7 de setembro

Cia de Escolta e Guarda - 7 de setembro de 1993
Formação "Em cunha"
Após passar pelo Curso de Oficiais, realizar os estágios (O Preso e Goniômetro Bússula), e o diabo a 4, fui designado para servir no 2º BPE (2º BPE) no início de 1993, sendo incumbido de assumir o Comando do 2º Pelotão da Cia de Escolta e Guarda. Aquele ano não foi muito bom pra mim dentro das fileiras do Exército, porém “aquilo que não te mata te fortalece”, e o restante da minha carreira seguiu com relativa tranquilidade depois da excessiva pressão que sofri durante aquele período. Mas o ano de 93 será assunto para outros posts. Neste eu quero falar sobre meu primeiro 7 de Setembro como Oficial do Exército Brasileiro, ok?

Éramos num total de 4 Oficiais na Companhia de Escolta e Guarda: Ten Felipov (Comandante de Cia), Ten Alves, Ten Oliveira e Ten Moscone, estes últimos como Comandantes dos 3 Pelotões de PE. Ocorre que os 3 primeiros eram também Motociclistas Militares (Batedores) e realizariam diversas escoltas durante o desfile, ou até mesmo desfilar motorizados, não sei, o que sei é que sobrou pro Aspira aqui Comandar a Cia durante o desfile.

Não sei de quem foi a idéia, mas gosto de pensar que foi minha, de desfilar em formação de CDC ou se preferirem por extenso, Controle de Distúrbio Civil. Meu amigo Varga dizia que na verdade queria dizer “Cara De Caraio”, mas vamos lá. Treinamos que "nem uma porra" pra esta solenidade e durante os treinamentos cheguei à conclusão que a única maneira da Tropa ouvir os comandos de mudança de formação era através de silvos de apito. Algo como 3 silvos curtos, em cunha, 2 silvos curtos, em linha, e assim por diante...

Dias antes do desfile fui pego em uma das armadilhas do destino... estaria de serviço (Rotina Militar) no dia 06 de setembro. Alguns até diriam "Azar Militar!".

- Sem problema... eu agüento. Sou fudidão! – Pensei.

Triste engano. Naquele serviço choveram alterações e consegui dormir apenas umas 2 horas, já que as 03:30 h. deveria estar de pé para iniciar a preparação da Tropa para o desfile. Eu era acostumado a aguentar o tranco de ficar sem dormir, porém esta missão seria diferente de todas as outras com que eu estava familiarizado.

Tudo corria bem e eu estava legal, porém quando entramos na Avenida Tiradentes eu resolvi iniciar as mudanças de formação e... um silvo de apito... dois silvos de apito... três silvos de apito... e tudo apagou! Não sei explicar, mas acho que caminhei naquele momento uns 10 passos da minha vida totalmente em “off”. Lembro-me apenas de acordar durante o desfile, no meio da formação e como se fosse em um filme sabe, tipo quando explode uma bomba e o cara fica surdo, desnorteado e aos poucos vai voltando? Então... quando retornei a Tropa já estava até em outra Formação. O incrível é que tudo isto aconteceu comigo ainda marchando.

Quando me recuperei procurei com o olhar o Sgt Witzel, 2º na cadeia de Comando, e que seria o responsável por conduzir o grupamento caso eu sucumbisse aos anseios do desmaio. O cara tinha percebido o que acontecera e estava com uma cara que jamais esqueci... aproximei-me e...

- Witzel... você viu aquilo?

- Que porra aconteceu? O Sr. apagou? – Perguntou ele, ainda atônito.

- Se liga aí... se rolar de novo você assume.. não pare de jeito nenhum! – E voltei para a formação.

Como podem perceber eu não tive mais problemas e o desfile ficou imortalizado nestas belíssimas imagens do Seu Caxias, na Formação “Em cunha”, muito utilizada em confrontos e eficiente para dividir uma turba (Multidão).


Ao centro, Ten Moscone no Comando da Tropa
Quem não teria orgulho de Comandar este Grupamento?

P, É, Brasil!
Abraço

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Olha o buraco!

A pilota! (Ver post Mara Cogo)

Minha mulher pediu que eu a ensinasse a dirigir...

- Tem certeza? Vc sabe como eu sou ignorante.

Acho que esta falta de paciência em ensinar a dirigir vem de família. Meu pai ensinou eu e minha irmã... mas acho que ele até pegou leve. Já com minha mãe o negócio foi diferente. Ela diz que até hoje dirige mal devido ao trauma que ele deixou nela. Não sei, mas eu penso que dirigir é meio que um dom e não tem nada a ver com os traumas do ensino...

Voltando... o local escolhido para a realização das aulas práticas de minha mulher foi sua cidade natal, São Carlos (Ver post Mata a véia). Viajamos pra lá em um fim de semana e no sábado a tarde resolvemos praticar um pouco. Acontece que ela já estava até que se saindo bem em algumas aulas anteriores e por isto decidiu levar os dois irmãos para acompanhar seu “incrível desempenho” no comando do Uno 1000. 

Fomos para uma área da cidade de pouco movimento, ou melhor, nenhum movimento. Já viu cidade do interior ter movimento? Três carros esperando o semáforo já causam buzinaço na cidade. Ficamos dando voltas pelos quarteirões, treinando ladeira, baliza, etc., sem maiores novidades. Resolvemos então retornar para casa e foi onde aconteceu o incidente que merece lembrança neste blog.

UNO Mile ELX - 1995
Parece piada, mas todo carta branca, além de parecer ficar surdo quando esta atrás do volante, pensa que saber dirigir é andar depressa. É só pegar uma retinha que... Zuuuummm! Pisa fundo. E com minha mulher não foi diferente. No retorno ela escolheu uma via de rápida movimentação e... foi acelerando cada vez mais...

- Sandra... diminui um pouco que ali na frente tem um desnível de pista muito grande, ok?

- Ahã... – Respondeu ela com as duas mãos no volante e sem olhar para o lado... e o carro pegando mais velocidade...

- Sandra... vai mais devagar que ali na frente tem um buraco enorme, tá bom? – Alertei novamente e ela apenas consentiu com a cabeça...

- Sandra... devagar... tem uma vala ali na frente... – Ela não respondeu...

- Sandra... olha o buraco... – Falei com mais firmeza...

- Sandra... olha o buraco... – Disse, já desesperado e colocando a mão no painel...

- Sandra olha o buraco!!! – E o Uninho 1.000 atravessou a vala com tudo... soltando faísca do chão e pulando que nem um canguru.

- Caralho! Eu não falei da porra do buraco? Filha da Puta! Para esta porra! Para caralho!!!

Minha mulher encostou o carro e começou a chorar. E eu... continuei xingando pra cassete! Ela então puxou o freio de mão...

- Eu não dirijo nunca mais. Pode passar pra este lado... – Disse ela em prantos...

- O quê? Não vai dirigir é o caralho! Engata a primeira nesta porra e vamos embora sua filha da puta! – Gritei alucinado...

Ela obedeceu rapidamente e saiu com o carro sem cometer nenhum erro. O silêncio então tomou conta do carro e a única coisa que se ouvia eram os “snifs” do nariz da minha mulher,  até que uma voz baixinha, suave, porém receosa veio do banco de trás...

- Pô Sandra... ele avisou que tinha a "porra" de um buraco... - Comentou Rodrigo (Ver post Jesus Atua)... um dos dois irmãos que estava no banco de trás... e que eu esquecera completamente...

Caímos todos na gargalhada e seguimos juntos felizes para sempre!

Abraço

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Goniômetro Bússola



De pé: Silvestre, Eulálio, Bucci, Franco & Veri
Agachados: Carpi, Varga, Moscone & Pacheco

No meu ano de CPOR, além do estágio obrigatório que deveria ser realizado em alguma Unidade do EB, resolveram criar o tal do EPOT: Estágio de Preparação de Oficiais Temporários, ou algo do gênero. Antes deste, ocorre o Estágio Obrigatório, que tem duração de um mês, sendo realizado no ano seguinte ao ano letivo do CPOR, sempre em fevereiro. O EPOT segue a mesma linha  e ocorre no final do mesmo ano, em meados de outubro e com período aproximado de quatro meses. Como era o primeiro ano de aplicação deste novo sistema, os instrutores do CPOR não sabiam muito bem o que fazer com o bando de Aspira, e então decidiram que as instruções seriam ministradas pelos próprios Aspirantes, uma espécie de treinamento... peraí... isto não podia dar certo. Todo Militar sabe que Aspirante é a imagem do Demônio!

Em cima do tripé
Nos primeiros dias o negócio até que foi bem, porém com o passar das instruções somente o Palestrante acabava se interessando pelo assunto, já que seria cobrado posteriormente pelo que estava ministrando e o restante teria mesmo que "papirar" o que era ministrado, logo, começamos então a "ensarilhar" ("cagar e andar" no Miliquês) para as aulas, porém sempre sob o olhar atento do Aspirante Ribeiro...

- Atenção! Vcs ficam zuando... o Major está na janelinha da sala fiscalizando! Ele vai punir todo mundo! – Dizia ele todo encagaçado... aliás, até hoje não sei se ele estava é zuando com a cara da gente...

- Vai se fuder Ribeiro! – Alguém logo gritava...

Bom... um dos Aspirantes resolveu levar o negócio mais a sério e ameaçou entregar o grupo caso não colaborássemos com sua instrução. Como ele pareceu estar falando sério, resolvemos pegar leve.

Goniômetro Bússola
O cara se preparou mesmo para aquela palestra, mas isto não quer dizer que ela deixou de ser chata. Lembrem-se que havíamos prometido que "pegaríamos leve" e não que prestaríamos atenção ou que participaríamos da instrução. O pessoal estava quase dormindo e o Aspirante Carpi lá, todo empolgado e explicando o procedimento de tiro, montagem, nomenclatura e tudo mais, do morteiro 120 ou 4.2, como queiram (Um tem alma lisa e o outro, raiada). De repente...

- Pessoal, este aparelho é o GONIÔMETRO BÚSSOLA e esta parte aqui chama-se Luneta...

- Opa! Carpi! Eu tenho uma pergunta! – Gritei de bate pronto...
O pessoal se assustou e até se ajeitou na cadeira... provavelmente pensando que o Major aparecera na janelinha...

Lembro de alguém ter comentado... “Lá vem merda!”.

- Vc sabe porque isto aí chama Luneta? – Indaguei o preparado instrutor... e o silêncio então tomou totalmente conta da sala...

Ele refletiu alguns segundos... pensou... percebia-se que ele realmente havia estudado aquele troço... porém, nada!

- Desculpe, Moscone... eu não encontrei nenhum comentário sobre a Luneta no material que consultei, mas é óbvio que vc sabe, não é? – Retrucou, meio que desolado e sob o olhar atônito dos demais Aspirantes...

- Sim eu sei. Chama-se Luneta, porque se eu enfiar no teu cú você verá estrelas!


Abraço

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