmo ou menor risco residual → R$ 1,3 milhão/ano

Nesse caso, a Segurança gerou valor não simplesmente porque cortou vigilantes, mas porque manteve o nível adequado de proteção usando menos recursos.

Em outra situação, uma câmera de R$ 20 mil pode não gerar valor nenhum. E o vigilante de R$ 150 mil/ano pode gerar enorme valor. Imagine uma área remota em que o vigilante identifica uma tentativa de invasão, um vazamento, uma condição insegura ou movimentação anormal, e aciona imediatamente a resposta? E veja como são as coisas: Lembra o exemplo da bomba de combustível? Então, o padrão pode se aplicar aqui.

A verdade é que não tem receita de bolo, mesmo eu adorando checklists. Tecnologia não significa eficiência, nem mão de obra, custo. Não funciona assim, e essa distinção é fundamental. 😉

Segurança pode destruir valor

A Segurança pode reduzir determinado risco e, simultaneamente, prejudicar o negócio. Como assim! 😮 

É que eficiência do controle e valor para o negócio não são a mesma coisa. A literatura de métricas de Segurança recomenda olhar não apenas para a proteção, mas também para perdas evitadas, recuperação de perdas, eficiência de custos e impactos sobre o negócio. Então vamos lá:

Imagine um controle de acesso “excelente” que demora oito minutos por caminhão:

200 caminhões/dia × 8 minutos = 1.600 minutos de espera diária.

A Segurança pode apresentar: “100% dos veículos inspecionados”

Operações pode apresentar: “Perdemos centenas de horas por mês esperando a Segurança”

O KPI de Segurança está verde. O resultado empresarial pode estar vermelho.

Um controle pode funcionar perfeitamente e ainda assim não gerar valor. Por isto é tão importante estar alinhado com as áreas, Alta Gestão e, principalmente, com o negócio.

O vigilante produz valor

Não adianta você querer que as áreas entendam seu processo ou suas finalidades da mesma maneira que você entende. Nem você entenderá os deles como eles mesmos. Por isto é tão necessária a aproximação da Segurança com as áreas. Explique a Segurança, venda, gere empatia, nas duas direções.

Por exemplo, o vigilante observa diariamente pessoas, veículos, comportamento, iluminação, cercas, vazamentos, portas, equipamentos, fornecedores e anormalidades. Sempre foi os olhos e ouvidos da Segurança. Mas para o Gestor de outra área, em geral, o Vigilante “fica no posto”, e para alguns, "ele não faz nada".

Por outro lado, se existe um processo para transformar aquilo que o Vigilante observa em informação útil, ele se torna um sensor humano da organização. E pode alimentar Segurança, Safety, Facilities, Operações e até apurações. Aí vai de você saber apresentar aos seus parceiros e à Alta Gestão o produto gerado pela Segurança.

Segurança gerando informação para decisão

Um SOC que simplesmente recebe 5.000 alarmes é custo, e ruído. Porém, imagine que os dados de Segurança começam a mostrar os furtos em determinado horário, dia da semana, em certo fornecedor, acessos anormais, ocorrências concentradas, aumento progressivo de incidentes, etc.

A Segurança deixa de registrar “ocorrências” e começa a entregar informação para decisão. Inteligência e estratégia. E tudo isto já está lá, é só você entender, consolidar e correr pro abraço!

CAPEX de Segurança

A Segurança moderna necessita utilizar a linguagem do negócio. A pergunta deixa de ser “quanto custa a câmera?” e passa a ser “qual exposição estamos diminuindo?”. Passar do "Precisamos de R$ 800 mil para melhorar o CFTV" para “Temos R$ X de exposição anual nesta área. Essa solução reduz determinados cenários de perda, melhora nossa capacidade de detecção e investigação e reduz o risco residual para Y.”

Por outro lado, toda redução de custo gera valor? Não. Imagine reduzir postos de vigilância e economizar R$ 1 milhão por ano, mas aumentar a exposição a perdas em R$ 4 milhões. A Segurança ficou mais barata, mas destruiu valor. Entre a Cruz e a Espada; mas tudo isto depende de como você se prepara, antecipa.

Quando a Segurança funciona bem, parece que nada aconteceu

Produção não parou. Carga chegou. Executivo viajou e voltou. Informação não vazou. Produto não desapareceu. Crise não escalou. E é exatamente isto que você quer. Quanto menos a Segurança for acionada, melhor será seu trabalho. E mais, valor foi preservado.

Uma Segurança madura defende que “Se uma hora parada custa R$ 500 mil e uma ação de Segurança reduz significativamente a probabilidade de interrupção, é de custo que devemos falar?” ou "Qual o valor do evento que NÃO aconteceu?".

E o “Sim, desde que...”

A empresa quer entrar numa região de risco elevado. A resposta mais simples seria proibir. Uma Segurança orientada ao negócio identifica ameaças, estabelece controles, define risco residual e cria condições para a operação acontecer. A Segurança não protegeu a empresa do negócio, porém ajudou a fazer o negócio com risco conhecido e controlado. 

O situação acima é bem Corporativa, contudo o Gestor de Segurança deve ter habilidade de transferi-lo para sua realidade. Por exemplo, um fornecedor precisa acessar uma área para reparar um equipamento crítico, mas ainda existe uma pendência no processo de acesso. Barrar pode parar a operação; liberar sem controle aumenta o risco. “Sim, desde que...” a necessidade seja confirmada, a identidade validada e sejam estabelecidos controles adequados para aquele acesso. A Segurança não eliminou a regra. Entendeu o risco e encontrou uma forma segura de viabilizar a operação.

Afinal, a Segurança é centro de custo ou geradora de valor? Talvez seja as duas coisas. Ela sempre terá um custo. A questão é saber se conseguimos demonstrar o que a empresa recebe em troca dele.

Fontes:

UNDERSTANDING THE EVOLVING ROLE OF SECURITY - ASIS 2025

ASIS — How to Measure Your Security and Resilience ROI

ASIS — Enterprise Security Risk Management Guideline

ASIS — How to Implement ESRM

Artigo LinkedIn - Orlando Sá

Abraço




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